29 de agosto de 2008

A Ilha dos Amores

As três pequenas ilhas

Em meados de 1913, a Câmara Municipal de Salto, atendendo a uma solicitação da Società Italo-Americana, tecelagem instalada na margem direita do rio Tietê, trocou três pequenas ilhas situadas logo abaixo da ponte Salto-Itu por um terreno no então Largo Paula Souza, com fundos para o rio. Dessas três ilhas, aquela situada mais próxima à cachoeira ficaria conhecida por Ilha dos Amores.

Antes, em 1911, a Società Italo-Americana obtivera concessão do Estado para instalar uma usina hidroelétrica nas proximidades das ilhas. Tal tecelagem foi adquirida por outro grupo industrial em 1919, a Brasital S/A. Em 1923, as ilhas cedidas dez anos antes também foram incorporadas ao patrimônio do novo grupo. Com a construção da barragem e usina de Porto Góes, as ilhas passaram ao controle da Companhia Ituana de Força e Luz – que assumiu, em 1927, as obras iniciadas pela própria Brasital em 1924.

Uma paisagem romântica

Nos anos em que esteve nas mãos da Società Italo-Americana e da Brasital, o afloramento granítico que constituía a Ilha dos Amores – com uma configuração distinta da atual – recebeu coreto, chafariz e iluminação elétrica. Uma estreita e leve ponte de madeira foi construída, fazendo a ligação com a praça. No coreto, muito próximo à cachoeira, conjuntos musicais se apresentavam aos domingos, entretendo saltenses e visitantes que para cá se dirigiam.


Vista do coreto e parte da Ilha dos Amores, tendo ao fundo a barragem de Porto Góes, c.1930.

A grande enchente de 1929 destruiu a ponte que dava acesso à Ilha, sendo recuperada pouco depois pelo prefeito-interventor Major José Garrido, no início dos anos 1930, utilizando-se de trilhos ferroviários como pilares. Tal ponte resistiu até 1983, quando nova enchente de grandes proporções a carregou. A essa época, no espaço antes ocupado pelo chafariz, existia um mini-zoológico. Quando da subida das águas, na enchente de 1983, os animais que ali estavam foram resgatados às pressas. Em 1988, a Ilha dos Amores sofreu uma remodelação, assumindo os contornos externos vistos ainda hoje. Nessa mesma ocasião, nova ponte de acesso foi instalada – mais robusta e resistente à força das águas.


A enchente de 1929, com a Ilha ao centro.


Ponte de acesso à Ilha e parte do Jardim Público, 1949.

7 de agosto de 2008

Das denominações e de dois prédios

A Praça Archimedes Lammoglia é o logradouro público que mais vezes teve seu nome alterado na história de Salto. Muitas vezes segmentada em duas partes, já se chamou, oficialmente, Praça da Bandeira, Paula Souza, do Anhembi, 31 de Março e Getúlio Vargas – sendo estas duas últimas unificadas sob o nome 16 de Junho, em referência à fundação da cidade. Desde 27 de setembro de 1996 é denominada Praça Dr. José Francisco Archimedes Lammoglia. Tratemos da nomenclatura atual e de dois prédios que existiram nas imediações da concha acústica.

Denominação
José Francisco Archimedes Lammoglia, que dá nome à praça acima referida, nasceu nesta cidade, em 1920. Em 1942, ingressou na Escola Paulista de Medicina, diplomando-se em 1947. Proctologista, residiu durante muitos anos no Hospital Matarazzo, onde ingressou em 1938, como faxineiro, e chegou à chefia do departamento de sua especialidade anos mais tarde. Trabalhou ainda, desde sua formatura, na Santa Casa de Itu – onde atendia gratuitamente aos finais de semana. Em 1954, o Dr. Lammoglia ingressou na política, sendo eleito vereador da cidade de São Paulo no ano seguinte. Em 1958, foi eleito deputado estadual, reelegendo-se várias vezes, num total de sete pleitos consecutivos. Cursou também a Escola de Direito de Niterói, diplomando-se em 1960. Em 1964, foi Secretário Estadual da Saúde. Por sua atuação política ao longo de quatro décadas, foi reconhecido publicamente por conseguir diversos melhoramentos para sua cidade natal, da qual era notável defensor, bem como pra outras cidades da região.


Dr. Archimedes Lammoglia, falecido em 1996.

A casa de José Bonifácio, o Moço
José Bonifácio de Andrada e Silva (1827-1886), conhecido por José Bonifácio “o Moço”, foi um poeta, jurista, professor e político brasileiro. Tinha o mesmo nome de seu tio-avô, o Patriarca da Independência. Numa das vezes em que D. Pedro II visitou Salto, em 1875, foi a casa que Bonifácio mantinha, próxima à cabeceira da ponte Salto-Itu, na margem direita do rio Tietê, que hospedou o Imperador. Na condição de anfitrião, Bonifácio declamou a poesia "Sonhando", escrita especialmente para aquele momento. Mais tarde, a referida casa – que ali existiu até pelo menos fins do século XIX – foi ocupada pela família do engenheiro responsável pela construção da Fábrica de Papel, inaugurada em 1889.


A casa de Bonifácio em fins do séc. XIX

Escola Paroquial
Nesta praça existiu, até 1958, uma ampla casa construída no final do século XIX, pertencente a D. Aurelina Teixeira Campos. Situada no então Largo Paula Souza nº 12, tendo de um dos lados o Jardim Público e, de outro, um terreno municipal que margeava o rio Tietê, tal casa abrigou, a partir de 1936, uma instituição particular de ensino: o Externato Sagrada Família, que iniciou suas atividades sob a designação Escola Paroquial, dada sua ligação com a Igreja Matriz. Fundada por quatro religiosas da Congregação das Filhas de São José, vindas da Itália, a instituição contou desde o início com o apoio da indústria têxtil Brasital, sendo o prédio doado por D. Aurelina.
Existente até os dias de hoje, o “Coleginho” – como é carinhosamente conhecida a instituição – transferiu-se, em 1958, para um novo prédio, situado à Avenida D. Pedro II, numa permuta de terrenos com a prefeitura. Pelos bancos do Externato Sagrada Família passaram inúmeros saltenses, sendo o trabalho das irmãs que passaram pela instituição sinônimo de excelência e tradição na cidade.


Ao fundo, à esquerda, o Externato. Em primeiro plano, a praça que abriga o Monumento à Bíblia.

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966