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28 de abril de 2026

A gênese de Salto e o legado de Tavares


Representação simplificada da realidade de Tavares em Cotia, produzida com IA.

O berço em Cotia


A fundação de Salto remete ao século XVII, na antiga aldeia de Koty (atual cidade de Cotia, próxima à capital paulista), onde a família Tavares consolidou sua influência. O patriarca, Capitão Diogo da Costa Tavares, foi uma figura de prestígio militar, tendo atuado na restauração de Pernambuco contra os holandeses. Ao retornar a São Paulo, estabeleceu-se às margens do Rio Cotia, onde fundou uma capela primitiva e iniciou a exploração das terras locais.

Seu filho, Antônio Vieira Tavares, expandiu esse patrimônio, tornando-se um influente sertanista e fazendeiro. Em Cotia, Antônio operava um modelo econômico baseado no controle de indígenas da etnia Carijó, cuja força de trabalho era voltada ao cultivo de trigo para abastecer as bandeiras. Sua propriedade gozava de uma posição estratégica: a confluência do Rio Cotia com o Caminho do Peabiru, tornando-se um vital entreposto logístico. Para legitimar seu domínio, Tavares ergueu em 1662 a capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, estabelecendo a estratégia de ocupação territorial que repetiria anos depois.

A Aldeia de Koty (Cotia) funcionou como um verdadeiro laboratório logístico e de poder para a família Tavares. Diferente das missões religiosas convencionais da época, o local se configurou como um núcleo de "índios de administração", mantidos sob a tutela secular e direta de Antônio Vieira Tavares.
A exploração e o controle absoluto dessa mão de obra nativa geravam tensões constantes. Documentos da Câmara de São Paulo, datados de 18 de junho de 1633, já registravam conflitos intensos entre os lavradores das terras de "Cuty" e os padres da Companhia de Jesus, evidenciando a afirmação do poder laico de Tavares frente à autoridade eclesiástica.
Geopoliticamente, o domínio territorial da fazenda era um grande trunfo. O local operava como um "pedágio" e entreposto de reabastecimento estratégico, pois ficava na confluência exata do Rio Cotia com o antigo Caminho do Peabiru — a milenar rota pré-cabralina que servia como a principal artéria de comunicação entre a Vila de São Paulo e o interior do continente. Após a partida de Tavares para o Sítio Cachoeira, o domínio político dessa importante região de Cotia foi repassado à família de Estevão Lopes de Camargo, no início do século XVIII.

 

Região de São Paulo no séc. XVII, com foco na transição de Cotia para o Sítio Cachoeira.



O Sítio Cachoeira


Por volta de 1690, Antônio Vieira Tavares transferiu seu centro de poder para o interior, fundando o Sítio Cachoeira às margens do Rio Tietê, em território próximo à Vila de Itu. A mudança foi acompanhada por sua primeira esposa, Maria Leite, e um grande contingente de familiares e escravizados.

A fundação de uma nova capela no local uniu a fé à necessidade prática. Debilitado por uma enfermidade, Antônio tinha dificuldades em atravessar as águas do Tietê para assistir às missas em Itu. Assim, em 1696, obteve a Provisão de Ereção para um novo templo. Com pragmatismo, ele transferiu os paramentos e objetos sacros da antiga capela de Cotia para a nova sede. Em 16 de junho de 1698, o vigário de Itu abençoou a capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, ato que marca a fundação oficial de Salto.

A consolidação do Sítio Cachoeira não derivou de uma ocupação espontânea, mas do rigoroso instrumento jurídico das cartas de sesmarias, que oficializavam a concessão de terras na América Portuguesa. A extensão desse latifúndio era monumental. Conforme descrito na escritura de doação de 1700, os limites originais começavam na barra do Rio Jundiaí, acima do salto, estendendo-se rio abaixo por meia légua de testada e uma légua de sertão, acrescidos de mais 550 braças de testada até alcançar os campos.
Em valores convertidos, sabendo que a légua de sesmaria equivalia a 6.600 metros lineares, a área total transferida à Igreja Matriz correspondia a impressionantes 2.178.000 metros quadrados, o equivalente a 90 alqueires paulistas ou a quase 218 hectares.
A dimensão formidável dessas terras permaneceu viva na tradição oral local. Em depoimento prestado em 1979, o antigo morador Zequinha Marques (1893-1981) relatou que as propriedades doadas pelo fundador englobavam desde a região do "Bananal" até as terras da "Boa Vista".

"Título de Ereção e Instituição da Capela": a autorização para a construção no Sítio Cachoeira. Esta é uma das páginas do documento redigido no ano de 1696.


Aspecto do "Monumento à Fundação", instalado em 2007 na Praça Antônio Vieira Tavares. Ao pé do conjunto de estátuas em bronze, elaboradas por Murilo Sá Toledo, lê-se: MONUMENTO À FUNDAÇÃO. Em 16 de junho de 1698, o Capitão Antônio Vieira Tavares e sua mulher, dona Maria Leite, fizeram benzer, pelo padre Felipe de Campos, a capela dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrat, erguida em seu Sítio Cachoeira. As terras, mais tarde doadas pelo casal à capela, vieram a constituir o território deste município. À memória dos fundadores e de sua iniciativa ergueu-se este monumento, como expressão do respeito e da gratidão do povo da cidade de Salto. 16 de junho de 2007.


Estratégia jurídica e a Escritura de Doação


Prevendo o fim de sua vida, Antônio arquitetou a perpetuação de seu domínio através de uma escritura de doação lavrada em 1700. O casal transferiu a propriedade integral do Sítio Cachoeira — terras, sede e trabalhadores (escravizados africanos e indígenas) — à própria capela.

Entretanto, o sertanista impôs limites estratégicos à doação, estabelecendo cláusulas de exclusão que mantiveram bens de liquidez e uso prático, como dinheiro, ouro, prata, cavalos, armas e roupas, fora do patrimônio religioso. Além disso, a escritura determinava que a posse definitiva dos bens pela capela só ocorreria após a morte de ambos os doadores e exigia a perpetuidade do templo naquele exato local geográfico, de frente para a exuberante queda d'água do Tietê, impedindo qualquer futura transferência da sede.

A perpetuação do domínio territorial e religioso no Sítio Cachoeira foi formalizada em 11 de dezembro de 1700, na então "Villa de Nossa Senhora da Candellaria de Itú-Guassú", em um documento extremamente minucioso: a "Escriptura de doação a Capella de nossa Senhora do Monserrate". Lavrado pelo tabelião Antonio Machado do Passo na própria residência do fundador, o manuscrito é um testemunho valioso das dinâmicas jurídicas e sociais da sociedade colonial.
O texto original descreve a transferência das terras, de "todo ogado", das "casas de moradas [...] que são de dous lanços com seus corredores, e quintal", e do controle sobre "todas as pessoas de gentios da terra, e escravos". O pragmatismo econômico do sertanista, contudo, é evidenciado pela salvaguarda rigorosa de seus bens de maior liquidez e importância tática, excluídos da doação e listados literalmente no manuscrito: "excepto dinheiro, ouro, prata emais fardas,como cavallos, espingardas, roupa branca".
A exigência de perenidade do templo é categórica, ordenando que se "conservasse a dita Capella para sempre no mesmo logar a paragem em que está sita". Além disso, a transferência da propriedade estipulava que a doação só valeria "por morte e fallecimento de ambos" (marido e mulher), impondo ao futuro administrador da capela a contrapartida de "mandar dizer húa missa cada mez pela alma dos ditos doadores".
Um último detalhe do manuscrito revela bastante sobre as estruturas de gênero e educação na América Portuguesa da época: a escritura aponta que, no momento de firmar o acordo diante das testemunhas, a doadora Maria Leite declarou "não se saber assignar", necessitando pedir ao próprio tabelião que o fizesse em seu nome.

Parte da "Escritura de Doação": documento de 1700.


Genealogia e sucessão


Antônio Vieira Tavares era filho de Diogo da Costa Tavares e Maria Bicudo. Após a morte de sua primeira esposa, Maria Leite (1704), casou-se com Josefa de Almeida, com quem teve cinco filhos, incluindo Frei Antônio do Monte Carmello e Frei Manoel Antunes, que seguiram a vida religiosa.

O capitão faleceu em 4 de dezembro de 1712. Com sua morte, a doação do Sítio Cachoeira foi consumada, garantindo que o templo permanecesse como o núcleo de desenvolvimento da futura cidade.

Antônio Vieira Tavares carregava em seu sangue uma linhagem de exploradores e militares profundamente enraizada na história colonial. Seu avô paterno, o português Fernão Vieira Tavares, aportou no Brasil em 1618 e ascendeu ao cargo de capitão-mor da Capitania de São Vicente em 1622. Seu pai, o capitão Diogo da Costa Tavares, estabeleceu-se em Cotia e casou-se com Maria Bicudo, união da qual Antônio nasceu como o sexto filho. A família ostentava uma forte tradição sertanista, visto que Diogo atuou ao lado de seu lendário irmão, o bandeirante Antônio Raposo Tavares — tio do fundador de Salto —, em expedições militares contra os holandeses no Nordeste entre 1639 e 1642.
No âmbito matrimonial, Antônio uniu-se primeiramente a Maria Leite, filha de Paschoal Leite Furtado e Mécia da Cunha. Ela o acompanhou na fundação do Sítio Cachoeira, porém faleceu em 3 de maio de 1704 sem deixar herdeiros. Cerca de um ano após o óbito da primeira esposa, o sertanista casou-se com Josefa de Almeida, filha de Manoel Antunes de Carvalho e Ana de Almeida. Foi desta segunda união que a descendência de Antônio se consolidou com o nascimento de seus cinco filhos: Manoel Antunes de Carvalho, Braz Carvalho Paes, Antônio, Francisco e Maria.
A sucessão da administração da recém-fundada capela, ocorrida após o falecimento do patriarca em 4 de dezembro de 1712, revelou a organização hierárquica e o pragmatismo da família. Documentos primários atestam que o filho mais velho, o capitão Manoel Antunes de Carvalho, batizado em homenagem ao avô materno, tornou-se o legítimo administrador do patrimônio religioso. Contudo, devido à sua ausência, ele nomeou legalmente seu irmão, o Capitão Braz Carvalho Paes, para exercer a função de zelar e ornar a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat e o Sítio Cachoeira. Braz ficou encarregado de cumprir a exigência inegociável da doação: mandar rezar uma missa mensal pela alma dos pais.
Os demais herdeiros trilharam caminhos diversos. Francisco seguiu a vida acadêmica e alcançou o título de mestre em Filosofia, enquanto Maria, a única filha mulher, uniu-se em matrimônio a um sargento de milícias da vila de Itu. Dois dos filhos, Antônio e Manoel, dedicaram-se à vida religiosa: Antônio tornou-se o Frei Antônio do Monte Carmelo, e Manoel tornou-se irmão da Ordem do Carmo. Quanto à viúva Josefa de Almeida, a documentação revela que ela contraiu um segundo matrimônio com Bento de Toledo Piza, falecido em 1713, vindo ela a falecer antes do ano de 1745.





Legado e memória


A capela original de taipa, construída por Tavares, resistiu por 230 anos, sendo demolida em 1928 para a construção da atual Igreja Matriz. Os restos mortais de Antônio Vieira Tavares, originalmente sepultados em Itu, foram transferidos para Salto em 1981. Hoje, ele repousa na cripta do Monumento à Padroeira, no Morro das Lavras, consolidado como a figura central da história saltense, graças ao trabalho de resgate documental de historiadores como Luiz Castellari.


Revisão historiográfica


Conforme demonstra o historiador John Manuel Monteiro em sua obra Negros da Terra, a economia colonial paulista no século XVII era intrinsecamente dependente da captura e exploração sistemática da mão de obra indígena. Longe do mito heroico de expansão territorial, as expedições bandeirantes visavam primariamente garantir a força de trabalho essencial para sustentar a produção agrícola comercial do planalto. A família Tavares atuou no epicentro dessa dinâmica: o patriarca Diogo da Costa Tavares participou ativamente das campanhas militares de apresamento junto a seu lendário irmão, Antônio Raposo Tavares, responsável pelas massivas investidas contra as reduções Guarani na região do Guairá.

A riqueza e a influência acumuladas por Antônio Vieira Tavares em Cotia e, posteriormente, em Salto, baseavam-se por completo nessa força de trabalho cooptada. Para contornar as proibições da Coroa e da Igreja contra a escravização dos nativos, os paulistas forjaram o artifício jurídico da "administração particular". Sob a fachada legal de tutores de indígenas "livres", os colonos exerciam controle absoluto e vitalício sobre essa população. Monteiro revela que tal arranjo era escravidão disfarçada, permitindo que os paulistas arrolassem as "peças do gentio da terra" em testamentos, dotes e escrituras de forma corriqueira. Eram, portanto, tratados como propriedade.

Esse embasamento historiográfico ilumina diretamente a materialidade da fundação de Salto. Ao firmarem a escritura de doação do Sítio Cachoeira em 1700, Antônio Vieira Tavares e Maria Leite transferiram explicitamente "todas as pessoas de gentios da terra" para a posse perpétua da capela. Foram esses "negros da terra", submetidos ao rigoroso regime de administração particular, os verdadeiros construtores das grossas paredes de taipa da capela primitiva e os produtores do excedente econômico que permitiu à família Tavares legitimar e perpetuar seu domínio territorial às margens do Rio Tietê.


Ao fundo, parte da capela primitiva, construída dem 1698. Foto de 1903.


Nos primeiros anos do século XX, a capela de 1698 ganhou uma torre.


16 de junho de 2017

Quem foi Tavares? As (in)certezas de um marco inicial

Considera-se como a data da fundação de Salto o dia da bênção da capela dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrat, ocorrida em 16 de junho de 1698. E o fundador, o capitão Antonio Vieira Tavares - então proprietário do sítio Cachoeira, cujas terras correspondem hoje a parte da cidade de Salto. Antes de falecer, Tavares fez a doação do sítio Cachoeira à capela por ele construída. E na escritura de doação, datada de 1700, fez constar que era vontade dele e de sua mulher, Maria Leite, que a capela permanecesse para sempre naquele local, onde hoje está a Igreja Matriz, sob a mesma invocação que a capela pioneira. À época, quem observasse o horizonte a partir daquele ponto teria vista privilegiada para a cachoeira – algo que se tornou impossível com a instalação das primeiras tecelagens, a partir de 1875.

O trabalho de recuperação da memória do fundador de Salto coube a Luiz Castellari [1], autodidata, autor de História de Salto, que empreendeu competente pesquisa, decifrando manuscritos do final do século XVII e início do século XVIII. Antes disso, pouco se sabia sobre a ocupação pioneira das terras à direita do Ytu Guaçu – o salto d’água no rio Tietê.

Nascido em meados do século XVII, Tavares vivia no sítio Cachoeira desde aproximadamente 1690, com sua mulher, alguns familiares e escravos. A propriedade fora obtida por duas escrituras de datas de cartas de sesmarias – uma forma existente, no Brasil colonial, para se tornar proprietário de terras. Para assistir missa aos domingos, na vila de Itu, Tavares e seus familiares tinham que atravessar o rio Tietê – e não há registro da existência de uma ponte ligando as duas margens nessa época. Além disso, nosso fundador alegava sofrer de grande moléstia – o que dificultava ainda mais o seu deslocamento.

Com base nesses argumentos, somados à sua devoção religiosa, solicitou formalmente às autoridades católicas que o autorizassem a construir em seu sítio uma capela dedicada à Senhora do Monte Serrat. Para tanto, pediu autorização também para usar os bens móveis de uma capela fundada por seu pai, Diogo da Costa Tavares [2], localizada em Cotia, hoje cidade da Grande São Paulo. A licença para construir a capela no sítio Cachoeira foi concedida em fins de 1696 e, em 16 de junho de 1698, o padre Felipe de Campos, a benzeu.

Passados dois anos e meio da bênção da capela, Tavares e sua mulher, Maria Leite, firmaram uma escritura de doação do sítio Cachoeira à capela de Nossa Senhora do Monte Serrat recém fundada, mas impunham algumas condições. Além da já mencionada localização da capela, que não poderia ser alterada, especificaram que a doação só seria consumada por falecimento de ambos, marido e mulher. Doariam ainda as peças de gentio da terra – como eram chamados os escravos índios – e demais escravos de origem africana. A casa na qual residiam também estaria entre os bens doados, excetuando-se apenas dinheiro, ouro, prata, cavalos, armas e roupa branca. E é sobre a localização dessa casa que paira um grande mistério. Em que ponto do sítio Cachoeira ela estaria localizada? Possivelmente próxima de onde se construiu a capela, embora não exista hoje nenhum vestígio material nem documento escrito que nos dê qualquer indicação. Vale lembrar que a capela construída por Tavares resistiu até 1928, quando foi demolida para que se construísse em seu local a atual Igreja Matriz, concluída em 1936.

Quando chegou ao sítio Cachoeira, Tavares era casado com Maria Leite, sua primeira esposa, filha de Paschoal Leite Furtado e Mécia da Cunha. Com ela, falecida em 3 de maio de 1704, não teve filhos. Cerca de um ano depois do falecimento da primeira esposa, o fundador de Salto casou-se com Josefa de Almeida, filha de Manoel Antunes de Carvalho e Ana de Almeida, do Rio de Janeiro. Desse casamento, nasceram: Antonio, que ficaria conhecido por frei Antonio do Monte Carmelo; Braz de Carvalho Paes; Manoel, que se tornou irmão leigo da Ordem do Carmo; Francisco, que foi mestre em Filosofia; e Maria, que se casou com um sargento de milícias de Itu.

Antonio Vieira Tavares faleceu em 4 de dezembro de 1712, sendo sepultado na capela mor da Igreja dos Franciscanos, em Itu. Em seu testamento, nomeou seu filho Braz Carvalho Paes como administrador da capela que ele havia construído em suas terras, assim como declarou deixar todos os seus bens, inclusive o próprio sítio Cachoeira, à referida capela. Seus restos mortais foram transferidos para Salto em 21 de junho de 1981 e desde então se encontram no interior da capela existente no Monumento à Padroeira, inaugurado no ano anterior, no bairro hoje denominado Jardim Itaguaçu.

Embora seja costume referir-se a Salto como “terra de Tavares”, em alguns círculos saltenses, é notório que não foram ele e sua gente os primeiros a ocupar a área onde hoje se localiza a cidade de Salto, que abrigava, ao início da colonização portuguesa na América, aldeamentos dos índios guaianás (ou guaianazes), do grupo Tupi-Guarani. Consta que a aldeia aqui localizada chamava-se Paraná-Ytu. Foram esses índios que deram à cachoeira o nome de Ytu Guaçu, que significa Salto Grande em língua nativa. Assim, fica claro que esta cachoeira acabou dando nome a duas cidades: a Salto (em português) e à vizinha Itu (em tupi-guarani).

Há registros que mencionam o ataque que, em 1532, os indígenas empreenderam contra Martim Afonso de Souza – primeiro donatário da Capitania de São Vicente. Dentre os líderes guerreiros, menciona-se o Cacique de Ytu. Sendo essa ocorrência de época em que a vila de Itu ainda não existia, acredita-se que seja uma referência ao chefe dos índios que viviam pelas terras da atual Salto. O Museu da Cidade, inclusive, exibe urnas funerárias, pontas de flechas e outros fragmentos de cerâmica recolhidos nos arredores, que testemunham essa presença. Esses indígenas, assim como outros das margens do Tietê, foram repelidos ou aprisionados nas investidas das primeiras bandeiras paulistas, que os levaram para abastecer de mão-de-obra as roças nas vilas do planalto.



A certidão de nascimento de Salto: o pedido de Tavares para construir a capela, no ano de 1696.
Transcrição preservando-se a grafia original:

Título de erecção e instituição da Capella de Nossa Senhora do Monserrate sita no termo desta villa no Sitio chamado Salto, e Cachueyra.

Translado da Provisão de ereção

                Muito Reverendo Senhor Doutor Visitador Geral Diz Antonio Vieyra Tavares morador em avilla de Ytú, que ele supp.te tem o sitio de sua habitação na paragem chamada Cachueyra, oqual fica distante da Villa húa Legoa, etem húa passagem de Rio, comque sua familia não pode acudir a Villa para ouvir Missa aos Domingos, edias Santos, e elle supp.te sofrer com grande molestia epor estas razoens, Com tão bem por sua devoção quer erigir no dito Sitio húa Igrejia com seu Adro com a invocação de nossa Senhora do Monserrate, para cuja fabrica aplicada os bens moveis da Capella da Acutia que por ordem de Vm.ce selhe entregarão por ser elle supp.te sucessor Legitimo do Fundador que (...) lhe faça mercê Conceder licença para erigir adita Igreja na sobredita paragem com seu Adro; assim mas de comissão do Reverendo Vigario para benzer como estiver feita.

________________

[1] Nascido em Salto em 1901, Luiz Castellari era filho do maestro Henrique Castellari, que dá nome ao Conservatório Musical de Salto. Luiz faleceu precocemente, aos 47 anos. Foi um de seus filhos quem doou ao Museu da Cidade de Salto, nos anos 1990, os originais de seu livro História de Salto e da pesquisa original, com todas as notas tomadas por seu pai, em diversos arquivos públicos e eclesiásticos. Tais textos, embora publicados apenas em 1971, por iniciativa do então prefeito de Salto, Jesuíno Ruy, foram concluídos em 1942. Luiz muito se esforçou por publicar sua pesquisa à época, sem, contudo, obter sucesso.
[2] Sobre o pai do fundador de Salto, um português, sabe-se que foi casado duas vezes, sendo a segunda com Catarina de Lemos, e que morou muito tempo em Cotia, onde faleceu em 1659. Participou, junto com o lendário irmão Antonio Raposo Tavares, de expedições visando expulsar os holandeses de Pernambuco e da Bahia, entre 1639 e 1642. É de se imaginar, portanto, que tenha se dedicado ao aprisionamento de índios para o trabalho escravo nos engenhos, como o irmão. Já Fernão Vieira Tavares, avô paterno do fundador de Salto, era português e chegou ao Brasil em 1618, tornando-se capitão-mor da capitania de São Vicente em 1622.


15 de junho de 2016

Tavares e a fundação de Salto

O capitão Antonio Vieira Tavares é considerado o fundador de Salto, por ter erguido a capela de Nossa Senhora do Monte Serrat no seu sítio, denominado Cachoeira, cujas terras correspondiam a parte do atual município de Salto. O fundador era sobrinho do famoso bandeirante Raposo Tavares, que provavelmente o levou a expedições pelo sertão.


Raposo Tavares, tio do fundador de Salto: bandeirante de fama

Tavares vivia no Sítio Cachoeira desde aproximadamente 1690 com sua mulher, Maria Leite, familiares e escravos. Para assistir missa na Vila de Itu tinham de atravessar o Tietê. Além disso, o capitão alegava sofrer de grande moléstia, que lhe dificultava os deslocamentos. Por isso, solicitou autorização da Igreja para erguer uma capela em seu sítio.

O documento no qual Tavares pede autorização para construir a capela.
Abaixo, a transcrição.

Título da Erecção e Instituição da Capella de Nossa Senhora do Monserrate Sita no termo desta Villa no Sitio chamado Salto, e Cachueyra. 
Traslado da Provisão da Erecção
"Muito Reverendo Senhor Doutor Vizitador Geral. Dis Antonio Vieyra Tavary morador em a Villa de Itu, que elle Suppte. tem o Sitio de Sua habitação na paragem chamada Cachueyra, o qual fica dystante da villa hua legua, e tem hua passagem de Rio, com que Sua família não pode acudir a villa para ouvir Missa aos Domingos, e dias Santos, e elle Suppte. o faz com grande modéstia; e por estas razoens, com tão bem por sua devoção quer erigir no dito Seu Sitio hua Igreja com seu Adão. Com a invocação de Nossa Senhora do Monserrate, para cuja família aplicar os bens moveis da Capella da (Acutia), que por ordem delle. Se lhe entregarão por Ser elle o Suppte. Sucessor legítimo do Fundador. Pello que pode [...] lhe faça mercê Conceder Licença para erigir a dita Igreja na sobredita paragem com seu Adão: afirmar de Com Missão do Reverendo Vigário para a benzer Como estiver feita. E receberá a mercê. Despacho. Passe Provisão na forma do estilo Villa de São Paulo: vinte e hum de outubro de mil seiscentos e noventa e sinco annos. Costa. Provisão! O Doutor Manoel da Costa Cordeiro Vizitador Geral das Villas, e Capitanias da Provinça do Sul, Juiz das Presidença e Casamentos pello Illustrissimo Reverendissimo Senhor Dom Joseph de Barros de Alonço por mercê de Deos, e da Santa Sé Apostólica Bispo do Bispado de São Sebastião do Rio de Janeiro, do Concelho de Sua Magestade Ma. Aos que Apresente Nossa Provisão Vierem donde e Paz para sempre em Jesus Cristo Nosso Salvador, que de todos he Verdadeyro Remedio e Salvação. Faremos saber, que hera descrito ao que o Suppte. nos Representou em Sua petição e havermos por bem lhe coceder, licença Como por esta presente lhe concedemos para que possa fazer a Igreja, que pela Invocação de Nossa Sra. do Monserrate; e depois de feita lavantar a Ata para de poder dizer Missa na forma que Se constara fazer nas mais Igreja, a qual Será Situada em lugar livre fora de toda a Constribuição, e serviço das casas de vivenda; codito Suppte.

A capela foi benzida em 16 de junho de 1698, data considerada como de fundação da cidade. Dois anos e meio depois, o casal firmou uma escritura de doação do sítio à capela. Essa doação somente se consumaria em 1712, com o falecimento de Antonio Vieira Tavares.


Área provável do Sítio Cachoeira, marcada sobre foto aérea de 2010, segundo descrições em documentos setecentistas.
Estudo do Prof. Elton Frias Zanoni.


12 de abril de 2010

Tavares e a fundação de Salto

Considera-se como a data da fundação de Salto o dia da bênção da capela dedicada a Nossa Senhora do Monte Serrat, ocorrida em 16 de junho de 1698. E o fundador, o capitão Antonio Vieira Tavares - então proprietário do sítio Cachoeira, cujas terras correspondem hoje a parte da cidade de Salto. Antes de falecer, Tavares fez a doação do sítio Cachoeira à capela por ele construída. E na escritura de doação, datada de 1700, fez constar que era vontade dele e de sua mulher, Maria Leite, que a capela permanecesse para sempre naquele local, onde hoje está a Igreja Matriz. À época, quem observasse o horizonte a partir daquele ponto teria vista privilegiada para a cachoeira.

O trabalho de recuperação da memória do fundador de Salto coube a Luiz Castellari [1901-1948], autodidata, autor de História de Salto, que empreendeu competente pesquisa, decifrando manuscritos do final do século XVII e início do século XVIII. Antes disso, pouco se sabia sobre a ocupação pioneira das terras à direita do Ytu Guaçu, como diziam os índios.

Nascido em meados do século XVII, Tavares vivia no sítio Cachoeira desde aproximadamente 1690, com sua mulher, alguns familiares e escravos. A propriedade fora obtida por duas escrituras de datas de cartas de sesmarias – uma forma existente, no Brasil colonial, para se tornar proprietário de terras. Para assistir missa aos domingos, na vila de Itu, Tavares e seus familiares tinham que atravessar o rio Tietê – e não há registro da existência de uma ponte ligando as duas margens nessa época. Além disso, nosso fundador alegava sofrer de grande moléstia – o que dificultava ainda mais seu deslocamento.

Com base nesses argumentos, somados à sua devoção religiosa, solicitou formalmente às autoridades católicas que o autorizassem a construir em seu sítio uma capela dedicada à Senhora do Monte Serrat. Para tanto, pediu autorização também para usar os bens móveis de uma capela fundada por seu pai, Diogo da Costa Tavares, localizada em Cotia, hoje cidade da Grande São Paulo. A licença para construir a capela no sítio Cachoeira foi concedida em fins de 1696 e, em 16 de junho de 1698, o padre Felipe de Campos a benzeu.

Passados dois anos e meio da bênção da capela, Tavares e sua mulher, Maria Leite, firmaram uma escritura de doação do sítio Cachoeira à capela de Nossa Senhora do Monte Serrat recém fundada, mas impunham algumas condições. Além da já mencionada localização da capela, que não poderia ser alterarada, especificaram que a doação só seria consumada por falecimento de ambos, marido e mulher. Doariam ainda as peças de gentio da terra – como eram chamados os escravos índios – e demais escravos de origem africana. A casa na qual residiam também estaria entre os bens doados, excetuando-se apenas dinheiro, ouro, prata, cavalos, armas e roupa branca. E é sobre a localização dessa casa que paira um grande mistério. Em que ponto do sítio Cachoeira ela estaria localizada? Possivelmente próxima de onde se construiu a capela, embora não exista hoje nenhum vestígio material nem documento escrito que nos dê qualquer indicação.

Maria Leite faleceu em 1704, não tendo nenhum filho com Tavares, que cerca de um ano depois do falecimento dessa primeira esposa se casaria novamente. A segunda esposa, Josepha de Almeida, lhe deu cinco filhos – dois dos quais se tornaram religiosos. Tavares faleceu em 4 de dezembro de 1712, sendo sepultado na capela-mor da Igreja dos Franciscanos, em Itu. Seus restos mortais foram transferidos para Salto em 1981, estando hoje depositados na capela do Monumento à Padroeira.

"Fundação da Vila de Salto de Itu", 1968. Projeto de painel não executado, de autoria da Flávio Pretti. Aquarela s/ papel. Acervo Museu da Cidade de Salto. Possivelmente seria instalado junto aos que existem ao lado da rampa que hoje dá acesso ao Memorial do Rio Tietê. Existem alguns anacronismos na indumentária e mesmo na torre da capela, instalada só no início do século XX.

Documento do início do século XVIII que traz a assinatura de Antonio Vieira Tavares (detalhe).

21 de janeiro de 2010

Antonio Vieira Tavares

O capitão Antonio Vieira Tavares, fundador de Salto, era o sexto filho do casal Diogo da Costa Tavares e Maria Bicudo. Nascido em Cotia/SP, era sobrinho do famoso bandeirante Antonio Raposo Tavares. Por volta de 1690 residia no então sítio Cachoeira, obtido por cartas-escrituras de sesmarias, cujas terras correspondiam ao que hoje é uma parte da cidade de Salto. As descrições presentes nos documentos de mais de trezentos anos situam a propriedade de Tavares nas terras da margem direita do rio Tietê compreendidas entre seus afluentes Jundiaí e Buru, avançando meia légua a montante a partir da foz de cada um desses rios.

Em 1695 Tavares dirigiu um ofício ao padre Manoel da Costa Cordeiro - que como visitador geral, representando o Bispo do Rio de Janeiro, se encontrava em Itu - no qual pediu licença para construir uma capela em louvor a Nossa Senhora do Monte Serrat. Em 21 de outubro do mencionado ano, Tavares recebeu a resposta afirmativa das autoridades eclesiásticas, dando início à construção do templo, cuja bênção foi dada pelo padre Felipe de Campos, de Itu, em 16 de junho de 1698 - data esta considerada como a de fundação de Salto.


Detalhe do Monumento à Fundação, tendo Tavares ao centro, na praça que leva o seu nome.
Trabalho de Murilo Sá Toledo, 2007.


Quanto chegou ao sítio Cachoeira, Tavares era casado com Maria Leite, sua primeira esposa, filha de Paschoal Leite Furtado e Mécia da Cunha. Com ela, falecida em 3 de maio de 1704, não teve filhos. Cerca de um ano depois do falecimento da primeira esposa, o fundador de Salto casou-se com Josefa de Almeida, filha de Manoel Antunes de Carvalho e Ana de Almeida, do Rio de Janeiro. Desse casamento, nasceram: Antonio, que ficaria conhecido por frei Antonio do Monte Carmelo; Braz de Carvalho Paes; Manoel, que se tornou irmão leigo da Ordem do Carmo; Francisco, que foi mestre em Filosofia; e Maria, que se casou com um sargento de milícias de Itu.

Antonio Vieira Tavares faleceu em 4 de dezembro de 1712, sendo sepultado na capela mor da Igreja dos Franciscanos, em Itu. Em seu testamento, nomeou seu filho Braz Carvalho Paes como administrador da capela que ele havia construído em suas terras, assim como declarou deixar todos os seus bens, inclusive o próprio sítio Cachoeira, à referida capela. Seus restos mortais foram transferidos para Salto em 21 de junho de 1981 e desde então se encontram no interior da capela existente no Monumento à Padroeira, inaugurado no ano anterior.

A praça localizada em frente da atual Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrat, construída no mesmo terreno da capela original, leva o nome do fundador de Salto desde 1934. O trabalho de resgate da memória de Antonio Vieira Tavares coube ao historiador saltense Luiz Castellari, que empreendeu competente pesquisa à época. Antes disso, pouco se sabia sobre o proprietário pioneiro das terras à direita do salto no rio Tietê.

Sobre o pai do fundador de Salto, um português, sabe-se que foi casado duas vezes, sendo a segunda com Catarina de Lemos, e que morou muito tempo em Cotia, onde faleceu em 1659. Participou, junto com o lendário irmão Antonio Raposo Tavares, de expedições visando expulsar os holandeses de Pernambuco e da Bahia, entre 1639 e 1642. É de se imaginar, portanto, que tenha se dedicado ao aprisionamento de índios para o trabalho escravo nos engenhos, como o irmão. Já Fernão Vieira Tavares, avô paterno do fundador de Salto, era português e chegou ao Brasil em 1618, tornando-se capitão-mor da capitania de São Vicente em 1622.

17 de dezembro de 2008

A capela como marco da fundação

A capela primitiva

O capitão Antônio Vieira Tavares, ao se instalar por volta de 1690 em seu Sítio Cachoeira, hoje território do município de Salto, quis construir “uma igreja com seu adro com a invocação de Nossa Senhora do Monte Serrat”, como consta na “Provisão de Ereção” do templo, documento de 1696. Dois anos mais tarde, em 16 de junho de 1698, o vigário da Vila de Itu, Felipe de Campos, visitou a capela já construída e, “achando-a mui decente e com todos os paramentos necessários para (...) se celebrar o sacrifício da missa”, a benzeu. Considera-se hoje essa data como sendo a de fundação da cidade de Salto.

No ano de 1700, Tavares e sua mulher, Maria Leite, firmaram em escritura pública a intenção de doar o Sítio Cachoeira com tudo o que nele havia, incluindo escravos negros e índios, para a “Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat”, acrescentando que era sua vontade que “se conservasse a dita capela para sempre no mesmo lugar”. A doação se consumou, tendo morrido Tavares por último, em 1712. A capela foi preservada até 1928, quando foi demolida para dar lugar ao prédio atual. Resistiu, portanto, por 230 anos.

Vista da capela primitiva e de seu pátio frontal. À esquerda, casa dos operários da fábrica Fortuna, c.1900.


A igreja atual

No início do século XX, a capela primitiva tornou-se pequena para Salto. A primeira pedra do novo templo foi assentada em fevereiro de 1928, sendo pároco o padre João da Silva Couto. Prontos os alicerces ao redor da velha capela, suas grossas paredes de taipa foram demolidas. Em várias ocasiões os operários das fábricas, especialmente da Brasital, consentiram que fosse descontado dos salários o equivalente a um dia de trabalho, em prol da construção. A nova igreja foi benzida e inaugurada em 1º de maio de 1936, fazendo-se o revestimento externo posteriormente. Foram responsáveis técnicos pela obra o engenheiro Paschoal Purcchio e o construtor João Scarano.


Atual prédio da Igreja Matriz durante sua construção, entre 1928 e 1936.


A primeira imagem (1698 – 1797)

Entronizada pelo capitão Antônio Vieira Tavares, quando da bênção da capela primitiva, pode ainda hoje ser vista no interior da Igreja Matriz, no altar lateral esquerdo.


A imagem incendiada (1797 – 1935)

Em fins do século XVIII, o padre ituano João Leite Ferraz, senhor muito rico e devoto de Nossa Senhora do Monte Serrat, encarregou-se de restaurar a capela original. Achava ele que a imagem que ali se encontrava era “pequena e sem estética” e desejava substituí-la por outra, “majestosa e digna de admiração”.

Em 1797, o ituano Francisco de Paula Leite de Barros, desejando se casar com Maria Joaquina de Campos, pediu a intervenção do padre, pois este era tutor da moça e amigo de sua família. Em troca desse favor, o padre achou que o pretendente deveria pagar-lhe uma penitência, e mandou-o ir à beira do tanque do Sítio Grande, no bairro do Piraí, e de lá trazer um tronco de cedro “de muito boas águas”, o que o jovem fez com grande esforço. Não contente, o padre o mandou buscar na Vila de Parnaíba (atual Santana de Parnaíba) um santeiro de fama na época, o mulato de nome Guilherme. Assim, o jovem Paula Leite trouxe o artista que esculpiu a segunda imagem de Nossa Senhora do Monte Serrat.

Mais de um século depois, na noite de 18 de janeiro de 1935, um curto-circuito na instalação da igreja em obras, na parte que funcionava como matriz provisória, provocou o incêndio que destruiu a imagem de 1797. O que restou foi a cabeça carbonizada, que se encontra hoje no Museu da Cidade de Salto. A Igreja da Candelária, em Itu, possui duas imagens feitas do mesmo tronco de cedro, uma Senhora do Rosário e um São Miguel Arcanjo.


A imagem atual (desde 1935)

Para substituir a imagem incendiada, a mesma família Paula Leite, de Itu, se reuniu e abriu um “livro de ouro”, angariando fundos para que fosse esculpida uma outra imagem, também em cedro. O trabalho ficou por conta do escultor S. Scopoli, e a nova imagem foi apresentada aos fiéis em setembro de 1935. É essa imagem que se encontra hoje no altar-mor da Igreja Matriz.


A imagem primitiva de fins do séc. XVII (1); a incendiada, de 1797 (2); e a atual (3), de 1935.

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