Mostrando postagens com marcador ilha dos amores. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ilha dos amores. Mostrar todas as postagens

10 de dezembro de 2009

As enchentes de 1929 e 1983

Nessa semana foi notável a elevação do nível das águas nos dois maiores rios que cortam a nossa cidade, o Tietê e o Jundiaí. Muitos foram os saltenses que se dirigiram aos pontos de observação mais privilegiados, como a Praça Archimedes Lammoglia – em específico ao mirante sobre o Memorial do Rio Tietê – e aos arredores da Ilha Grande e da Ponte dos Pescadores. Houve aqueles que foram ao Parque do Lago e viram o lago confundir-se com o próprio rio Tietê. Contudo, o volume observado nos últimos dias é bem menor se comparado ao que se viu em Salto nos anos de 1929 e 1983. Abaixo, um vídeo da cachoeira com volume anormal de água, na noite de 08/12/2009:



1929
Embora existam referências de meados do século XIX a respeito de uma grande enchente que destruiu a ponte que ligava as margens do rio Tietê, na altura do atual bairro da Barra, passando por uma ilha (conhecida antigamente por Ilha da Santa Feia, pouco acima da atual ponte Salto-Itu), os relatos de antigos moradores de Salto informavam que a enchente de 1929 havia sido realmente extraordinária. Uma das fotos que se tem desse episódio, de autoria de Biágio Ferraro, mostra as águas cobrindo a Ilha dos Amores, onde existia um coreto. Naquele instante captado pela câmera, as águas ainda não haviam atingido seu ponto máximo, já que, horas mais tarde, elas levariam o telhado do coreto mencionado, visto que chegaram até a calçada da Rua José Weissohn.

Vista da Ilha dos Amores, ao centro, na enchente de 1929. Foto tirada de uma das torres da Brasital.

A Usina de Lavras – inaugurada em 1906, junto à margem direita do rio Tietê, à montante do salto – sofreu grandes danos com a enchente de 1929. A elevação do nível das águas atingiu a casa das máquinas e comprometeu os equipamentos. Após essa enchente, Lavras foi desativada. Quando voltou a operar, em 1935, algumas medidas foram tomadas com o intuito de se evitar estragos semelhantes: os geradores foram colocados sobre cavaletes e nas janelas ao lado do rio foram levantadas muretas. Lavras seria paralisada definitivamente em 1956, já estando, então, bastante obsoleta.


Dependências da Brasital, próximas à Ilha Grande, na enchente de 1929.


1983
Nos primeiros dias de fevereiro de 1983, a cidade de Salto foi assolada por aquela que, segundo muitos, foi a maior das enchentes já vista pelos saltenses. No dia 2, as notícias vindas da capital e de outras cidades rio acima anunciavam os estragos possíveis de ocorrerem em Salto com a chegada do grande volume de águas. As autoridades locais, empossadas no dia anterior, trataram de tomar providências visando minorar os estragos e riscos. Cerca de duzentas famílias, moradoras de áreas de baixada, como uma parte do Jardim Três Marias, foram transferidas às pressas.

No dia 5, sábado, o jornal Taperá trazia o seguinte título em sua primeira página: “A cidade invadida pelas águas de 2 rios”. E detalhava o drama: “O nível das águas superou, na última 3ª feira, as marcas existentes na usina da Eletropaulo, no Porto Góes e numa das dependências da Brasital S.A., em cerca de um metro [comparação feita com a enchente de 1929]. Locais jamais atingidos anteriormente, nas proximidades dos rios Jundiaí e Tietê, desta feita foram invadidos pelas águas, como parte da avenida Vicente Scivittaro, Jardim das Nações, Largo S. João, rua Mal. Deodoro, rua Coelho Neto e outras do Jardim 3 Marias, final das ruas Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. Diversas indústrias também sofreram grandes prejuízos, sendo que algumas chegaram a paralisar suas atividades. Dezenas de famílias ficaram desabrigadas, sendo amparadas por familiares, amigos, Poder Público, clubes de serviço e por outras pessoas (...).”

A cobertura jornalística da enchente, no mesmo Taperá, trazia ainda episódios notáveis ocorridos nos dias anteriores. Ao abordar o drama das famílias atingidas, em “Ato de heroísmo”, conta-se como uma família foi salva: “A maioria dos saltenses deram mostras de seu espírito de solidariedade, mas houve alguns casos expressivos, (...). Foi o que aconteceu com Celso Andreotti e Euclides Rocco, que ao tomarem conhecimento que a família Arpis, com 8 pessoas, estava presa na casa em que residem no estádio ‘Luiz Milanez’, na Ilha Grande, imediatamente conseguiram um bote a motor, de propriedade de João Rocco e realizaram diversas viagens até o local, da meia-noite até as 4 e meia da manhã. Trouxeram todas as pessoas que se encontravam na casa, enfrentando o perigo da correnteza, salvando ainda diversos objetos de sua propriedade. Quando Celso e Euclides chegaram à casa, seus moradores já estavam com água pela cintura e desesperados com a possibilidade de serem levados pela correnteza, o que, felizmente, não ocorreu. Parte da casa, além do bar, vestiários, alambrado e arquibancada do estádio da A. A. Avenida foi destruída, mas não se verificou nenhuma vítima fatal.”

Outro episódio refere-se ao salvamento dos animais do mini-zoológico então existente na Ilha dos Amores: "[A Ilha] foi quase inteiramente coberta pelas águas, fazendo com que diversos animais viessem a morrer afogados ou sendo levados pelas águas. Os que conseguiram sobreviver começaram a ser retirados ontem, pela Polícia Florestal, a partir das 9 horas da manhã. Foram utilizadas, inicialmente, escadas fornecidas pela Brasital, pois a ponte que dá acesso à ilha foi derrubada pela correnteza. Como não foi possível chegar à ilha através desse meio, foi solicitada a vinda de helicóptero da Votec, de Sorocaba, que transportou os componentes da Polícia Florestal e Militar até a ilha. Eles conseguiram retirar o veado, dois macacos, um quati, a onça e outros animais. Dois macacos e a capivara fugiram assustados com o barulho do helicóptero e caíram nas águas, não podendo ser salvos.”


A seguir, veja 21 fotos da enchente de 1983 postada por colaboradores do grupo Fotos Antigas de Salto/SP no Facebook, administrado pelo autor deste blog:























29 de agosto de 2008

A Ilha dos Amores


As três pequenas ilhas

Em meados de 1913, a Câmara Municipal de Salto, atendendo a uma solicitação da Società Italo-Americana, tecelagem instalada na margem direita do rio Tietê, trocou três pequenas ilhas situadas logo abaixo da ponte Salto-Itu por um terreno no então Largo Paula Souza, com fundos para o rio. Dessas três ilhas, aquela situada mais próxima à cachoeira ficaria conhecida por Ilha dos Amores.

Antes, em 1911, a Società Italo-Americana obtivera concessão do Estado para instalar uma usina hidroelétrica nas proximidades das ilhas. Tal tecelagem foi adquirida por outro grupo industrial em 1919, a Brasital S/A. Em 1923, as ilhas cedidas dez anos antes também foram incorporadas ao patrimônio do novo grupo. Com a construção da barragem e usina de Porto Góes, as ilhas passaram ao controle da Companhia Ituana de Força e Luz – que assumiu, em 1927, as obras iniciadas pela própria Brasital em 1924.

Uma paisagem romântica

Nos anos em que esteve nas mãos da Società Italo-Americana e da Brasital, o afloramento granítico que constituía a Ilha dos Amores – com uma configuração distinta da atual – recebeu coreto, chafariz e iluminação elétrica. Uma estreita e leve ponte de madeira foi construída, fazendo a ligação com a praça. No coreto, muito próximo à cachoeira, conjuntos musicais se apresentavam aos domingos, entretendo saltenses e visitantes que para cá se dirigiam.

Vista do coreto e parte da Ilha dos Amores, tendo ao fundo a barragem de Porto Góes, c.1930.


A grande enchente de 1929 destruiu a ponte que dava acesso à Ilha, sendo recuperada pouco depois pelo prefeito-interventor Major José Garrido, no início dos anos 1930, utilizando-se de trilhos ferroviários como pilares. Tal ponte resistiu até 1983, quando nova enchente de grandes proporções a carregou. A essa época, no espaço antes ocupado pelo chafariz, existia um mini-zoológico. Quando da subida das águas, na enchente de 1983, os animais que ali estavam foram resgatados às pressas. Em 1988, a Ilha dos Amores sofreu uma remodelação, assumindo os contornos externos vistos ainda hoje. Nessa mesma ocasião, nova ponte de acesso foi instalada – mais robusta e resistente à força das águas.

A enchente de 1929, com a Ilha ao centro.




Ponte de acesso à Ilha e parte do Jardim Público, 1949.


Ouça nosso podcast

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966