17 de dezembro de 2008

A origem da Brasital S/A e seu desenvolvimento

O texto que segue é a transcrição de um fragmento da série de textos (sob o título "A origem da Brasital S/A e seu desenvolvimento") escritos por João M. Bombana no periódico saltense O Trabalhador, entre 06.11.1976 e 15.01.1977. Foram mantidas as iniciais maiúsculas originais e os grifos do autor.

No então Salto de Ytu, existiam duas fábricas: uma de fiação de algodão, inaugurada em 1876, precisamente há um século, de propriedade do sr. José Galvão de França Pacheco Júnior, e uma tecelagem, de propriedade do dr. Francisco Fernando de Barros Júnior, esta última inaugurada em 1882. Cada uma dessas duas fábricas possuía a sua Usina Elétrica, denominadas Júpiter e Fortuna, respectivamente. Para isso, aproveitavam as águas da Cachoeira do rio Tietê, que tinha uma vazão em potencial fabulosa. As duas fábricas acima referidas foram adquiridas pelo dr. José Weissohn, que juntou-as numa só. Da gestão do dr. José Weissohn sabe-se que foi muito profícua e ele muito generoso e humano. Basta dizer que ao passar a propriedade para a Empresa sucessora, deixou convencionado que a carne bovina, que era vendida aos seus operários no açougue por ele montado, não poderia ser vendida por mais de $500 (quinhentos réis) o quilo. Além disso, deixou também estipulado que a sua cozinheira, d. Lúcia, enquanto vivesse, deveria receber seus vencimentos, além do direito de residir na casa onde morava, a qual estava localizada ao lado do chalet da Diretoria.
A empresa sucessora, ou seja a Società Italo-Americana, cujo emblema apresentava S.I.A., estava localizada na Itália, em Milão, também possuía fábricas na Argentina e no Chile, com a denominação de Vedetta. Como primeiro Presidente da SIA fora nomeado o sr. Ermano Mosterts. Conselheiro delegado o sr. Carlos Castiglioni e Conselheiros o dr. José Weissohn e outros. O primeiro procurador foi o sr. Cav. Giuseppe Revel e Gerente o sr. David Picchetti, que mais tarde foi substituído pelo sr. Celli e este pelo sr. Ciriani, vindos da Itália, devidamente contratados e como Diretor Técnico veio o sr. Seminatti. Tanto o sr. Celli como o sr. Picchetti eram apaixonados pela equitação, tanto é que possuíam belíssimos cavalos para montaria. A Mestrança era composta de elementos vindos da Itália, também contratados. Assim vieram os srs. Beltramo (pai, filho e filha), Goffi, Gronda, Biffi, MOndone, Paglia, Boggio, Conterno, Aliata, Stussi, Vasco, Visetti, Gardini, Chilento, Girelli, Bianchi, Eng. Preti, Cassani, Primazzi, Rafaele Bianco e outros.
Em 1890 foi instalada em São Roque, pelo industrial Eng. Enrico Dall’Acqua, uma Tecelagem, a qual mais tarde também foi adquirida pela Società Italo-Americana, cujos Diretores Técnicos também vieram da Itália, a saber: srs. Vistarini, Suigo e Ale e os Mestres, srs. Cereda e Colombo. Assim, o patrimônio da S.I.A. era constituído do Cotonifício em Salto e da Tecelagem em São Roque. A fábrica de São Roque possuía a Usina Elétrica, que era gerada [sic] nos tanques denominados Vedetta e Enrico Dell’Acqua, que eram suficientes para movimentar os teares e demais máquinas auxiliares. Na Tecelagem de São Roque existem os famosos teares Grossemnhainer, para a fabricação de Colchas Isabel, as quais eram tecidas com tramas próprias produzidas nos sel facigs (miulas – em Salto, exclusivamente para esse artigo). Possuía também os teares Jacquada, de onde saíam os famosos atoalhados e guardanapos. Para estes, como para as colchas, não havia produção que chegasse para o atendimento da freguesia que era selecionada. Existiam teares onde eram fabricadas as faixasCapo Sala para o Mestre de Tecelagem, Maestrinas para as Inspetoras, Espularinas para as Boninadeiras e Ortidoi para as Urdideiras e outros mais. para crianças recém-nascidas. Interessante, que nessa fábrica foram introduzidos os princípios italianos daquela época, até há pouco tempo ainda ouviam-se termos daquele país, como Capo Sala para o Mestre de Tecelagem, Maestrinas para as Inspetoras, Espularinas para as Boninadeiras e Ortidoi para as Urdideiras e outros mais.
O vapor era produzido por caldeiras a lenha, a qual era retirada das matas adquiridas para essa finalidade e transportada por carroças puxadas por muares selecionados, pois os locais onde retiravam a lenha eram montanhosos e de difícil acesso. A matéria-prima (fios de algodão) para o abastecimento da Tecelagem, era remetida pela fábrica de Salto, através da Estrada de Ferro Ituana, hoje Fepasa. Pela Società Italo-Americana foi adquirida a Fábrica de Papel, que foi inaugurada em 19.9.1889, pelo Engenheiro Antonio Melchert. A razão social Merlchert & Cia. E a fábrica é a mais antiga do Brasil, conforme consta dos anais. Quando ela foi inaugurada, estiveram presentes, dentre outros, os srs. Otaviano Pereira Mendes, Padre Miguel Corrêa Pacheco, Francisco Glicério, Bento Quirino dos Santos, Bernardino de Campos, Marquês de Três Rios, Barão de Tatuhy, Barão de Araraquara, dr. Ignácio de Mesquita, Coronel Rodovalho, Coronel Anhaia, Carlos Paes de Barros, Ramos de Azevedo, Alfredo Maia, José Vicente de Azevedo, José Pereira de Queiroz, Correa Dias, dr. Charles Bally, Alfredo Faria, representando a Gazeta e o Diário de Campinas, João Batista Jordão, Fontes Júnior, Tancredo do Amara e o representante da Liga Ituana, dr. José Maria Lisboa.
A fábrica, que ainda está situada na margem esquerda do rio Tietê, contava com energia própria e para isso utilizava a água que era conduzida pelo canal, cujo nível do ponto inicial até o terminal era de 55 pés, produzindo 800 HP; os canos para a turbina tinham 15 m de diâmetro e 76,5 m de extensão. No início da gestão da Italo-Americana, na Fábrica de Papel, esta foi convencionada com diversos empregadores, sendo o último o sr. Nicolino Matarazzo. Terminado o prazo convencionado e como não entregaram a Fábrica, foi preciso embargar seu funcionamento e em seguida dinamitar o canal d’água que abastecia a turbina geradora de energia elétrica. Só assim deixou de funcionar e foi entregue a S.I.A.
Com mais essa aquisição, tornou-se a Società Italo-Americana proprietária de 3 fábricas, Cotonifício Salto, Fábrica de Papel de Salto e Fábrica de Tecidos de S. Roque. Por razões de medrança, a empresa passou para a razão social de Società per L’Importazione e Exportazione Italo-Americana, deixando de ser SIA, mas continuando com as fábricas na Argentina e no Chile. Na ocasião da Guerra Européia, diversos mestres que eram italianos, deixaram a empresa e partiram para a Guerra, na qualidade de reservistas do Exército Italiano e não mais voltaram.
Com a transformação da Guerra Européia em Mundial (a primeira), havia pouca possibilidade de virem técnicos estrangeiros para o Brasil, nessa ocasião foi constituída a Brasital S/A, resultante da fusão das Empresas Società per L’Importazione e Exportazione Italo-Americana e Belli & Cia., sendo esta consorciada daquela.
Com o advento da Brasital S/A, isto em 01/11/1919, funcionou como advogado o Dr. Adolpho Nardy Filho, contratado para elaborar os Estatutos Sociais da mesma.
Uma vez tudo legalizado, começaram as reformas, ampliações e expansões das três Fábricas.
A nova Razão Social, constituída de Capital Nacional, passou também a aproveitar a Prata da Casa, contratando pessoal aqui no Brasil.
Para Procurador Geral da Brasital S/A foi nomeado o Sr. Cav. Caldirola e em virtude do mesmo não ter tomado posse do cargo foi nomeado para esse cargo o Sr. Bruto Belli.
A primeira Diretoria da Brasital S/A foi eleita em 1/11/1919, sendo composta dos seguintes senhores: Presidente Cav. Rag. Guido Sacchi, Vice-Pres. Conde Com. Alessandro Seciliano; Membros do Conselho, Cav. Reg. Guido Sacchi, Com. Arrido Stoffel, Bruto Belli; Diretor Geral: Bruno Belli. Membros efetivos do Conselho Fiscal: Dr. Cav. Antonio Rossi, Cav. Humberto Lambrosso e Dr. Arthur Krug. Suplentes do Conselho Fiscal: Ricardo Arrigoni, Giovanni Ballarini e Lyder Sandal.
O Capital Social era formado entre acionistas brasileiros e italianos. O resultado do primeiro exercício apresentado pela Brasital S/A, referente ao período de 1/11/1919 a 31/10/1920, foi o seguinte:
[...]
Com a sede em São Paulo, Filiais em Santos, Rio de Janeiro, Osasco, Salto e São Roque, a Brasital S/A desenvolvia-se em todos os seus setores.
A Fábrica de Papel foi reformada completamente, tanto os prédios como as máquinas, principalmente a contínua nº 1 (a mais antiga do Brasil) e quando concluída a reforma, posta em serviço, produzia cerca de 100.000 quilos de papéis por mês.

A capela como marco da fundação

A capela primitiva

O capitão Antônio Vieira Tavares, ao se instalar por volta de 1690 em seu Sítio Cachoeira, hoje território do município de Salto, quis construir “uma igreja com seu adro com a invocação de Nossa Senhora do Monte Serrat”, como consta na “Provisão de Ereção” do templo, documento de 1696. Dois anos mais tarde, em 16 de junho de 1698, o vigário da Vila de Itu, Felipe de Campos, visitou a capela já construída e, “achando-a mui decente e com todos os paramentos necessários para (...) se celebrar o sacrifício da missa”, a benzeu. Considera-se hoje essa data como sendo a de fundação da cidade de Salto.

No ano de 1700, Tavares e sua mulher, Maria Leite, firmaram em escritura pública a intenção de doar o Sítio Cachoeira com tudo o que nele havia, incluindo escravos negros e índios, para a “Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat”, acrescentando que era sua vontade que “se conservasse a dita capela para sempre no mesmo lugar”. A doação se consumou, tendo morrido Tavares por último, em 1712. A capela foi preservada até 1928, quando foi demolida para dar lugar ao prédio atual. Resistiu, portanto, por 230 anos.


Vista da capela primitiva e de seu pátio frontal. À esquerda, casa dos operários da fábrica Fortuna, c.1900.


A igreja atual

No início do século XX, a capela primitiva tornou-se pequena para Salto. A primeira pedra do novo templo foi assentada em fevereiro de 1928, sendo pároco o padre João da Silva Couto. Prontos os alicerces ao redor da velha capela, suas grossas paredes de taipa foram demolidas. Em várias ocasiões os operários das fábricas, especialmente da Brasital, consentiram que fosse descontado dos salários o equivalente a um dia de trabalho, em prol da construção. A nova igreja foi benzida e inaugurada em 1º de maio de 1936, fazendo-se o revestimento externo posteriormente. Foram responsáveis técnicos pela obra o engenheiro Paschoal Purcchio e o construtor João Scarano.


Atual prédio da Igreja Matriz durante sua construção, entre 1928 e 1936.


A primeira imagem (1698 – 1797)

Entronizada pelo capitão Antônio Vieira Tavares, quando da bênção da capela primitiva, pode ainda hoje ser vista no interior da Igreja Matriz, no altar lateral esquerdo.


A imagem incendiada (1797 – 1935)

Em fins do século XVIII, o padre ituano João Leite Ferraz, senhor muito rico e devoto de Nossa Senhora do Monte Serrat, encarregou-se de restaurar a capela original. Achava ele que a imagem que ali se encontrava era “pequena e sem estética” e desejava substituí-la por outra, “majestosa e digna de admiração”.

Em 1797, o ituano Francisco de Paula Leite de Barros, desejando se casar com Maria Joaquina de Campos, pediu a intervenção do padre, pois este era tutor da moça e amigo de sua família. Em troca desse favor, o padre achou que o pretendente deveria pagar-lhe uma penitência, e mandou-o ir à beira do tanque do Sítio Grande, no bairro do Piraí, e de lá trazer um tronco de cedro “de muito boas águas”, o que o jovem fez com grande esforço. Não contente, o padre o mandou buscar na Vila de Parnaíba (atual Santana de Parnaíba) um santeiro de fama na época, o mulato de nome Guilherme. Assim, o jovem Paula Leite trouxe o artista que esculpiu a segunda imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat.

Mais de um século depois, na noite de 18 de janeiro de 1935, um curto-circuito na instalação da igreja em obras, na parte que funcionava como matriz provisória, provocou o incêndio que destruiu a imagem de 1797. O que restou foi a cabeça carbonizada, que se encontra hoje no Museu da Cidade de Salto. A Igreja da Candelária, em Itu, possui duas imagens feitas do mesmo tronco de cedro, uma Senhora do Rosário e um São Miguel Arcanjo.


A imagem atual (desde 1935)

Para substituir a imagem incendiada, a mesma família Paula Leite, de Itu, se reuniu e abriu um “livro de ouro”, angariando fundos para que fosse esculpida uma outra imagem, também em cedro. O trabalho ficou por conta do escultor S. Scopoli, e a nova imagem foi apresentada aos fiéis em setembro de 1935. É essa imagem que se encontra hoje no altar-mor da Igreja Matriz.


A imagem primitiva de fins do séc. XVII (1); a incendiada, de 1797 (2); e a atual (3), de 1935.

11 de dezembro de 2008

Bom Dia São Paulo - 11/12/2008

Comerciantes do final do século XIX

Em 21 de julho de 1890 o presidente do primeiro Conselho de Intendência, Francisco Fernando de Barros Júnior [1856-1918], abria um livro de escrituração e rubricava suas páginas “para nele serem lavrados todos os termos de nivelamento, alinhamento e alvarás de licença da Vila do Salto”. Nesse documento de 50 páginas encontram-se anotações que cobrem o período de maio de 1890 – antes mesmo do procedimento acima mencionado – até agosto de 1898.

A primeira anotação foi sobre um nivelamento, o da casa de Paulino Galvão de Almeida, situada na esquina das ruas do Porto e do Riachuelo (atuais José Weissohn e 23 de Maio). Esse procedimento foi acompanhado pelo arruador, Domingos José da Cruz; pelo fiscal da Intendência, Evaristo de Góes Pacheco; e pelo secretário – responsável pela anotação no livro – Belmiro José de Araújo.

Quanto aos comércios, a primeira licença foi concedida, ainda em 1890, a D. Maria Lima, “para abrir sua casa de negócio de secos e molhados, aguardente e gêneros da terra”. A segunda foi concedida a Francisco Xavier da Costa, “para continuar com sua farmácia”. Orlando Antonio recebeu alvará “para abrir a sua padaria”; Januario de Monte Santo, “para continuar com seu negócio de secos, molhados, gêneros da terra e aguardente”; Manoel José Ferreira de Carvalho, “para continuar com seu negócio de secos e molhados, aguardente, ferragens, armarinho e calçados”. Como se nota por essas primeiras licenças, concedidas entre 1890 e 1891, a maioria delas se destinava a negócios de secos e molhados. São os casos também dos estabelecimentos de Ernesto Nobre Moro, Joaquim Antonio da Silva, Fernando Dias, Emilio Della Nina, entre outros.

As anotações de 1898, já no final do livro, foram feitas pela pena do secretário da Câmara Municipal, Silvestre Leal Nunes. Vejamos, na tabela abaixo, alguns nomes que receberam as licenças daquele ano, bem como a localização e o tipo de negócio:


7 de dezembro de 2008

O saltense volta a ter orgulho



Os trabalhos inaugurados na noite de 6 de dezembro de 2008, no entorno da cachoeira que dá nome a nossa cidade, serão responsáveis por um novo uso daquele espaço. Novas funções estarão a ele associadas. Será novamente um local emblemático para o saltense, que por longos anos perdeu o orgulho que sentia em explicar sua própria origem, ilustrando-a com uma visita à cachoeira. Afinal, Salto só é Salto pela cachoeira – o Ytu Guaçu, na língua indígena. E apenas deixou de ser um distrito rural da cidade vizinha, tornando-se independente, por conta da instalação de indústrias nas imediações, motivadas principalmente pelo potencial de aproveitamento da força hidráulica oferecida pela queda d’água.

Como já tem sido divulgado pela imprensa, Salto ganhará neste final de semana, além de uma praça remodelada, duas novas atrações: o Memorial do Rio Tietê e o Caminho das Esculturas. As intervenções ocorridas na Praça Archimedes Lammoglia (no trecho conhecido como Jardim Tropical), na Ilha dos Amores, no antigo Restaurante do Salto, na Ponte Pênsil e no espaço para além dela (agora nomeado Caminho das Esculturas), foram todas concebidas parcialmente carregadas de historicismo (doutrina que estuda seus objetos do ponto de vista da origem e desenvolvimento deles, vinculando-os às condições concretas que os acompanham). Trocando em miúdos, pensou-se na memória do espaço no qual se intervinha. A colocação de um gazebo que remete ao antigo coreto da Ilha dos Amores é um exemplo disso.

E para marcar essa opção, novos painéis do Museu de Rua foram instalados. A intenção desses painéis é veicular informações históricas e documentos iconográficos em espaços representativos da história local, atribuindo sentidos a quem por eles transita. Um deles, que figurará ao lado do busto da personalidade que dá nome à Praça, detalha esse aspecto. Outro, ao centro do Jardim Tropical, mostra as várias formas e nomes que o espaço já teve, desde o século XIX, quando se chamava Largo do Rocio. Ao atravessar a ponte metálica que liga o Jardim à Ilha dos Amores, o visitante encontrará um painel específico sobre a Ilha e outro sobre a Barragem e Usina de Porto Góes, já que a partir da Ilha se tem um ponto de visualização privilegiado da barragem em quase toda sua extensão.

Os painéis de azulejos de Flávio Pretti, que desde 1968 estiveram ao lado do antigo Restaurante do Salto, permaneceram. E uma placa sobre o artista dá conta de situar sua obra no contexto da época de criação. Sob a pérgula do Mirante, ao lado de um banco em granito de Salto, está um outro painel, com forma distinta – e que marca o início de um circuito de painéis similares que tem por fio condutor o rio Tietê. Nele, trata-se dos ilustres visitantes que por aqui passaram e viram a cachoeira, de D. Pedro II até o atual Presidente da República. Já ao lado da Ponte Pênsil, a história dela, propriamente. Próximo, um outro painel aborda as tecelagens pioneiras que se instalaram à margem direita.

Antes, quem optar por descer diretamente ao Memorial do Rio Tietê terá contato com uma história que transcende os limites locais. No início, explica-se a nomenclatura do rio. Em seguida, sua importância histórica é abordada nos painéis sobre bandeiras e monções – além de um sobre as vilas pioneiras que se instalaram às margens, ainda no período colonial da história brasileira. Noutro bloco, trata-se da cultura produzida no Vale do Tietê, com destaque para um equipamento concebido para contar as principais lendas do rio na forma de um grande gibi, criado com desenhos do artista saltense Rodrigo Schiavon. Nessas duas seções, monitores de TV exibirão vídeos alusivos à temática. Na seção seguinte, trata-se das formas utilizadas pelo homem para se servir do rio; barragens e usinas ganham relevo no vídeo que será projetado numa das paredes. A esperança da despoluição e as ações com esse intuito empreendidas até o momento presente são abordadas nas seções finais. Por último, o visitante encontra uma pinacoteca, a Galeria da Cachoeira – com reproduções em grande formato de pinturas históricas do Ytu Guaçu produzidas por artistas de renome nacional e internacional, além de uma fotografia de um dos pioneiros dessa arte no Brasil, Marc Ferrez – que fotografou a cachoeira por volta de 1880.

Ao atravessar a quase centenária Ponte Pênsil, tem-se o início do já mencionado Caminho das Esculturas. O índio, o bandeirante, o padre jesuíta José de Anchieta, o viajante europeu, o pescador e a operária são figuras representadas em esculturas do artista plástico Murilo Sá Toledo – todas acompanhadas de painéis explicativos. Na base do antigo teleférico da Brasital, dois painéis em vidro dão conta de explicar a sua existência no passado. Em vidro também foi criado o painel que figura nas proximidades da escultura da operária, no qual foram dispostas algumas fotografias do início do século XX com aspectos do interior das antigas tecelagens de Salto. Ao final do percurso, o painel “Para além do caminho, você encontra...” irradia alguns pontos de interesse nas proximidades, como é o caso do Parque Rocha Moutonnée, da Ilha Grande, da Fábrica de Papel, da Ilha da EMAE, entre outros.

Acredita-se que, com as informações apresentadas, possa o saltense e o visitante de fora perceber o valor histórico que a área contemplada com as obras tem. A recuperação de antigos valores e os novos significados despertados, por tudo o que foi agregado, tem esse intuito.

2 de dezembro de 2008

O marco zero da cidade

A Praça Antonio Viera Tavares é o marco zero da cidade de Salto. Antes de 1911, a área da Praça atual era conhecida como Pátio da Capela, ou Pátio da Igreja. Dessa data em diante passou a se chamar Praça XV de Novembro. Apenas no ano de 1934 ela receberia o nome do fundador da cidade. Nesse momento, a praça também abrangia o entorno da Igreja Matriz, que só em 1955 receberia nome diferenciado, passando a se chamar Praça da Bandeira.



Esse espaço corresponde ao núcleo inicial da ocupação de Salto no final do século XVII. O capitão Tavares e sua mulher Maria Leite o teriam escolhido para a instalação da capela primitiva muito provavelmente pela vista da cachoeira no rio Tietê. No final do século XIX, vê-se o surgimento da cidade operária. A atividade fabril prospera. A partir de 1919 tem início o domínio da indústria Brasital, que marcará a paisagem não apenas por suas construções, mas também pela presença de seus trabalhadores.





Embora fosse região de circulação intensa, até o início da década de 1940 essa área era um simples descampado. Nessa época ela recebeu o primeiro tratamento paisagístico, obra inaugurada em 1942.

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966