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10 de junho de 2026

Tancredo do Amaral: pioneiro da educação e da imprensa em Salto

A história do desenvolvimento educacional e cultural do interior paulista no final do século XIX confunde-se com a trajetória de figuras multifacetadas que uniam o rigor intelectual à paixão pelas transformações sociais. Entre esses nomes, destaca-se o do professor Tancredo Leite do Amaral Coutinho. Embora tenha nascido na capital do Estado, sua passagem pela cidade de Salto deixou marcas na educação, na política e na imprensa locais, consolidando um legado que atravessou o século e permanece vivo na memória do município.



Origens e chegada a Salto: o primeiro professor habilitado

Tancredo Leite do Amaral Coutinho nasceu na cidade de São Paulo. Filho do comendador Manoel Leite do Amaral e de Ana Josefa Gaudie Leroy do Amaral, pertencia a uma família paulista de prestígio, sendo sobrinho do Senador da República Dr. Aquilino do Amaral. Casou-se com Maria Luiza do Amaral, união da qual nasceram seus dois filhos, Floriano e Maria (Mariana) do Amaral Costa.



Sua formação inicial deu-se na Escola Normal da Capital, instituição de vanguarda na preparação de educadores no período final do Império. Diplomado, o jovem professor chegou a Salto em 1887, aos 21 anos de idade. Sua chegada foi um marco histórico para o município: Tancredo tornou-se o primeiro professor primário formalmente habilitado a lecionar na cidade, assumindo as aulas no único estabelecimento de ensino oficial que existia em Salto na época.


Dedicatória de Tancredo aos seus filhos em um dos livros publicados.


O pioneirismo na imprensa e o engajamento político

A atuação de Tancredo do Amaral em Salto rapidamente extrapolou os limites das salas de aula. Dotado de uma intensa vocação política e um idealismo característico do período pré-republicano, ele se uniu, ainda no ano de sua chegada (1887), ao Dr. Francisco Fernando de Barros Júnior. Juntos, os dois idealistas fundaram o Partido Republicano local.

Para difundir e dar voz aos ideais republicanos na região, a dupla fundou, em 1888, o Correio do Salto (também grafado como Correio de Salto). O periódico entrou para a história como o primeiríssimo jornal a circular no município, e Tancredo assumiu o papel de redator-chefe, utilizando a força da palavra escrita para debater os rumos da sociedade. Paralelamente, engajou-se na criação do histórico Clube Republicano 14 de Julho, integrando ativamente a sua diretoria.


Carreira pública na capital e resiliência política

Em 1890, logo após a Proclamação da República, Tancredo do Amaral transferiu sua residência de volta para São Paulo, cidade na qual iniciou uma sólida e ascendente carreira na administração pública estadual. Suas credenciais intelectuais e sua militância o levaram a ocupar cargos de alta relevância:

 

  • Oficial de gabinete: atuou no governo do presidente do Estado Bernardino de Campos, em 1891, e posteriormente na administração de Campos Salles.
  • Secretaria do Interior: foi nomeado primeiro-oficial da Secretaria do Interior no período em que o Dr. Carlos de Campos assumiu a pasta da Justiça.
  • Subdireção do almoxarifado: com a criação do Almoxarifado da Justiça, Tancredo foi nomeado subdiretor da repartição.

No entanto, a sua trajetória no funcionalismo público sofreu uma reviravolta ditada por suas convicções ideológicas. Diante de uma cisão interna no Partido Republicano, Tancredo optou por manter sua lealdade e dedicação aos seus companheiros de legenda, acompanhando o General Francisco Glicério. Ao assumir o posto de redator no jornal oposicionista A Nação, acabou sendo formalmente demitido e afastado de suas funções nas lides políticas do governo.

 

A reinvenção literária e o retorno ao magistério

O revés político abriu caminho para que Tancredo do Amaral se reinventasse e deixasse sua maior contribuição intelectual: a produção de livros didáticos. Dedicando-se à escrita, ele elaborou obras de grande sucesso pedagógico, tais como:

Essas obras obtiveram aprovação oficial e foram amplamente adotadas nas escolas públicas de todo o Estado de São Paulo.

Detalhes de obras publicadas por Tancredo entre o final do século XIX e início do XX.


Graças à sua reconhecida competência e operosidade, Tancredo retornou ao cenário educacional em grande estilo. Atuou como inspetor escolar em diversas cidades do interior paulista e, demonstrando inclinação pela modernização do ensino, colocou em prática ideias inovadoras — como a criação do pioneiro Gabinete de Identificação, iniciativa de grande repercussão na época. O ápice de sua carreira no magistério deu-se ao galgar o posto de Diretor Geral interino da Instrução Pública paulista, uma das posições mais importantes do ensino estadual.

 

A trajetória jurídica: promotor e juiz

Sempre incansável e em busca de novos saberes, Tancredo do Amaral decidiu abraçar as ciências jurídicas. Matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, bacharelando-se brilhantemente em 1906. Com o diploma em mãos, deixou voluntariamente os cargos que ocupava no magistério para ingressar nas carreiras da Justiça.

Inicialmente, atuou no Ministério Público como promotor nas comarcas de Capão Bonito, Batatais e Capivari. Posteriormente, ingressou na magistratura ao ser nomeado Juiz de Direito. Exerceu a função na comarca de Santa Isabel, onde se aposentou no ano de 1923, após somar 30 anos de relevantes serviços prestados ao Estado de São Paulo. Como magistrado, destacou-se pelo cumprimento rigoroso das leis, pelo combate à criminalidade e por sua integridade moral inabalável.

 

Intelectual, poeta e orador

Paralelamente às suas atribuições oficiais na educação e na justiça, Tancredo manteve uma efervescente vida cultural. Atuou como cronista teatral e secretário de redação do tradicional jornal Correio Paulistano. Foi membro ativo de importantes agremiações científicas e literárias, com destaque para o prestigiado Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP).

Como literato, escritor e poeta, deixou diversas produções e obras esparsas, algumas das quais permaneceram inéditas. Sua eloquência e erudição faziam dele um palestrante e orador público requisitado, tendo sido convidado para proferir discursos oficiais em recepções históricas de grandes figuras nacionais, como ao inventor Alberto Santos Dumont e ao diplomata Barão do Rio Branco.

  

Falecimento e homenagem em Salto

Tancredo do Amaral faleceu em São Bernardo do Campo no dia 23 de julho de 1928, aos 62 anos de idade. A causa de sua morte foi uma uremia, quadro decorrente de uma forte gripe que debilitou sua saúde.

Embora sua ausência física tenha sido sentida, sua consagração definitiva na cidade onde iniciou sua vida profissional ocorreu quatro anos após sua morte. Em 21 de abril de 1932, o 1º Grupo Escolar de Salto — estabelecimento de ensino pioneiro inaugurado no município em 1913 — foi oficialmente rebatizado como Escola Estadual Professor Tancredo do Amaral.

A fachada da Escola Estadual "Tancredo do Amaral" nos anos 1930.

Ao dar nome à instituição que celebrou seu centenário em 2013, o povo saltense imortalizou o educador, jornalista e jurista que, no final do século XIX, ajudou a plantar as sementes do progresso e do conhecimento na cidade.


Nota do Correio Paulistano quando do falecimento de Tancredo do Amaral, na edição do dia 24/07/1928 (transcrição):


DR. TANCREDO DO AMARAL

Falleceu hontem, em S. Bernardo, o illustre republicano historico, magistrado e jornalista

Finou-se hontem, ás 3 horas e meia, em S. Bernardo, onde residia, o sr. dr. Tancredo Leite do Amaral, juiz de direito aposentado e nosso antigo collega de imprensa.

Em tres ramos bem distinctos de sua actividade — no magisterio, no ministerio publico e na magistratura — o saudoso extincto houve-se sempre de modo a marcar o seu nome de justo apreço e admiração.


(Retrato do Dr. Tancredo do Amaral)

Mais de trinta annos de sua existencia foram consagrados aos serviços publicos, caracterizando sempre a sua actuação com um quinhão de grande criterio e operosidade.

O dr. Tancredo do Amaral fez os seus primeiros estudos no "Collegio Bentley" e depois os continuou no importante "Collegio Marins", onde foi collega do saudoso dr. Carlos de Campos, ao lado do qual, mais tarde, trabalhou successoramente nesta redacção durante 5 annos, já como critico theatral, já como encarregado da secção "Publicações", e, depois, mantendo durante muito tempo uma secção: "Homens datas". Formou-se pela Escola Normal em 1886, tendo sido discipulo de Julio Ribeiro, Silva Jardim, Monsenhor Passalacqua e do grande mathematico Godofredo Furtado. Orador da sua turma, em palacio, por occasião da entrega das cartas, foi-lhe offerecida pelo sr. commendador Mondim Pestana, em nome do presidente da Provincia, barão de Parnahyba, mais tarde conde do mesmo nome, a cadeira de Salto de Itu, villa industrial importante de sua terra natal. No dia seguinte foi o dr. Tancredo nomeado. Não escondendo as suas lutas republicanas, ou melhor, grande enthusiasta do novo regimen, o dr. Tancredo fundou em 1887, com Barros Junior, "O Correio de Salto" e o Partido Republicano local, com 5 eleitores. Depois redigiu successoramente a "Imprensa Ituana" e o "Commercio de Itú". Foi secretario do governo provisorio desta cidade, após a proclamação da Republica. Organizadas as Secretarias de Estado, foi nomeado 1.º official da Secretaria do Interior, onde permaneceu 6 annos. Dahi, em commissão, convidado pelo dr. Carlos de Campos, então secretario da Justiça, foi seu official de gabinete; depois, official de gabinete, tambem, do dr. Theodoro de Carvalho, secretario da Justiça e, depois, do mesmo, como secretario da Agricultura. Foi ainda, interinamente, official de gabinete interino do dr. Bernardino de Campos — em sua primeira presidencia, em 1892, substituindo o dr. Alvaro de Toledo. Tendo vindo a S. Paulo, por essa época, o sr. Gaston Donnet, redactor do "Temps", de Paris, afim de visitar a nossa zona cafeeira, o dr. Bernardino escolheu o sr. Tancredo para o acompanhar e prestar-lhe informações, pois o sr. Donnet não conhecia o nosso idioma. No livro que depois publicou, o illustre jornalista francez salienta o grande auxilio que lhe prestou o dr. Tancredo do Amaral.

Na imprensa da capital trabalhou o illustre extincto cerca de 15 annos, collaborando em quasi todos os jornaes, notadamente, n'"A Platéa", no "Diario", na "Gazeta do Povo", no "Jornal da Tarde" e outros. Foi secretario d'"A Nação", o grande diario que teve como redactor-chefe o sr. Herculano de Freitas. Depois exerceu o cargo de inspector escolar 8 annos. Foi inspector geral interino do ensino publico mais de uma vez. Publicou seis ou oito obras didacticas, principalmente sobre historia e geographia.

Na administração policial do dr. Antonio de Godoy, foi o primeiro director do "Gabinete Anthropometrico", hoje Gabinete de Identificação. Foi socio fundador do "Instituto Historico de São Paulo" e correspondente de Instituto Brasileiro. Teve a honra de fazer parte de uma das commissões de geographia do Instituto de S. Paulo, com Theodoro Sampaio e Orville Derby, o grande scientista que de um modo tão tragico terminou a existencia no Rio de Janeiro.

Formando-se em direito em 1906, o dr. Tancredo do Amaral exerceu primeiramente as funcções de promotor publico de Caconde e Batataes, sendo mais tarde nomeado juiz de direito de Santa Izabel, em cujo cargo se aposentou.

O sr. Tancredo do Amaral deixa viuva a sra. d. Maria Luiza do Amaral Coutinho e uma filha, a sra. d. Mariza do Amaral Albuquerque, esposa do sr. Benedicto Ferreira de Albuquerque, director do grupo escolar de São Bernardo.

Era irmão do sr. capitão Juvenal Amaral, advogado do nosso fôro; Nicanor do Amaral, commerciario em Santos; Raul Amaral, do alto commercio daquella praça, e do sr. Americo do Amaral, funccionario da Secretaria da Camara dos Deputados.

 

Recorte de jornal com o obtuário acima transcrito.

 

Nota sobre o tombamento do prédio que leva o nome de Tancredo: 

O tombamento definitivo da Escola Estadual Professor Tancredo do Amaral, em Salto, foi oficializado em 2010 pelo CONDEPHAAT por meio da Resolução SC 60, de 21 de julho de 2010, culminando um longo processo protocolar de preservação que havia sido iniciado em 1986 sob o número 24929/1986. O registro oficial da salvaguarda foi inscrito no Livro do Tombo sob o nº 377 (páginas 103 a 110) em 5 de setembro de 2011, garantindo a proteção jurídica e física da rica arquitetura e da memória institucional daquele que foi o primeiro grupo escolar do município.

Fundada em 1913, a instituição representou um marco educacional para a região ao reunir inicialmente oito escolas isoladas, recebendo mais tarde o nome atual em homenagem a Tancredo Leite do Amaral Coutinho, o primeiro professor formalmente diplomado a lecionar na cidade. Para além de seu papel pedagógico, o edifício carrega uma profunda relevância na história de Salto por ter sido transformado em um hospital de emergência temporário em 1918, servindo como ponto crucial de acolhimento e saúde pública para a comunidade local durante a devastadora epidemia da gripe espanhola.

29 de setembro de 2010

Tancredo do Amaral, patrono de uma escola que completará seu centenário em 2013

Dada a proximidade do centenário da mais antiga escola em atividade em nossa cidade – o que se verificará em 2013 – talvez seja importante salientar algumas informações a respeito de seu patrono. Embora com passagem efêmera por nossa cidade, o professor Tancredo do Amaral marcou por ser o primeiro professor formalmente habilitado para tal ofício a lecionar aqui, numa época em que Salto ainda era politicamente ligada a Itu. Foi também, ao lado do Dr. Barros Júnior, o fundador do primeiro jornal que aqui circulou, o Correio do Salto, fundado em 1888. A seguir, apresentamos alguns dados gerais sobre a história da unidade de ensino mencionada e, ao final, um resumo biográfico do patrono.

Quem foi Tancredo do Amaral?

Pioneirismo – A atual Escola Estadual Professor Tancredo do Amaral foi criada por meio de decreto estadual em 20 de outubro de 1913, sob a denominação Grupo Escolar de Salto de Ytu, e iniciou suas atividades no dia 28. Em sua origem, reuniu oito escolas espalhadas pelo município e criou mais duas classes, totalizando 407 matrículas em seu primeiro ano. Contudo, a inauguração oficial, com a presença da diretoria de ensino à qual Salto estava sujeita à época, deu-se apenas em 13 de maio de 1914. A escola funcionou com apenas um período de aulas por dois anos. Em 29 de abril de 1915 passou ao regime de dois períodos, e de 21 de maio de 1934 em diante funcionou nos três períodos.

O projeto – O terreno em que escola foi construída, entre 1911 e 1913, era de propriedade de Domingos Fernandes da Silva. A Prefeitura o adquiriu e o doou ao Governo Estadual em 1910, ficando esse responsável pela obra. A instalação do Grupo Escolar de Salto foi acompanhada de mais outras nove iniciativas pelo Estado de São Paulo afora, em projetos que ficaram conhecidos como Tipo Faxina, em referência à atual cidade de Itapeva. Tratava-se da implantação de escolas a partir da mesma planta, com fachadas reelaboradas por diversos arquitetos. Em Salto, o projeto foi assinado por José Van Humbeeck e Manuel Sabater. E a construção foi iniciada sob o comando de Augusto do Amaral e concluída sob a supervisão de Lupércio Borges. As outras localidades contempladas foram: Faxina (atual Itapeva), Jardinópolis, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Rita do Passa Quatro, Dois Córregos, Serra Negra, Cruzeiro, Itararé e Bebedouro.

História – Em 1918, durante a epidemia de gripe espanhola, o prédio da escola abrigou doentes, servindo como uma espécie de hospital de emergência. No ano seguinte, foi desinfetado e pintado. Até 1936, quando se instalou na cidade o Colégio Sagrada Família, o Tancredo era a única escola primária de Salto. Desde 1950 abrigou o Ginásio Estadual, que em 1962 passou a funcionar em prédio próprio. Em 1960, Salto ganhou sua segunda escola pública – o 2º Grupo Escolar – que hoje recebe o nome de E. E. Prof. Cláudio Ribeiro da Silva.

Bem cultural – Sendo a mais antiga escola da cidade, a E. E. Prof. Tancredo do Amaral é vista hoje como um elo afetivo que une diversas gerações de saltenses que passaram por seus bancos. Em virtude disso, encarando-a como bem cultural, em 29 de julho de 2002 sua preservação foi legalmente assegurada por meio de tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico e Artístico do Estado – CONDEPHAAT, em conjunto com outras 123 escolas paulistas construídas na Primeira República (1889-1930).


Tancredo Leite do Amaral Coutinho, ou simplesmente Tancredo do Amaral – como ficaria conhecido – nasceu na cidade de São Paulo em 18 de fevereiro de 1866. Era filho do Comendador Manuel Leite do Amaral e de Dona Josefa Gaudie Leroy do Amaral. Um de seus tios, Dr. Aquilino do Amaral, foi Senador pelo Estado de Mato Grosso. Tancredo casou-se com D. Maria Luísa do Amaral, tendo com ela dois filhos: Floriano e Marina do Amaral Costa.

Depois de fazer o “curso de humanidades”, Tancredo matriculou-se na Escola Normal da Capital, onde se diplomou. Logo depois, em 1887, foi nomeado professor primário em Salto – ainda nos tempos do Império. Aqui fundou, no mesmo ano, o Partido Republicano, juntamente com o Dr. Francisco Fernando de Barros Júnior. E no ano seguinte, o jornal Correio do Salto – repetindo a parceria política, já que a publicação era uma folha de propaganda do partido. Foi redator-chefe do referido periódico e também fez parte da diretoria do Clube Republicano 14 de Julho, fundado em Salto também naqueles anos.

Ao se transferir para São Paulo, Tancredo exerceu de início o cargo de Oficial de Gabinete do presidente Bernardino de Campos. Organizadas as quatro secretarias de governo, em 1891, foi nomeado 1º Oficial da Secretaria do Interior. Quando o Dr. Carlos de Campos assumiu a pasta da Justiça, na administração Campos Salles, foi escolhido para ser seu Oficial de Gabinete. E ao ser criado o Almoxarifado da Justiça, foi nomeado subdiretor dessa repartição. Por ocasião da cisão do Partido Republicano nos anos seguintes, Tancredo do Amaral acompanhou o General Francisco Glicério e assumiu o posto de redator de A Nação, órgão do Partido Republicano Federal. Isso lhe custou a demissão do cargo que então exercia, devido à luta política em que fortemente se empenhou.

Afastado da política, não se acomodou. Escreveu diversos livros didáticos, entre os quais O Livro das Escolas, Geografia Elementar, História de São Paulo ensinada pela biografia de seus vultos mais notáveis e O Estado de São Paulo, todos aprovados oficialmente e adotados nas escolas públicas. Tancredo foi ainda nomeado Inspetor Escolar, chegando a ser interinamente Diretor Geral da Instrução Pública do Estado.

Deixando os cargos que exercia no magistério, Tancredo do Amaral, após se diplomar em 1906 pela Faculdade de Direito do Largo São Francisco, entrou para o Ministério Público, tendo sido promotor das cidades de Capão Bonito, Batatais e Capivari. Entrando para a Magistratura, foi Juiz de Direito da Comarca de Santa Isabel, lugar em que se aposentou em 1923, indo residir em São Bernardo do Campo.

Tancredo foi por algum tempo redator, cronista teatral e secretário da redação do jornal Correio Paulistano. Também fazia parte de várias associações científicas e literárias, tendo sido membro do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Escritor, deixou várias obras esparsas, algumas inéditas, como uma coletânea dos melhores versos da língua portuguesa, várias conferências e discursos. Faleceu em 23 de julho de 1928, aos 62 anos.

Nota: Seria de suma importância, com a chegada do centenário, que a comunidade da Escola Estadual Tancredo do Amaral refletisse sobre a possível doação, ao Museu da Cidade de Salto, de toda a documentação que existe referente aos primeiros anos de seu funcionamento – a exemplo do que já ocorreu com os livros de matrículas da extinta Escola Anita Garibaldi (1931-1968). Trata-se do destino correto e esperado de toda a documentação que se refere à história local.

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