A IMIGRAÇÃO ITALIANA
Antes de 1860, a península itálica estava dividida em vários pequenos Estados, em geral fracos e dominados por outras potências europeias. A ideia de que a Itália devia formar um só país vinham de longe, mas foi somente no século XIX que ela ganhou força e se completou.
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O gradativo processo de unificação da península itálica: 1860-1870 |
A unificação não melhorou a vida do povo italiano. A crise agrícola de 1880 afetou profundamente as pequenas propriedades, que não suportavam a pesada carga de impostos do governo e não conseguiam competir com a produção agrícola de outros países. A injustiça social, acompanhada de um governo ineficiente, lançava as famílias ao desencanto.
Para muitas famílias italianas o sonho de superar as dificuldades vividas na terra natal passou a ser representado pela expressão “fazer a América”. E assim, muitos italianos atravessaram o Oceano Atlântico e aportaram no Brasil, cheios de esperança. Estima-se que, entre homens, mulheres e crianças, o total tenha ultrapassado um milhão e meio de pessoas.
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Os emigrantes, de Antônio Rocco, c. 1910 |
A CULTURA CAFEEIRA
Diante da necessidade de mão-de-obra barata para a manutenção da lavoura do café, o estado de São Paulo foi o centro da imigração europeia para o Brasil. Dos 4 milhões de estrangeiros que entraram no Brasil entre 1886 e 1934, 56% vieram para São Paulo. Enquanto os alemães preferiam ir para o Sul e os portugueses para o Rio de Janeiro, os italianos fizeram de São Paulo o seu lugar. Quase 2 em cada 3 italianos que imigraram para o Brasil vieram para São Paulo, sendo a maioria esmagadora dirigida aos cafezais.
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A colheita, de Antônio Ferrigno, 1903 |
Por volta de 1890, grande número de famílias italianas se instalou nas lavouras de café existentes no bairro denominado Buru, em Salto – uma região que, à época, se estendia desde a margem direita do córrego do Ajudante e do rio Tietê até as divisas do município de Salto, tendo no meio o próprio rio Buru, que nomeava a essa vasta área.
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A então vasta área rural saltense, em mapa de maio de 1931, de autoria do imigrante Henrique Castellari. |
OS ITALIANOS EM SALTO
A então Vila de Salto de Ytu, situada entre as regiões cafeeiras de Itu, Campinas e Jundiaí, era um local bastante modesto em fins do século XIX. Contudo, tornou-se um exemplo significativo da força da presença italiana em solo brasileiro. Nos primeiros anos do século XX, era grande o número de italianos que chegava à região de Salto. No ano de 1905, por exemplo, o contingente de naturais da Itália que aqui instalados passava de 3000, quando a população saltense era de aproximadamente 4200 habitantes.
As primeiras levas de italianos começaram a chegar a Salto por volta de 1890 – tempo em que ainda eram pouco numerosas as propriedades rurais e se encontravam vastas áreas cobertas pela mata virgem. Valendo-se dessas terras inexploradas e de baixo custo, nelas se fixaram muitas famílias de imigrantes recém chegadas da Itália ou saídas das fazendas de café dos municípios vizinhos ou áreas próximas.
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Sítio Fundão, da família Quaglino, c. 1901 |
O BAIRRO DO BURU
Uma família de imigrantes trouxe da Itália a primeira imagem de Nossa Senhora das Neves, propagando o culto na região do Buru. Desde o final do século XIX se promoviam novenas, sempre no mês de agosto, que eram encerradas com a procissão da referida imagem. Desde esse tempo festas populares eram realizadas com o intuito de se arrecadas fundos para a construção de uma capela. A capela hoje existente já é a segunda construção e data de 1938.
As famílias Rocchi, Di Siervo, Zambon, Bethiol, Pauli, Pitorri, Bolognesi, Cortis, Ognibene, Zanoni, Gianotto, Vallini, Quaglino, Ferrari, Stecca, Santinon, Matiuzzo, Bernardi, Gilberti, Bergamo, Nicácio, Mosca, Fiori - dentre outras - estiveram ligadas à história de ocupação do bairro do Buru e adjacências, bem como aos trabalhos religiosos na capela de Nossa Senhora das Neves.
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João Ivo Stecca, esposa e filhos - uma família do Buru, c. 1940 |
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Capela de Nossa Senhora das Neves, padroeira do Bairro do Buru, em foto da década de 1970. |
Nota: este texto fez parte da exposição sobre o mesmo tema que figurou na Festa Ítalo-Saltense de 2010, realizada na Praça XV de Novembro.