23 de julho de 2026

O pioneiro Luiz Castellari (1901-1948)

Luiz Castellari nasceu em Salto no dia 17 de abril de 1901, filho de Henrique Castellari e Luiza Isabel Chagas. Como o município ainda não contava com um grupo escolar formal, realizou seus primeiros estudos em uma das escolas isoladas da época. Em 21 de janeiro de 1922, casou-se com Santina S. Marcella, com quem teve quatro filhos: Norma, Hércules, Ludovico e João Francisco. Aprendeu o ofício da carpintaria com o pai e, mais tarde, tornou-se oficial marceneiro na fábrica de móveis Leone Ltda. Também atuou como comerciante, mantendo um estabelecimento na esquina da Rua 7 de Setembro com a Rua Dr. Barros Júnior, logo atrás da Igreja Matriz.

Durante a adolescência, estudou música com o pai, então regente da Banda Musical Saltense, corporação na qual Castellari tocou clarinete por muitos anos. Atuou como copista da banda e dedicou-se a ensinar música a diversos jovens. Integrou a Orquestra Itaguaçu desde a sua fundação, em 23 de abril de 1927, e participou de vários outros conjuntos musicais da cidade, além da Orquestra e do Coral da Igreja Matriz.

Fora do meio musical, cultivava o gosto por colecionar moedas, chegando a integrar a Sociedade Numismática Brasileira. Castellari teve também forte atuação comunitária: já envolvido com a conferência-mãe de Nossa Senhora do Monte Serrat, tornou-se sócio-fundador e primeiro presidente da Conferência de São Benedito (a segunda da cidade), em 28 de maio de 1933. Além disso, foi um dos sócios-fundadores da Sociedade Instrutiva e Recreativa (S.I.R.) Ideal, criada em 23 de abril de 1927.

Movido pelo desejo de preservar a memória local, dedicou longos anos a pesquisas para compilar a história de Salto em um único volume. Para isso, debruçou-se sobre as atas da Câmara Municipal desde a sua instalação e obteve cópias de leis estaduais que documentavam a evolução do local — da condição de povoado à freguesia, passando por paróquia, município e, finalmente, cidade.

Consultou o acervo do Museu de Itu e antigas coleções de jornais, mas sua fonte mais rica foi o Livro-Tombo da paróquia. Reescrito em 1918, o documento trazia preciosos detalhes sobre a construção da capela por Antônio Vieira Tavares. Na obra, Castellari também se esmerou em redigir a biografia do Dr. Fernando Francisco de Barros Júnior, concluindo seu monumental trabalho de pesquisa em abril de 1942. Foi dele, inclusive, a iniciativa de batizar a Praça da Matriz com o nome do fundador do município, o Capitão Antônio Vieira Tavares - homenagem oficializada em 9 de setembro de 1934, durante a gestão do prefeito Francisco Arruda Teixeira.

Luiz Castellari faleceu em 1º de agosto de 1948, sem realizar o sonho de ver publicado o livro que lhe custara tanto esforço. Sua obra só viria a público mais de duas décadas depois, graças a uma iniciativa do prefeito Jesuíno Ruy. Em 1970, numa segunda tentativa, o prefeito enviou à Câmara Municipal um projeto de lei solicitando autorização para o município custear a edição. Sem manifestação do Legislativo, o projeto foi aprovado por decurso de prazo, e a Lei nº 625 acabou sancionada em 17 de junho daquele ano.

Impresso na Gráfica Taperá, em Salto, o livro foi finalmente lançado um ano depois, no dia 16 de junho de 1971, em uma solenidade realizada na Biblioteca Pública Municipal.





Abaixo, reproduzimos documento da Câmara Municipal (Projeto 19/70) que traz a autorização para publicação de Luiz Castellari ser custeada pelo poder público:




Agradecemos ao vereador Chell Oliveira, também historiador, pelo envio do documento.


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