16 de outubro de 2009

Industriais pioneiros

José Galvão
José Galvão de França Pacheco Júnior, nascido em Itu em 19 de janeiro de 1834, foi o pioneiro da indústria têxtil em Salto. Iniciou a construção de sua fábrica em 1873 - mesmo ano da chegada da ferrovia, com a instalação da estação de Salto - inaugurando-a em 1875 e dando-lhe o nome de Fortuna. Instalado na margem direita do rio Tietê, próximo à cachoeira, o empreendimento de Galvão tinha 1.240 metros quadrados de área construída. A localização nesse ponto não era casual: o potencial energético das águas foi aproveitado com a instalação de uma turbina à água, posteriormente convertida em elétrica. Na comunidade saltense que então se avolumava no final do século XIX, muito em virtude dos braços trazidos para trabalharem em seu empreendimento, Galvão era figura de destaque. Faleceu em 30 de março de 1889 e seu nome, anos mais tarde, foi dado à rua que, até 1908, se chamava Rua da Estação, no centro de Salto.


A construção de maior destaque, ao centro, é a fábrica Fortuna.

Barros Júnior
Filho de senhor de engenho, Barros Júnior nasceu em Capivari, em 1856, e estudou engenharia civil nos Estados Unidos. Formado, retornou ao Brasil e fixou-se em Itu, em 1879, e logo assumiu posição de destaque no seio do Partido Republicano daquela cidade. No ano seguinte iniciou seus investimentos em Salto, inaugurando sua tecelagem em 1882, a segunda em Salto, nomeando-a Júpiter. Até o final da década de 1880, por diversas vezes entrou em disputa com José Galvão, por questões envolvendo seus empreendimentos aqui instalados. Embora pioneiro na indústria, obteve maior destaque como político. Abolicionista, foi vereador em Itu e deputado estadual. Em Salto, foi subdelegado de polícia, intendente, presidente da Câmara e juiz de paz. Durante a epidemia de varíola de 1887, que atingiu toda a província de São Paulo, Barros Júnior notabilizou-se em Salto, também atingida pelo contagioso “mal das bexigas”. Com seu auxílio foram construídos três lazaretos. Barros Júnior foi o principal batalhador pela criação do município de Salto em 1890, com território desmembrado de Itu. Mesmo tendo vendido sua fábrica, Barros Júnior continuou a viver em Salto e a participar da política. Foi também responsável pela ampliação territorial do município, tornando parte das terras da margem esquerda do rio Tietê, antes pertencentes a Itu, área do município de Salto. Até 1907 participou da Câmara local. Em 1918 faleceu, aos 62 anos, vítima de gripe espanhola.

José Weissohn
Em 1898 o engenheiro José Weissohn, vindo da Itália, adquiriu os prédios das duas tecelagens pioneiras, instaladas por José Galvão e Barros Júnior na margem direita do rio Tietê, que desde 1890/91 já haviam sido incorporados por empresas de maior porte. Apesar de já em 1904 ter transferido todo esse patrimônio à Società per l'Esportazione e per l'Industria Italo-Americana, Weissohn continuou em Salto como um dos diretores na sociedade. Residiam, ele e sua família, no chalé da gerência, uma bela edificação à frente da antiga Júpiter. Entre os anos de 1911 e 1913, Weissohn foi um dos elementos que esteve à frente das negociações entre os industriais e o povo, juntamente com o poder público da época. A iniciativa visava resolver o problema de acesso ao porto das Canoas - local piscoso, cujo acesso fora impedido pelos industriais que incorporaram aos seus domínios uma via pública que cortava os prédios das tecelagens e ia até a margem do rio. A solução encontrada foi a construção de uma ponte pênsil, num abismo então existente na margem direita, entre a pedra grande e a pedra alta, ao lado dos prédios da antiga fábrica Fortuna.

José Revel
Vindo da Itália como conselheiro-delegado da Società Italo-Americana, em 1909, José Revel era o maior acionista da empresa, que além da fábrica de Salto tinha outras na Argentina e no Chile. Quando o domínio acionário passou às mãos de outro grupo, em 1º de novembro de 1919, dando origem à Brasital S/A, Revel foi o primeiro presidente da empresa, permanecendo nesse posto até 1923. Pode-se atribuir o crescimento vigoroso da Brasital em seus primeiros anos, especialmente em Salto, aos seus esforços. É de sua época a aquisição das quatro quadras de terreno nas quais seriam construídas as 244 casas da vila operária Brasital. Não é por acaso que uma das ruas que corta as referidas quadras recebeu o nome de José Revel, que viveu em Salto por quase 15 anos.

Um comentário:

mariana disse...

eu naum só gostei do rexto mas sim ....da construção de maior destaque, ao centro, é a fábrica Fortuna.adorei tudo q esta no texto maravilhoso...

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966