A atual Rua 9 de Julho, num passado remoto, era popularmente chamada de Rua ou Estrada de Campinas, pois cortava a então pequena vila de Salto de sul a norte, desembocando na estrada rumo a Campinas. Oficialmente, chamou-se Rua 15 de Novembro desde a Proclamação da República até 1910, quando seu nome foi alterado para Rua Ruy Barbosa, em referência a um dos políticos brasileiros de maior destaque no início do século XX.
Em junho de 1935, um ato do então prefeito de Salto, Lafayette Brasil de Almeida, trocando o nome de algumas ruas centrais da cidade, rebatizou a popular Rua de Campinas como Rua 9 de Julho, em alusão à Revolução Constitucionalista de 1932. A Revolução de 32 foi um movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo que tinha por objetivo a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas, no poder desde 1930, e a promulgação de uma nova Constituição para o Brasil. Foi uma resposta dos paulistas à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia desfrutada pelos estados brasileiros durante a vigência da Constituição de 1891.
Ao longo de sua história, a Rua 9 de Julho figurou sempre como uma das principais vias públicas de Salto. Comércios tradicionais situavam-se ao longo desta via, tais como bares, casas de secos e molhados, a primeira delegacia e cadeia e as primeiras farmácias da cidade. A Rua 9 era também o trajeto rotineiro dos cortejos fúnebres, que a subiam em direção ao Cemitério da Saudade, na Vila Nova.
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Trecho inicial da Rua 9 de Julho, 1940. |
Já o espaço que marca o início da Rua 9, o Largo Paula Souza, foi um dos primeiros logradouros públicos de Salto a ser batizado, em meados do século XIX. Trata-se de uma homenagem a Francisco de Paula Souza e Mello (1791-1851), político ituano durante o Império, com projeção no cenário nacional. De fins do século XIX até 1946, o Largo abrigou um coreto. Foi ao redor dele que a população saltense se reuniu para comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, como pode ser visto em foto.
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Festa em comemoração ao fim da II Guerra Mundial, no Largo Paula Souza, 1945. |
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Coreto do Largo Paula Souza, c.1935. |
Esse mesmo local abrigará em breve, após a remodelação do Largo Paula Souza, o Monumento aos Taperás – marco que fará alusão a um dos símbolos de Salto – as aves denominadas taperás. Parentes próximas das andorinhas, essas aves de coloração pardo-acinzentada e peito e abdome brancos eram abundantes especialmente nas imediações da cachoeira que dá nome ao nosso município, e faziam das fendas das pedras existentes às margens do rio Tietê seu local de repouso. Viajantes europeus do século XIX mencionaram em seus livros a existência de grande quantidade dessas aves, que foram gradativamente afastadas pela poluição no final do século XX.
Sob um painel, a ser instalado brevemente no Largo, se encontrarão preservados exemplares dos ladrilhos que compunham a calçada dos primeiros quarteirões da Rua 9 de Julho (deste Largo até a Avenida D. Pedro II), que foram fabricados pelo industrial italiano, radicado em Salto, Biággio Ferraro. Os ladrilhos são à base de cimento, cascalhos de granito vermelho de Salto e pedras de fundo de rio rachadas à força de marteladas. Datam de 1931, época em que era prefeito de Salto o major José Garrido, responsável também pelo calçamento dos primeiros quarteirões da Rua 9 de Julho com paralelepípedos.