A Banda Musical Saltense foi fundada no ano de 1878, por um grupo de pessoas de boa vontade e vocação musical, quando Salto era ainda uma pequena povoação, com desenvolvimento incipiente. Foram seus fundadores Joaquim Florindo, Romão Ribas, João Manquinho, João de Assis e outros, todos já falecidos. Depois de 1880, mais ou menos, o benemérito saltense, Dr. Francisco de Barros Júnior, já falecido, ex-Deputado Estadual, proprietário de uma Fábrica de Tecidos nesta cidade, avocou-se a direção da referida Banda Musical. Assim, forneceu-lhe instrumental novo, músicas novas, mantendo o maestro João Narciso do Amaral (grande músico ituano), dando trabalho aos músicos em seu estabelecimento industrial [indício do mecenato praticado por Barros Júnior] e correndo todas as demais despesas da Banda por sua conta. Mais tarde, [em] 1890, referido industrial, vendendo sua indústria, afastou-se da direção da Banda, confiando todo o instrumental e pertences da mesma à guarda da Matriz local, (...).
Dessa época em diante, a Banda ficou sem regente, sem recursos financeiros, indo para a frente por dedicação dos músicos Romão Ribas e João Francisco das Chagas, ambos já falecidos. Em 1902, como músico que era dessa Corporação, assumi a regência e chefia, coadjuvado pelos meus companheiros e músicos, senhores Isaac de Moura Campos, Silvestre Leal Nunes, Joaquim Florindo – todos falecidos, e Antonio Pereira de Oliveira, ainda existente. A Banda, nessa época, achava-se em condições precárias (...) já por falta de instrumentos, etc. Afinal, com muito esforço e boa vontade, consegui reorganizá-la, (...). Hoje, ela é composta de mais de 50 músicos, possui boa sede sita à rua Dr. Barros Júnior, conta com mais de 70 instrumentos e pertences musicais, todos em bom estado de conservação, tem um grande repertório de músicas clássicas, um bom fardamento de brim branco (brim esse doado pela Fábrica Brasital, desta cidade) para 62 músicos, (...), possui Caixa Beneficente para socorrer os músicos necessitados, aula de música, para formar novos elementos para a Corporação (medida essa de muito acerto, sem o que a Banda extinguir-se-ia). O terreno em que a sede foi construída foi adquirido por escritura pública, em nome da Banda, não podendo a sede ser vendida ou hipotecada e, em caso de issolução da Sociedade, os músicos existentes no ato tomarão sob seu cuidado, de acordo com as autoridades locais, os bens existentes, sendo que os músicos remanescentes poderão formar outra Banda, sempre porém com o mesmo nome: “Banda Musical Saltense”.
1 de fevereiro de 2008
Uma carta do maestro Henrique Castellari (1940)
25 de janeiro de 2008
Tavares entre Salto e Cotia
Há pequenas informações dessa época que são menos propaladas e, contudo, são até mais interessantes que o momento de fundação em específico, e merecem investigação. O “título de ereção e instituição” da capela daqui é de 21 de outubro de 1696. Em tese, somente a partir desta data Tavares estaria autorizado a iniciar sua construção. Esta, com suas paredes de taipa “solidamente feitas por braços de escravos [negros] e gentios da terra [indígenas]”, faria uso dos “bens móveis da capela da Acutia”, capela esta situada na região em que hoje se encontra a cidade de Cotia/SP.
Instalada na então Aldeia Koty, no remoto ano de 1580, a capela lá permaneceu até 1703, quando foi deslocada em cerca de um quilômetro para além do Rio Cuty [rio Cotia, hoje, na bacia do Alto Tietê]. Esta capela também era dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrat, e vem daí, muito provavelmente, a escolha de Tavares, pois há fortes indícios de sua ligação com essas terras. O que se escreve sobre a história de Cotia não leva em conta a presença dos Tavares. Contudo, sabe-se que Diogo da Costa Tavares, pai do fundador de Salto, faleceu no ano de 1659 “em seu sítio no rio da Cotia”. Portanto, tudo leva a crer que as terras dos Tavares, para os lados de Cotia, incluía a tal capela. Logo, é de se apostar que a própria imagem primitiva de Nossa Senhora do Monte Serrat, em se considerando ela como entre os “bens móveis”, não teve como primeira morada o Sítio Cachoeira, embora se afirme o contrário em Cotia, que trata a imagem que lá existe como sendo de 1684.

Estudo para painel Bandeirantes
Flávio Pretti, 1971
Aquarela s/ papel
Acervo do Museu da Cidade de Salto
17 de janeiro de 2008
Relatório do prefeito Luiz Dias da Silva (1913)
Câmara Municipal de Salto de Itu
Exercício de 1913
Relatório apresentado à Câmara Municipal pelo Prefeito Luiz Dias da Silva.
Snrs. Vereadores:
Em obediência ao preceito legal, venho dar-vos conta no presente relatório do primeiro ano da minha administração.
Com verdadeira satisfação cumpro esse dever, pois, tenho convicção de ter correspondido nas medidas de minhas forças a distinção com que fui por vós honrado, escolhendo-me para desempenhar o cargo de prefeito municipal deste florescente município, em cujo exercício fui sempre por vós satisfatoriamente auxiliado.
O sentimento do dever e o desejo ardoroso de cooperar eficazmente para o desenvolvimento do meu torrão natal, foram os móveis de todos os meus atos, no desempenho da missão que me confiastes.
A leitura deste breve relatório vos patenteará o bom estado financeiro do município, a sua renda progressiva e a aplicação exata dos dinheiros do erário municipal.
Não obstante a escassez monetária com que lutamos atualmente, embora a necessidade de recursos extraordinários, de pequenas operações de crédito, para esta prefeitura poder, sem prejuízo de sua ação, enfrentar os grandes melhoramentos iniciados e concluídos na vigência de nossa administração, são lisonjeiras as condições das finanças do município.
O plano geral de obras adotado pela municipalidade para a rápida transformação da cidade, reclamaram medidas prontas e eficazes para não haver embaraços prejudiciais à economia municipal e, por isso, fui por vós autorizado a contrair empréstimos a curto prazo, enquanto não fossem emitidas todas as letras do empréstimo feito de acordo com a lei número quatro (4) de 25 de Abril de 1912.
Ainda que tenha havido dificuldades na arrecadação das rendas municipais, as letras da terra, aceitas por mim, tem sido resgatadas com a precisa regularidade.
Assim, pois, tendo como certo o devotado zelo desta Câmara pelos interesses que acham-se-lhes confiados, é para mim motivo de sincero prazer, embora não possa corresponder ao rigor desse zelo o modesto resultado dos meus esforços na administração municipal.
É assim que, sem pretender ter feito um administração extreme [sic] de defeitos e condigna do progresso deste futuroso município, tenho fé, entretanto, que conscienciosamente cumpri com o meu dever.
De acordo com o plano traçado pela municipalidade e autorização constante da lei número quatro (4), de 25 de Abril de 1912, foram iniciados pelos meus antecessores e concluídos na minha administração os serviços da construção do matadouro modelo e do hospital de isolamento, sob a competente direção do engenheiro civil dr. Arthur G. Krug.
Essas construções têm merecido a admiração e elogios de todos que as visitam; obedecem a todas as regras da engenharia sanitária, são confortáveis e sólidas, porém, sem luxo.
Pela discriminação abaixo, vereis o quantum com que elas foi dispendido.
[...]
O estado lastimável em que se achavam as ruas, praças e estradas públicas do município, exigiam, de pronto, urgentes e dispendiosos reparos.
Tais serviços foram confiados à direta administração desta prefeitura e foram feitos com a máxima economia possível.
Assim, foram comprados terrenos para a abertura de ruas bem como colocadas guias e necessário sarjetamento em seis quarteirões da cidade, cerca de 700 metros de extensão, apedregulhadas todas as ruas e praças e aterrado o logradouro público denominado Areião, que era um lugar pantanoso e insalubre, um verdadeiro foco de miasmas, servindo só para depósito de lixo, e que constituía, também, um contraste com a beleza natural da catadupa denominada “Salto de Itu”. Esse local depois de drenado foi ajardinado e é hoje passeio preferido dos saltenses e de todos que nos honram com suas visitas.
Foi esse um melhoramento valioso e que melhor tem elevado o conceito desta Câmara, na opinião pública.
[...]
10 de janeiro de 2008
Irmandade Restauradora do Culto e Capela da Virgem Nossa Senhora do Monte Serrat (1858)
"Aos oito dias do mês de Setembro de mil oitocentos e cinquenta e oito nesta Povoação do Salto e Sacristia da Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat do Salto onde se reuniram diversas pessoas com o intuito de erigir-se uma Irmandade intitulada – Restauradora do Culto e Capela da Virgem Nossa Senhora do Monte Serrat – e sendo assim foi proposto por aclamação para Presidente o Sr. Joaquim Leme de Oliveira Cézar e para Secretário o sr. Tenente Luciano Francisco de Lima que foram aprovados. Acordou-se nomear uma comissão de três membros para examinarem o compromisso oferecido e para darem seu parecer foram eleitos o Sr. Tristão de Abreu Rangel o Sr. Alferes Antonio José Pinto e Agostinho de Souza e Neves e ficou a cargo do Secretário e Presidente promover a assinatura dos sócios, e convocar os Irmãos seja aqui ou na cidade de Itu para a aprovação do compromisso e deliberação tendentes ao progresso da Irmandade, e para constar se lavrou a presente em que assina o Presidente e Secretário eleito comigo Secretário interino que o escrevi eu Agostinho de Souza Neves."
2 de janeiro de 2008
Saint-Hilaire visita Salto (1819)
Não querendo deixar Itu sem ver a cachoeira à qual a cidade deve seu nome, dirigi-me até lá acompanhado do meu tropeiro, José Mariano. Num trecho de cerca de uma légua até a beira do Tietê, que corta a estrada de Itu a Campinas, percorri uma região outrora coberta de matas virgens mas na qual só se vêem capoeiras, atualmente. Vi vários engenhos de açúcar pelo caminho.Chegando ao Tietê, encontra-se uma ponte estreita, muito mal conservada e sem parapeito. A ponte é dividida em duas partes desiguais por uma ilha. A mais próxima da margem direita mede cerca de 48 passos de comprimento, a ilha mede 47 e a outra parte 120.Nesse ponto o rio se desdobra, formando várias ilhas, as quais, como o próprio rio, são orladas de pedras negras que parecem empilhadas ordenadamente, compondo uma espécie de muro de arrimo. Moitas de árvores e de arbustos de pitoresco efeito cobrem as ilhas, e tufos de orquídeas, crescendo entre as pedras, desabrocham em soberbos buquês de grandes flores purpurinas. Nas duas extremidades da ponte há uma venda e um pequeno rancho, e um pouco mais abaixo, à direita do rio, vê-se a capela de Nossa Senhora da Ponte [outra denominação por vezes atribuída à capela de N. S. do Monte Serrat], tendo ao lado a casa do capelão. Todo esse conjunto compõe uma paisagem muito bonita.Passando sob a ponte, e apertada entre as pedras, a água do rio corre fazendo barulho. Um pouco abaixo há um monte de pedras e mais adiante fica a cachoeira. Depois de serpear celeremente por entre as pedras amontoadas, o rio lança-se de repente por um estreito canal, cercado de ambos os lados por uma muralha de pedras a pique, e dali se precipita de uma altura de 25 ou 30 pés com uma impetuosidade inconcebível e um estrondo suficientemente forte para ser ouvido na cidade de Itu. Batendo, na sua queda, cruzam e se misturam, formando uma confusa massa de espuma de um tom branco-ferruginoso e espalhando no ar miríades de gotículas que se juntam para compor uma densa cortina de névoa. Na base da cachoeira as águas tornam a encontrar pedras e ainda continuam a espumar durante um certo trecho.A fim de ter tempo de examinar à vontade esse belo espetáculo eu tinha pedido ao capelão de Nossa S. de Ponte [sic] para guardar os meus burros em sua propriedade, com o que ele concordou amavelmente. Esse padre contou-me que, quando viera para ali havia quarenta anos, a rocha de onde o rio se despeja se projetava para frente e era escavada como se fosse uma calha; a água ao cair descrevia um arco, e as andorinhas costumavam passar em revoada sob ele, para cá e para lá. Pouco a pouco, porém, a saliência na rocha foi sendo desgastada pela passagem da água, até desaparecer por completamente. Vi ainda um grande número de andorinhas ao redor da cachoeira. Antes da queda d’água, só se encontram no Tietê peixes de espécies pequenas, mas abaixo dela pescam-se peixes de tamanho considerável, como dourados, etc.








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