19 de junho de 2026

Prefeitos de Salto (1889 a 2026)

A história administrativa de Salto confunde-se com a própria evolução urbana e social do município. O cargo de chefe do Poder Executivo, inicialmente chamado de intendente e posteriormente de prefeito, foi instituído em 1889, juntamente com a Proclamação da República. Desde então, dezenas de homens conduziram a cidade, cada qual deixando sua marca no desenvolvimento local.

A Prefeitura Municipal funcionou no prédio da Rua Dr. Barros Júnior durante 56 anos, operando no local de 1922 a 1978. A transição para esse endereço ocorreu graças ao então prefeito José de Arruda Mello (o "Zé de Mello"), que comprou o casarão em 1921 para instalar ali o Paço Municipal. Já a saída definitiva aconteceu durante o segundo mandato do prefeito Jesuíno Ruy, que foi o responsável por inaugurar o novo e atual prédio da Prefeitura em 1º de fevereiro de 1978.


Os Pioneiros e o Grande Surto de Progresso

Os primeiros anos da República trouxeram à liderança nomes como Antônio Alves Cruz e Domingos José da Cruz, logo em 1889. Contudo, foi o engenheiro Dr. Francisco Fernando de Barros Júnior quem assumiu como o primeiro intendente oficial em 1890, recebendo a alcunha de "Pai dos Saltenses" por sua atuação heroica e benevolente durante a trágica epidemia de varíola que assolou a região, nos anos anteriores.

Nas décadas seguintes, Júlio Lopes da Silva Fragoso viu a então vila ser elevada à categoria de cidade (1906) e iluminada pela energia elétrica (1907). Pouco depois, Luiz Dias da Silva (que governou entre 1912-1916 e 1917-1918) foi responsável por um dos maiores surtos de progresso de Salto: implantou a rede de água e esgoto, construiu o Matadouro Municipal, a Cadeia Pública, o primeiro Grupo Escolar (Tancredo do Amaral) e a famosa Ponte Pênsil. Foi também em seu governo, no final de 1917, que "Salto de Ytu" passou a se chamar oficialmente apenas "Salto".







A Era Vargas e os Interventores

A Revolução de 1930 alterou a dinâmica política nacional e local. Com a queda da República Velha, prefeitos militares foram nomeados, destacando-se o Major José Garrido (1931-1932). Garrido impulsionou o calçamento a paralelepípedos da Rua 9 de Julho, criou o primeiro brasão e o hino da cidade, sendo lembrado como um grande amigo da população. Outro nome marcante da época foi Hilário Ferrari, imigrante italiano e comerciante que governou entre 1927 e 1930. Ele foi deposto pela Revolução, voltou ao cargo em 1938, mas o deixou meses depois porque o governo de Getúlio Vargas proibiu estrangeiros de exercerem cargos executivos.




O Pós-Guerra e a Expansão Urbana

Nas décadas de 1940 a 1960, a cidade vivenciou forte crescimento de infraestrutura. João Batista Ferrari, o "Tita" (1939-1945 e 1948-1951), destacou-se pela construção de diversas pontes sobre os rios Tietê e Jundiaí e pela instalação do Ginásio Estadual e da Escola Industrial. Em seguida, Vicente Scivittaro, o popular "Chinchino", governou em duas gestões (1952-1955 e 1960-1963), entregando obras fundamentais como a Maternidade Nossa Senhora do Monte Serrat e a Concha Acústica, além de lutar pela criação da Comarca de Salto. Seu sucessor, Joseano Costa Pinto (1964-1969), deu continuidade ao desenvolvimento focando na educação e na criação de inúmeras praças, como a Praça XV de Novembro.




A Frente Operária e a Industrialização

No final dos anos 1960, a política saltense inovou com o surgimento da Frente Operária, um movimento popular de trabalhadores sindicalistas que elegeu Jesuíno Ruy. Jesuíno governou por três mandatos (1969-1973, 1977-1983 e 1993-1996), inaugurando a primeira estação de tratamento de água do município em 1969 e, posteriormente, a polêmica segunda imagem no Monumento à Padroeira. Seu sucessor imediato, Josias Costa Pinto (1973-1977), focou na captação de novas indústrias de grande porte e na criação do Departamento de Água e Esgoto para modernizar o saneamento.


A Modernidade e o Século XXI

A transição para os anos 1990 foi marcada pela gestão de Eugênio Coltro (1989-1992), cuja administração deixou um legado cultural e ambiental profundo com a criação do Museu da Cidade, do Parque da Rocha Moutonnée e do Parque do Lago. No século XXI, a política saltense viu a alternância de gestores como Pílzio Di Lelli, Juvenil Cirelli e Laerte Sonsin Jr., além da figura de José Geraldo Garcia, que se consolidou como o primeiro chefe do Executivo a ser eleito para um quarto mandato na história da cidade (2005-2012, 2017-2020 e 2025-2028*).


*Projeção de mandato.


Conheça a biografia de alguns dos prefeitos de Salto:

Antônio Alves Cruz - Foi o terceiro intendente da história de Salto, embora seu mandato tenha sido um dos mais curtos já registrados. Ele governou a cidade por exatos três meses, entre 7 de janeiro e 6 de abril de 1899, em um período de forte transição política na Primeira República. Seu nome batiza uma das vias do Parque Residencial Marechal Rondon.

Domingos José da Cruz - Sucedeu Antônio Alves Cruz, governando de 6 de abril de 1899 até 7 de janeiro de 1902. Seu mandato foi extremamente turbulento devido às tensões sociais crescentes: a população travou duras brigas contra a diretoria das antigas fábricas Júpiter e Fortuna, que simplesmente bloquearam o acesso público à margem direita do rio Tietê, junto à queda d'água. Naquela época curiosa, Salto contava com apenas 250 eleitores, que votavam todos em uma única sessão.

Francisco Fernando de Barros Júnior (Dr. Barros Júnior) - O inesquecível "Pai dos Saltenses" nasceu em Capivari (SP) em 1856, cursou engenharia civil na Syracuse University (EUA) e chegou a Salto em 1880. Construiu a tecelagem Júpiter (1882) e foi um líder de muitos talentos: abolicionista fervoroso, deputado estadual, juiz de paz e fundador do primeiro jornal local, o Correio do Salto (1888). Na terrível epidemia de varíola de 1887, agiu como herói: montou lazaretos, comprou leitos, importou médicos da capital e chegou a marchar com a banda de música soltando foguetes nas ruas para afugentar o vírus e animar os doentes. Apesar de sua riqueza inicial, ele faliu nos anos seguintes. O primeiro intendente oficial da cidade perdeu sua fortuna, passou a andar humildemente guiando um carro de bois e, em um triste episódio, teve até o crédito negado ao tentar comprar um par de sapatos. Faleceu aos 62 anos, vitimado pela gripe espanhola, trabalhando como coletor de rendas federais.

João de Almeida Campos - Prefeito entre 1902 e 1904, vivenciou marcos importantes do desenvolvimento. Em junho de 1902, recebeu a primeira proposta para dotar a cidade de luz elétrica e deu início às lutas para construir o paço municipal e uma cadeia pública. A curiosidade mais fascinante de seu governo ocorreu quando a Câmara votou uma lei autorizando a doação municipal de cem mil réis para ajudar nas despesas das experiências espaciais de Santos Dumont, em Paris.

Júlio Lopes da Silva Fragoso - Completou o mandato do Dr. Barros Júnior e governou de 1906 a 1908. Foi exatamente sob sua liderança, em 19 de janeiro de 1906, que a então vila foi elevada oficialmente à categoria de cidade (embora ainda se chamasse "Salto de Ytu"). Foi em seu governo que a luz elétrica enfim foi inaugurada, em 1907. Registros mostram que Salto tinha então 6.000 habitantes, 700 casas, 13 ruas, duas praças e duas escolas isoladas.

Domingos Fernandes da Silva - Entrou para a história política por ser o primeiro a governar sob o sistema de vereador-prefeito, implementado em 1908, tendo mandatos entre 1908-1910 e 1911-1912. Em sua gestão, a municipalidade conseguiu uma imensa doação de terras do Estado, o que viabilizou a sanção da lei para construir o que futuramente seria o Grupo Escolar Tancredo do Amaral, em 1909.

José Nastari - Prefeito entre 1910 e 1912, esteve à frente da cidade no momento em que Salto começou a despertar seu potencial turístico organizado, recebendo a primeira proposta da gigante Società Ítalo-Americana para construir o mirante e dar forma ao lazer ao redor da cachoeira.

João Batista Cruz - Entrou para as curiosidades estatísticas da administração saltense: acredita-se que tenha sido o político que ocupou a cadeira do Executivo pelo menor tempo contínuo. Seu relâmpago mandato de prefeito durou meros 11 dias, indo de 28 de julho a 8 de agosto de 1912.

Luiz Dias da Silva - Nascido em Itu em 1875, governou em dois mandatos (1912-1916 e 1917-1918) e promoveu, possivelmente, o maior surto de progresso infraestrutural da história saltense na Primeira República. Foi ele o responsável direto por implantar a primeira rede de água e esgoto, construir o Matadouro Municipal, a Cadeia Pública, o serviço telefônico e a histórica Ponte Pênsil. Foi em seu governo (1917) que o nome da cidade perdeu o "de Ytu". Em 1952, um evento de grande comoção ocorreu na prefeitura para descerrar seu retrato em homenagem.

Regolo Salesiani - Nascido em 1871, foi possivelmente um dos primeiros imigrantes italianos natos a assumir uma prefeitura no Brasil. Governou no curto e calmo biênio de 1916 a 1917, no qual evitou fechamentos no largo da Matriz. Nos anos 1930, ele chegaria a participar ativamente do Fascio de Salto.

Luiz da Silva Leite - Conhecido popularmente como "Luizinho", governou entre 1917 e 1918. Em sua gestão, renovou contratos de eletricidade e presenciou a inauguração, feita pela colônia italiana local, de um monumento no cemitério dedicado aos irmãos Nerone e Raoul Begossi, mortos na Primeira Guerra Mundial. E sancionou, em 29 de dezembro de 1917, a lei que simplificou de vez o nome da cidade para "Salto".

José de Arruda Mello - O "Zé de Mello", antes escrivão da coletoria federal, governou de 1920 a 1926. Em sua longa gestão, Salto viu a imponente Vila Operária da Brasital e a usina de Porto Góes serem erguidas. Durante a violenta Revolução de 1924, enfrentou a escassez de alimentos e decretou o primeiro racionamento e tabelamento de preços de produtos básicos da história local. Em 1921, foi ele quem comprou a velha casa da rua Dr. Barros Júnior para instalar nela o Paço Municipal.

Teotônio Corrêa de Moraes - Comerciante de grande prestígio na época, assumiu a Prefeitura brevemente em 1923, mas sua figura foi central para manter a ordem legislativa; ele ocupava a presidência da Câmara Municipal de Salto bem no momento em que ela foi abruptamente dissolvida pela Revolução de 1930.

Hilário Ferrari - De origem italiana, fixou-se em Salto e fez fortuna com seu "Grande Bazar Saltense" (depois rebatizado como "Armazém Popular"). Muito ligado aos esportes e à sociedade (fundou a S.I.R. Ideal em 1927), foi vereador por quatro vezes. Sua carreira como prefeito foi uma montanha-russa: governou entre 1927 e 1930 até ser deposto pela Revolução, e retornou em 1938. Meses depois, foi forçado a abandonar definitivamente o posto, pois as leis do Estado Novo passaram a proibir estrangeiros de serem prefeitos no Brasil.

Hilário Ferrari

Major José Garrido - Interventor militar em 1931 e 1932, apesar do viés autoritário, ganhou a imensa simpatia da população como realizador. Em pouco tempo, ele calçou as vias a paralelepípedos, demoliu os antigos muros que cercavam o jardim público, abriu escolas, elaborou e oficializou o primeiro Brasão de Armas e o primeiro Hino Oficial de Salto.

Major Garrido no Jardim Público de Salto

Major Garrido em 1932

Francisco de Arruda Teixeira - O "Chiquinho" (prefeito de 1932-1935 e 1936-1938) governou a cidade durante o complexo fechamento das instituições democráticas rumo ao Estado Novo. Chegou a governar quase 20 meses seguidos sem nenhuma câmara de vereadores e conseguiu trazer para Salto uma fundamental agência da Caixa Econômica Estadual.

"Chiquinho", prefeito nos anos 1930

Lafayette Brasil de Almeida - Cidadão engajado e farmacêutico experiente, liderou o município entre 1935 e 1936. A principal marca urbanística de sua curta gestão foi a reformulação toponímica das vias do centro da cidade: foi ele o responsável, por exemplo, por mudar o nome da antiga "Rua de Campinas" para a atual "Rua 9 de Julho".

João Batista das Chagas - Teve uma passagem curiosa e rapidíssima pela liderança municipal, chefiando o Executivo de Salto após assumir por meio de uma pequena comissão por cerca de três meses durante o ano de 1936.

João Baptista Ferrari - Popularmente conhecido como "Tita Ferrari", foi um influente líder político e prefeito de Salto, em São Paulo, cuja administração marcou o segundo surto industrial do município. Membro de uma tradicional dinastia política local — sucedendo seu pai, Hilário Ferrari —, ele governou a cidade com uma visão desenvolvimentista focada na atração de grandes empresas. Sua principal marca administrativa foi a criação de leis de isenção fiscal que atraíram indústrias fundamentais para a economia saltense, como a Brasital e a Eucatex. Reconhecido por seu impacto duradouro no progresso e na infraestrutura urbana, seu legado permanece vivo na memória da cidade e é homenageado no nome de uma importante escola municipal de tempo integral, o Cemus X.

Tita Ferrari

João de Moura Campos - Coletor de impostos estadual e participante do Conselho Municipal de Geografia (1938), ocupou a prefeitura de abril de 1945 a dezembro de 1947. Um fato raríssimo: o rito de sua transmissão de posse ocorreu em São Paulo, nas dependências do Palácio do Governo, diante de uma gigantesca e animada caravana de moradores saltenses.

Vicente Scivittaro - O imensamente popular "Chinchino" (gestões de 1952-1955 e 1960-1963) modernizou as estruturas públicas saltenses. Ele desativou o antigo "Cemitério Velho", concebeu o loteamento do Jardim Três Marias, fez nascer o Ginásio Paula Santos, a Concha Acústica e inaugurou a Maternidade Municipal. Como coroação da sua vida pública, no exato último dia de seu segundo mandato, ele pôde celebrar a sanção da lei que finalmente criava a Comarca de Salto.

O popular "Chinchino"

Hélio Steffen - Natural de Indaiatuba, Hélio foi um intelectual multifacetado: locutor de rádio, ator teatral, professor e advogado. Seu mandato de 1956 a 1959 foi focado no social. Ele reestruturou o jardim central para abrigar a Concha Acústica, criou o sagrado Lanche Escolar das crianças, viabilizou a ETA e asfaltou a velha estrada de terra que ligava Salto a Itu. Ele ainda comprou uma imensa gleba do Parque Bela Vista, de onde germinaram creches, asilo e dezenas de casas populares. Faleceu em 1984.

Hélio Steffen

Joseano Costa Pinto - Prefeito entre 1964 e 1969, esse ex-ator e professor foi o "prefeito verde e organizador" de Salto. Batizou oficialmente mais de 90 ruas que antes eram conhecidas apenas por números, plantou centenas de árvores e criou grandes praças, como a XV de Novembro e a da Saudade. Sob seu governo, Salto ganhou o prédio da Estação de TV (retransmissora de sinal, antes necessária), a iluminação noturna a vapor de mercúrio e o icônico Restaurante do Salto no mirante da cachoeira. Faleceu em 1981.

Joseano, criador da Praça XV em 1968

Jesuíno Ruy - Consolidou-se como uma das figuras políticas mais marcantes da história de Salto ao chefiar o Executivo por três mandatos, despontando originalmente como o principal nome da Frente Operária, um movimento político-sindical de forte apelo popular que alcançou o poder em pleno regime militar para defender a classe trabalhadora. Em sua primeira gestão (1969-1973), demonstrou uma postura enérgica ao dispensar uma empreiteira morosa e utilizar pedreiros da própria prefeitura para acelerar e inaugurar a Estação de Tratamento e Filtragem de Água em 1969, além de viabilizar a construção do prédio do Clube Recreativo dos Trabalhadores Saltenses (CRETS), embora tenha enfrentado forte oposição da Câmara devido à polêmica cobrança de taxas de água em terrenos baldios. No segundo mandato (1977-1983), Ruy entregou grandes obras de infraestrutura e lazer, como o novo prédio da Prefeitura Municipal em 1978 e o imponente Monumento à Padroeira em 1980, cuja construção gerou severas críticas da população que sofria com constantes cortes de água no verão e considerava a imagem supérflua; nessa mesma época, ele expandiu a urbanização ao nomear diversas ruas com figuras históricas locais e chegou a articular com o governador Paulo Maluf uma nova ponte sobre o rio Tietê, que acabou barrada por disputas políticas. Por fim, em sua última passagem pelo Executivo (1993-1996), manteve o foco na organização urbana e cultural, marcada pela criação do Cineclube Anselmo Duarte e por grandes espetáculos como "A Cultura Saltense na Paixão de Cristo", ao mesmo tempo em que continuou a sancionar a nomenclatura de novas vias para preservar a memória do município.

Jesuíno em seu primeiro mandato

Eugênio Coltro - Chefe do Executivo entre 1989 e 1992, tinha origem operária (entrou na Brasital em 1949 e foi da chefia de escritório). Seu mandato foi responsável pelas maiores entregas turísticas, históricas e ambientais. Foi Coltro quem criou o Museu da Cidade, reabriu a interditada Ponte Pênsil, construiu moradias no "Jardim do Éden" e fundou o Parque do Lago e o Parque da Rocha Moutonnée. Faleceu aos 58 anos, meses após deixar o cargo, em 1993.


Veja a lista completa dos chefes do Executivo saltense:

Observações importantes: a repetição de anos na cronologia ocorre porque, entre o final do século XIX e o início do século XX, os chefes do Executivo eram nomeados de forma indireta pela Câmara Municipal, atuando inicialmente como membros do Conselho de Intendência. A partir de 1908, com Domingos Fernandes da Silva, teve início o sistema de "vereador-prefeito", onde os próprios vereadores se alternavam no comando, gerando mandatos interinos e altíssima rotatividade. Exemplos:

  • João Batista Cruz: registra o mandato mais curto da história de Salto, governando por meros 11 dias (de 28 de julho a 8 de agosto de 1912).
  • Antônio Alves Cruz: ocupou o cargo por exatos três meses na transição republicana (janeiro a abril de 1889).
  • João Batista das Chagas: chefiou o Executivo por meio de uma comissão por cerca de três meses em 1936.
  • Orestes Ferrari: mesmo já em um período democrático, governou por apenas cerca de 45 dias no final de 1951. Como vice-presidente da Câmara, ele assumiu o Executivo para cobrir uma licença na reta final do mandato.

Além do antigo sistema indireto, as décadas de 1930 e 1940 (Era Vargas) também geraram sobreposições anuais devido às nomeações e deposições abruptas de prefeitos e interventores estaduais, como as curtas passagens de Hilário Ferrari e do Major José Garrido.

  • Antônio Alves Cruz (1889)
  • Domingos José da Cruz (1889 a 1902)
  • Francisco Fernando de Barros Júnior (1890 a 1895 e 1905 a 1906)
  • João de Almeida Campos (1902 a 1904 e 1926 a 1927)
  • Júlio Lopes da Silva Fragoso (1906 a 1908)
  • Domingos Fernandes da Silva (1908 a 1910, 1911 a 1912 e 1919 a 1920)
  • José Nastari (1910 a 1911 e 1912)
  • João Batista Cruz (1912)
  • Luiz Dias da Silva (1912 a 1916)
  • Regolo Salesiani (1916 a 1917)
  • Luiz da Silva Leite (1917 a 1919)
  • José de Arruda Mello (1920 a 1923 e 1923 a 1926)
  • Teotônio Corrêa de Moraes (1923)
  • Hilário Ferrari (1927 a 1930 e 1938 a 1939)
  • Major José Garrido (1931 a 1932)
  • Francisco de Arruda Teixeira (1932 a 1935 e 1936 a 1938)
  • Lafayette Brasil de Almeida (1935 a 1936)
  • João Batista das Chagas (1936)
  • Ledubino de Aguiar Frias (1939)
  • João Baptista Ferrari (1939 a 1945 e 1948 a 1951)
  • João de Moura Campos (1945 a 1947)
  • Orestes Ferrari (1951)
  • Vicente Scivittaro (1952 a 1955 e 1960 a 1963)
  • Hélio Steffen (1956 a 1959)
  • Joseano Costa Pinto (1964 a 1969)
  • Jesuíno Ruy (1969 a 1973, 1977 a 1983 e 1993 a 1996)
  • Josias Costa Pinto (1973 a 1977)
  • Pílzio Di Lelli (1983 a 1989 e 2001 a 2004)
  • Eugênio Coltro (1989 a 1992)
  • João Guido Conti (1997 a 2000)
  • José Geraldo Garcia (2005 a 2012, 2017 a 2020 e 2025 a 2028*)
  • Juvenil Cirelli (2013 a 2016)
  • Laerte Sonsin Junior (2021 a 2024)
*Projeção do atual mandato.

17 de junho de 2026

História da ferrovia em Salto

A história da ferrovia em Salto teve início em 26 de novembro de 1870, quando os trilhos da Companhia Ytuana de Estradas de Ferro alcançaram as margens do rio Jundiaí, marcando o local da futura estação. A inauguração oficial do edifício, erguido na atual Praça Álvaro Guião sob a direção do mestre de obras João Garcia, ocorreu em 2 de abril de 1873, antecipando-se, curiosamente, à inauguração da estação da vizinha Itu.

Vista de Salto com a estação ferroviária em primeiro plano, 1929.

Naquela época, Salto era uma modesta povoação com menos de mil habitantes, mas a chegada do trem operou como um catalisador decisivo para a sua transformação industrial. O modal viabilizou a instalação pioneira de tecelagens nas imediações da cachoeira, como a fábrica "Fortuna" de José Galvão, em 1875, e a "Júpiter" de Barros Júnior, em 1882, além da Fábrica de Papel Paulista em 1889. O trem tornou-se a artéria vital para essas indústrias, escoando produtos e trazendo matérias-primas e o maquinário importado que ditaram a nova economia local.

Em 1914, a Estação de Salto passou a servir ao ramal de Campinas.  As pessoas faziam a viagem de Salto até Jundiaí nos trens da Ytuana. De lá iam à capital ou ao porto de Santos nos vagões da São Paulo Railway Company. Na foto, vê-se a retirada de fardos de algodão que à época eram transportados até as tecelagens em carroças puxadas por burros.

Além do forte impacto econômico, a ferrovia alterou profundamente a sociabilidade da cidade, em especial durante as tradicionais Festas do Salto, celebradas em louvor à Padroeira Nossa Senhora do Monte Serrat no início de setembro. A partir de 1876, a companhia ferroviária passou a disponibilizar trens especiais, operando em curtos intervalos e com tarifas reduzidas, para transportar o grande volume de ituanos e visitantes que afluíam para as festividades profanas e religiosas da cidade. Inicialmente, o desembarque na estação exigia que os passageiros atravessassem o rio Jundiaí a bordo de uma balsa para acessar o centro urbano, uma barreira superada apenas em agosto de 1888, com a construção de uma ponte de madeira projetada e financiada por Barros Júnior.

Planta da "Villa de Salto de Ytu" em 1889, já indicando a Estação e a ponte sobre o Jundiaí.


Estação Ferroviária de Salto, década de 1930.


Família Rigolin reunida na Estação Ferroviária de Salto no final da década de 1940. Ao centro, Pedro (Pietro) Rigolin com os filhos Carlito, Pedrinho e Eloy (à esquerda), e Agnelo e Libero (à direita). Postagem de Ana Ferreira no Facebook.

Foto da década de 1940. Contribuição no Facebook.


Construção da ponte de madeira sobre o Rio Jundiaí, 1939. Ao fundo, vê-se a Estação de Salto.


Eloy Rigolin, Terezinha Rigolin da Rós Tecchio e Luiza Cazarine Rigolin reunidos na Estação Ferroviária de Salto entre o final dos anos 1940 e início dos anos 1950.

O apogeu da Estação de Salto estendeu-se até a década de 1950, período em que o trem reinava absoluto no transporte de cargas e mantinha seis ligações diárias de passageiros com a capital paulista. A importância logística era tamanha que, em 1959, o pátio ferroviário contava com cinco desvios particulares direcionados a pedreiras locais e a grandes indústrias como a Brasital (com um desvio de quase 2 km), a Eucatex e a EMAS. A estação coordenava uma intensa e complexa movimentação diária: desembarcava fardos de algodão, celulose e bauxita, e exportava café, granito, artigos de couro do Cortume Telesi, vinho das vinícolas Milioni e Donalísio, além de dezenas de vagões carregados com chapas de fibra e óxido de alumínio.

Foto de 1981, com trens operando. Postagem de Ivan Prado no Facebook.


Anos 1980

Detalhe do portão da estação ferroviária de Salto, 1978. Foto de W. Rigolin.

O declínio do modal ferroviário começou a se desenhar com a expansão e melhoria da malha rodoviária paulista e das linhas de ônibus, culminando no encerramento definitivo do transporte de passageiros em 1976. Tendo operado sob a administração de diversas companhias ao longo de sua história – Ytuana, Sorocabana e, por fim, FEPASA –, a estação histórica foi desativada em 1987, quando a ferrovia ganhou um novo traçado fora do centro urbano, construído para além da Eucatex. Posteriormente, o icônico edifício foi ressignificado e passou a abrigar atividades educacionais e culturais, preservando na paisagem da praça a memória da era de ouro dos trilhos saltenses.


Fotos do ano seguinte à desativação da Estação de Salto, tiradas por Anicleide Zequini (abril de 1988):









Apropriação turística com o "Trem Republicano"

A desativação da malha ferroviária central na década de 1980 parecia ter encerrado em definitivo a relação de Salto com os trilhos, mas o patrimônio histórico foi resgatado por meio de um ambicioso projeto de turismo regional. Em dezembro de 2020, o leito ferroviário que conecta as cidades de Itu e Salto foi reativado com a inauguração oficial do Trem Republicano, um passeio turístico operado pela concessionária Serra Verde Express. O nome do atrativo faz uma linha direta de conexão com a Convenção de Itu de 1873, marco fundamental do movimento que culminou na Proclamação da República, oferecendo aos visitantes uma verdadeira viagem no tempo ao longo de um trajeto cênico de pouco mais de sete quilômetros. As composições contam com vagões temáticos que homenageiam personalidades históricas da região, como o próprio engenheiro e industrial saltense Barros Júnior, unindo o lazer à difusão da história local.

Essa nova vocação turística transformou o antigo complexo da Praça Álvaro Guião em um movimentado ponto de convergência cultural e de recepção de visitantes de todo o país. O prédio da antiga estação foi totalmente restaurado, preservando sua fachada original de 1898.


Tópicos importantes da história da ferrovia em Salto

  • A chegada dos trilhos da Companhia Ytuana em 26 de novembro de 1870 não significou a inauguração imediata do edifício que conhecemos na Praça Álvaro Guião, mas sim a fixação de um marco fundamental no local exato planejado para a futura estação. Nos primeiros anos após a abertura oficial em 1873, a jornada dos passageiros e o transporte de cargas enfrentavam um desafio geográfico considerável, pois o acesso ao centro urbano exigia a travessia do rio Jundiaí a bordo de uma balsa, operada exatamente no trecho que hoje corresponde ao final da Rua Monsenhor Couto. Esse obstáculo logístico só foi superado em agosto de 1888 com a instalação da ponte de madeira projetada e custeada pelo Dr. Barros Júnior, uma estrutura estrategicamente erguida pouco acima da ponte que existe nos dias atuais.

  • A intensa movimentação social gerada pelas Festas do Salto no século XIX ficou eternizada nas páginas da imprensa da época, revelando o papel da ferrovia na aproximação das comunidades locais. Um aviso histórico publicado no jornal Imprensa Ytuana, em 4 de setembro de 1881, detalhava com precisão a dinâmica da operação especial montada para os festejos da Padroeira, informando que no dia 8 de setembro os trens extraordinários correriam como de costume. Para a véspera, dia 7, o periódico anunciava um trem especial que partiria de Itu às 5 horas da tarde e regressaria de Salto durante a noite, iniciando sua viagem de volta pontualmente 15 minutos após um prolongado apito da máquina, convocando os ituanos para o embarque.

  • Durante a década de 1950, o transporte ferroviário atingiu seu auge de conectividade na região, oferecendo aos moradores de Salto uma rotina rigorosa e eficiente de viagens diárias com destino à capital paulista. A cidade contava com seis ligações diárias de passageiros, distribuídas simetricamente entre duas rotas principais que garantiam o fluxo contínuo de viajantes. Três dessas conexões partiam nos horários pontuais das 5h00, 11h00 e 18h00 via Jundiaí, onde era realizada a baldeação pelos trilhos da São Paulo Railway; as outras três saídas ocorriam via Mairinque, programadas para deixar a estação exatamente 30 minutos após as primeiras, mantendo com precisão os mesmos intervalos ao longo do dia.

  • A pujança industrial saltense no pátio ferroviário de 1959 ia muito além do transporte de grandes volumes de bauxita, algodão e celulose, englobando uma lista exaustiva de insumos que abasteciam o comércio local e fábricas como a Têxtil Assad Abdala e a Fábrica Picchi. Pelos trilhos desembarcavam mercadorias fundamentais como cimento, madeira, soda cáustica, bobinas de aço e botijões de gás, enquanto a pauta de exportação movimentava a economia regional com o escoamento diário de paralelepípedos, pedra britada e areia extraída diretamente dos leitos dos rios Jundiaí e Tietê. A eficiência desse sistema era traduzida em números expressivos pelas estatísticas da Eucatex, que registravam a saída média de impressionantes 10 vagões carregados de chapas de fibra por dia.

  • A trajetória institucional da Estação de Salto reflete as profundas transformações financeiras e políticas do setor ferroviário paulista, marcado por uma constante sucessão de fusões, falências e estatizações. A linha foi inicialmente organizada em 1870 por comerciantes, industriais e fazendeiros locais sob a bandeira da Cia. Ytuana de Estradas de Ferro, fundindo-se em 1892 com a Sorocabana para formar a Cia. União Sorocabana e Ytuana, que viria a falir em 1903. Após ser adquirida pelo Governo do Estado de São Paulo em 1905, a ferrovia passou pela gestão da concessionária estrangeira The Sorocabana Railway Company entre 1907 e 1919, retornou ao controle estatal direto como Estrada de Ferro Sorocabana e, em 1971, foi incorporada à estatal FEPASA (Ferrovia Paulista S/A), culminando na abertura de um novo ramal moderno em 1985 e na desativação definitiva da centenária estação central em 1987, quando os trilhos foram desviados para além da Eucatex.

Infográfico com a cronologia da ferrovia em Salto.

16 de junho de 2026

A trajetória de Maria de Lourdes Guarda

A análise historiográfica do catolicismo laico e dos movimentos sociais no Brasil ganha uma dimensão singular por meio da biografia da saltense Maria de Lourdes Guarda. Nascida em 22 de novembro de 1926, em Salto/SP, ela era filha de Innocêncio Guarda e Júlia Froner Guarda. Sua formação inicial reflete o panorama educacional e religioso das elites e da classe média do interior de São Paulo daquela época, tendo sido aluna interna no tradicional Colégio do Patrocínio, instituição pertencente às Irmãs de São José de Chambéry, na vizinha cidade de Itu. Em 1944, aos 18 anos de idade, ela já atuava no campo da educação, lecionando no Colégio da Congregação das Filhas de São José do Caburlotto, localizado em sua cidade natal. Nesse período da juventude, ela lecionou até os 20 anos e acalentava o projeto de ingressar no ambiente conventual na Congregação das Filhas de São José, mimetizando os passos de sua irmã que já havia aderido à vida religiosa, razão pela qual se dedicava intensamente às obras da Igreja. No entanto, o desenvolvimento de uma severa lesão na coluna vertebral, que lhe causava dores agudas e persistentes, alterou permanentemente o curso de sua biografia.


Maria de Lourdes Guarda (destaque) aos 18 anos, quando iniciou a carreira docente.

Maria de Lourdes já no leito hospitalar, após cirurgia, ainda bastante jovem.

Sob a perspectiva da história da medicina e da ortopedia em meados do século XX, o tratamento clínico da jovem saltense ilustra a complexidade e as limitações técnicas das intervenções cirúrgicas daquela época. Em 12 de agosto de 1947, ela foi submetida à sua primeira cirurgia na coluna, uma tentativa inicial que não obteve sucesso na eliminação dos sintomas dolorosos. Nos 5 anos subsequentes, seu prontuário médico registrou um total de 6 intervenções cirúrgicas consecutivas, que se configuraram como tentativas frustradas de restabelecer sua capacidade de marchar. O agravamento do quadro clínico manifestou-se por meio de complicações severas na coluna e pelo processo de gangrena em seu pé direito, o que impôs a necessidade cirúrgica de amputar a perna direita acima do joelho. Adicionalmente, a extração dos ossos dos quadris resultou na atrofia progressiva e na imobilidade total de sua perna esquerda. Para viabilizar sua sobrevivência física sem interromper de forma fatal a circulação sanguínea, foi desenvolvida uma armação de madeira protetora especial. Desse modo, ainda na juventude, ela viu-se completamente imobilizada em um leito, desprovida da capacidade funcional de sentar-se, uma vez que sua sustentação corpórea dependia de um gesso estruturado com uma canaleta nas costas, estendendo-se continuamente do pescoço até a altura do joelho.

Lourdes recebia inúmeras visitas, mesmo residindo no hospital.

Do ponto de vista socioeconômico e da micro-história do cotidiano hospitalar, a permanência da saltense nas instituições de saúde desafiou as convenções de passividade e dependência associadas aos pacientes crônicos do período, totalizando 49 anos de vivência em leitos hospitalares. Em agosto de 1972, ela completou a marca de 25 anos de internação contínua nas dependências do histórico Hospital Humberto Primo, popularmente conhecido como Hospital Matarazzo, localizado na cidade de São Paulo. Para manter sua autonomia financeira e arcar com os custos das diárias hospitalares daquela instituição paulistana, ela desenvolveu uma atividade econômica regular a partir do leito, confeccionando peças de tricô e bordados sob encomenda. O quarto número 259 do Hospital Matarazzo converteu-se gradualmente em um espaço de sociabilidade e de convergência intelectual e assistencial na capital, funcionando como um ponto de encontro e atração. O local reunia amigos e indivíduos de todas as classes sociais que buscavam auxílio para suas vulnerabilidades materiais e psicológicas, além de pessoas com deficiência que diariamente chegavam de vários pontos do país. De seu leito, ela operava uma intensa atividade de acolhimento, atendendo a frequentes telefonemas, realizando encaminhamentos institucionais com o apoio de uma rede de amigos e oferecendo palavras de conforto e ajuda material aos necessitados. Relatos documentais de seus contemporâneos enfatizam que, contrastando com o quadro de invalidez, ela exibia um semblante corado e olhos azuis brilhantes, sustentando publicamente o axioma de que nenhuma deficiência constituía um impedimento para a vida — posicionamento sintetizado em sua célebre afirmação de que havia deixado de andar, mas não de viver —, o que encontrava eco teológico na leitura da Segunda Epístola de São Paulo aos Coríntios, capítulo 12, versículo 9. Ademais, sua atuação política e social incluiu engajamento direto em movimentos voltados à preservação histórica e funcional da própria instituição de saúde onde residia, atuando para salvar o Hospital Humberto Primo da desativação.

Para se deslocar Brasil afora, Lourdes começou a utilizar uma Kombi que a levava na cama.


Em leito adaptado em um avião, em deslocamento de sua militância ativa pelos deficientes.




A inserção definitiva de Maria de Lourdes Guarda na historiografia dos movimentos civis e pastorais da América Latina consolidou-se por meio de sua liderança na Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência. Este movimento internacional, originado na França, foi formalmente absorvido por sua atuação militante no período de 1981 a 1992, intervalo de mais de dez anos no qual ela exerceu o cargo de coordenadora nacional da organização no Brasil, acumulando também a liderança da Fraternidade Cristã de Defesa de Deficientes. Apesar de suas severas restrições de mobilidade urbana, ela articulou redes de apoio logístico e, por meio da doação de passagens concedidas por uma empresa aérea, realizou extensas viagens de mobilização social, acomodada em sua maca, por diversas regiões do território brasileiro e por outros países do continente latino-americano. Essa atuação resultou na fundação direta de mais de 250 grupos da fraternidade em solo nacional, estabelecendo um novo paradigma de protagonismo, defesa de direitos e cidadania para as pessoas institucionalizadas ou portadoras de limitações motoras em uma época de intensa efervescência dos direitos civis.


Com irmão e cunhada, em foto de 1975.

O falecimento da liderança católica ocorreu em 5 de maio de 1996, na capital paulista, cidade onde passou a maior parte de sua existência. Nos últimos tempos de vida, ela havia sido transferida para outra instituição de saúde em decorrência do fechamento do Hospital Matarazzo. O estágio final de sua biografia médica revela o impacto do confinamento prolongado: ela já não possuía um dos rins, o pulmão direito encontrava-se inativo, sofria com um tumor na bexiga e enfrentava severas chagas dermatológicas nas costas causadas pela decúbito dorsal permanente, condições que não abalaram sua fé cristã ou sua energia interior. Inicialmente, o sepultamento ocorreu no Cemitério da Saudade, em sua cidade natal de Salto. Quinze anos após o óbito, em uma articulação que remonta a 1º de agosto de 2003, quando o padre canadense Paulo André L. Labrosse (então vigário da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat), e os cidadãos saltenses Francisco Antonio Moschini, Ettore Liberalesso e Pedro Rudine Tonello, juntamente com o ituano Roberto Machado Carvalho, protocolaram uma petição formal junto ao bispo diocesano dom Amaury Castanho. Assim, a Causa-Processo de Beatificação e Canonização foi introduzida na Diocese de Jundiaí. Como desdobramento desse procedimento jurídico-eclesial, em 30 de setembro de 2011, seus restos mortais foram exumados e transladados solenemente para a Igreja Matriz da Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, em Salto, sendo depositados em um altar localizado à esquerda do altar principal (foto a seguir), sob a designação canônica de Serva de Deus.


A evolução subsequente da causa junto à Santa Sé no Vaticano culminou no reconhecimento de suas virtudes heroicas, outorgando-lhe o título de
Venerável, restando o cumprimento das demais etapas regulamentares para a conclusão do processo de canonização. O impacto de sua trajetória na cultura local e nacional materializou-se em produções intelectuais e homenagens públicas. Sua biografia detalhada foi registrada no livro intitulado Um quarto com vista para o mundo, de autoria de Margarida Oliva e Guilherme Salgado Rocha, obra que serviu de substrato para o artigo analítico do jornalista Mauro Chaves, intitulado "O hino à força da vida", publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 5 de abril de 2003. No âmbito institucional do município de Salto, a memória da ativista foi perenizada pelo poder executivo em 14 de fevereiro de 2004, mediante a atribuição de seu nome à escola municipal de ensino fundamental Cemus IX. Atualmente, o procedimento jurídico e teológico concentra-se na fase de recepção de relatos de graças e comprovação de milagres por intercessão, centralizados administrativamente na Cúria Diocesana de Jundiaí.

Notícia no Estadão.

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