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11 de fevereiro de 2010

A Barra e seus bonecões

A vila da Barra – um conjunto de 30 casas para operários construídas pela antecessora da indústria têxtil Brasital, a Società Italo-Americana, entre os anos de 1911 e 1912, é o mais antigo dos conjuntos de casas para operários construídos em Salto ao longo da primeira metade do século XX. As casas estão localizadas às margens dos rios Jundiaí e Tietê, mais especificamente no cotovelo formado pela confluência das águas. O nome barra é sinonímia de margem [do rio]. Costuma-se dizer que há duas barras: a do Jundiaí e do Tietê. O conjunto mais antigo e significativo foi construído com as fachadas voltadas, em sua maior parte, para a barra do rio Jundiaí. As casas da barra do Tietê, num total de oito, mas em outro padrão, são posteriores (1945-1946).

Desde 1960, com curtos momentos de interrupção nos últimos vinte anos, os bonecões do Bloco da Barra constituem a principal marca do carnaval saltense de todos os tempos. A idéia de fazer um grupo de grandes bonecos para desfilar junto ao Bloco partiu de membros de uma antiga família saltense, os Jorge. Contudo, foi posta em prática por Álvaro Ribeiro, proprietário de uma carpintaria que funcionava num galpão nos fundos do antigo Hotel Brasil, cuja fachada ficava na Rua José Galvão.

Álvaro, que faleceu em meados de 1990, durante trinta anos, de maneira ininterrupta, dedicou-se a criar bonecões nos meses que antecediam o carnaval. No início, Álvaro teve como auxiliares os vizinhos Vicente Girardi, Wilson Cazzamatta e Pedro Alves - conhecido como Cascudo (veja as fotos abaixo). Conforme a tradição foi se consolidando, outros nomes se tornaram incentivadores desse trabalho: Manoel Dantas, Mário Effori e os ex-prefeitos Jesuíno Ruy, Josias Costa Pinto e Pilzio Di Lelli.

No carnaval de 1991, o primeiro após a morte de Álvaro Ribeiro, seu filho Francisco - popularmente conhecido por Tico Boca, também já falecido - teve a iniciativa de continuar a criar os bonecões para o desfile de rua, o que perdurou por algum tempo. Era intenção do descendente do precursor dos bonecões manter a prática, iniciada por seu pai, se não na família, ao menos no bairro. Hoje, a tradição é mantida por iniciativa da Prefeitura de Salto, que contrata artistas especialmente para criar os bonecões, desde 2005, e realiza um baile popular nas imediações da Barra.

Os precursores dos bonecões da Barra, em diferentes épocas. Da esquerda para a direita, acima: Álvaro Ribeiro e Vicente Girardi; abaixo, Wilson Cazzamatta e Pedro Alves.

30 de janeiro de 2009

A vila da Barra

A vila da Barra – um conjunto de 30 casas para operários construídas pela antecessora da indústria têxtil Brasital S/A, a Società per l'Esportazione e per l'Industria Italo-Americana, entre os anos de 1911 e 1912, é o mais antigo dos conjuntos de casas para operários construídos em Salto ao longo da primeira metade do século XX. Outros conjuntos foram a vila operária Brasital (situada no quadrilátero formado pelas ruas Rio Branco, Itapiru, 9 de Julho e Avenida D. Pedro II) e as casas de Porto Góes, situada nas proximidades da fábrica de Papel, para atender aos funcionários desta.

A Barra constitui um dos primeiros núcleos do gênero no estado de São Paulo. As casas estão localizadas às margens dos rios Jundiaí e Tietê, mais especificamente no cotovelo formado pela confluência das águas. O nome barra é sinonímia de margem [do rio]. Costuma-se dizer que há duas barras: a do Jundiaí e do Tietê. O conjunto mais antigo e significativo foi construído com as fachadas voltadas, em sua maior parte, para a barra do rio Jundiaí. As casas da barra do Tietê, num total de oito, mas em outro padrão, são posteriores (1945-1946). Diz a memória popular saltense que a relação com a fábrica era muito estreita, já que das casas era possível ouvir o apito da fábrica, distante apenas alguns quarteirões, que era tocado minutos antes do horário de entrada – tempo suficiente para que os operários saíssem das referidas casas e caminhassem rumo a tecelagem.

Casas da Barra do rio Jundiaí, 1912.

Casas da Barra do rio Tietê, construídas na década de 1940. Foto de 1983.

Barra do rio Jundiaí em 1940, já com o escorregador do Clube de Regatas Saltense, fundado em 1936.

Rio Jundiaí, em seu último trecho, antes de desaguar no Tietê: enchente de 1983.

O contraste de duas épocas: 1983 x 2008.


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