13 de março de 2009

Jesuítas e a escultura de Anchieta em Salto

A Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas, é uma ordem religiosa fundada em 1534 por um grupo liderado pelo militar basco Inácio de Loyola. A ordem surgiu num momento de conflitos dentro do cristianismo, com a reforma protestante questionando a Igreja Católica Romana.

Nesse contexto, os jesuítas propunham obediência total à Igreja Romana e pretendiam ampliar o número de seguidores do catolicismo por meio da catequese de povos que eles consideravam pagãos, por terem outras crenças ou religiões. A partir disso, muitos membros da Companhia de Jesus se instalaram em áreas da América e da Ásia.

Em 1549 chegaram ao Brasil os primeiros missionários jesuítas. O grupo pioneiro, que tinha como superior o padre Manoel da Nóbrega, colaborou com Tomé de Sousa na fundação da cidade de Salvador e criou o Colégio da Bahia. Em 1553 foi criada a Província Jesuítica do Brasil, mesmo ano da chegada do padre José de Anchieta. Gradativamente, os jesuítas estenderam sua presença por outras capitanias – inclusive São Vicente – instalando um colégio nos campos de Piratininga, em 1554, considerado marco da fundação da cidade de São Paulo.


O mistério da aldeia perdida

Em 1553, antes mesmo da fundação de São Paulo, o padre Manoel da Nóbrega, superior dos jesuítas no Brasil, estabeleceu uma aldeia para catequese dos índios no interior do continente. Ela foi batizada de Maniçoba (palavra que, na língua indígena, significa folha ou pé de mandioca). A aldeia durou menos de um ano, sendo abandonada devido a ataques de índios ou brancos hostis, doenças ou outro motivo.

O grande mistério é a localização exata de Maniçoba, que ainda hoje motiva debates. Antigos textos dizem que Nóbrega caminhou “trinta e cinco léguas pelo sertão adentro”, desde o litoral, até alcançar “um rio donde embarcam para os carijós” (somado a outras evidências, considera-se que seja o rio Tietê). Isso localizaria a aldeia na região compreendida entre Itu e Porto Feliz. Surgem, como possibilidades já cogitadas, o Porto Góes, aqui logo abaixo da cachoeira de Salto, o antigo Araritaguaba (atual Porto Feliz), ou ainda os arredores da cidade de Itu. De qualquer forma, a misteriosa aldeia de Maniçoba é um testemunho sobre a antiguidade da presença colonizadora européia nestas terras.


José de Anchieta, o apóstolo do Brasil


"José de Anchieta", obra de Murilo Sá Toledo (2008)

José de Anchieta [1534-1597], representado em escultura existente no Complexo Cachoeira (foto acima), nasceu em Tenerife, nas Ilhas Canárias, Espanha. Ainda garoto, ingressou na Companhia de Jesus, onde desenvolveu formação cultural e religiosa. Desde cedo se interessou por literatura. Escreveu contos, poemas, sermões e textos dramáticos. Expressava-se em latim, português, espanhol e tupi. Anchieta chegou ao Brasil em 1553, na comitiva do governador-geral Duarte da Costa. Em 1554, ao lado do padre Manoel da Nóbrega, fundou o colégio que se tornaria a cidade de São Paulo, tendo inclusive participado ativamente de sua defesa quando da invasão dos índios tamoios. Participou também da expulsão dos franceses do Rio de Janeiro, em 1567. É de sua autoria a primeira gramática da língua tupi, publicada em Coimbra, em 1595. Faleceu em Reritiba (hoje Anchieta), no Estado do Espírito Santo. Tornado beato pela Igreja Católica, caminha para a canonização, sendo conhecido como Apóstolo do Brasil.

O naufrágio do padre

No ano de 1568 o padre José de Anchieta passou por nossa região, como língua (intérprete) de uma expedição em direção ao interior da então capitania de São Vicente, utilizando-se do rio Tietê. Em determinado trecho encachoeirado a canoa na qual o padre estava virou, sumindo diante da força das águas. Instantes após o incidente, os tripulantes todos emergiram, exceto Anchieta, que permaneceu submerso por longo tempo. Diante disso, um índio de nome Araguaçu decidiu mergulhar a procura do padre, acabando por retirá-lo das águas. Diz a lenda que Anchieta foi encontrado no fundo do rio, sentado numa pedra, calmamente lendo seu livro de orações. O local do acidente foi batizado de Avaremanduava, que significa “lugar onde o padre naufragou”, e localiza-se logo abaixo da cidade de Porto Feliz.


Quadrinhos do artista Rodrigo Schiavon, com textos meus, representando a lenda do naufrágio de Anchieta, 2008.

4 de março de 2009

Dr. Henrique Viscardi (1858-1913) - parte 2

Na semana passada falamos neste mesmo espaço da vivência de Henrique Viscardi na Itália e de sua passagem pela África. Interessa-nos, agora, o período em que ele esteve em Salto, iniciado em 1902. Ele para cá veio com uma função pré-determinada: chamado pelo dr. José Weissohn – industrial italiano estabelecido com suas fábricas às margens do rio Tietê – para assumir a “chefia do serviço sanitário” daquelas tecelagens. Na prática, Viscardi prestava toda a assistência médica necessária aos operários de Weissohn. Várias são as fotos do acervo do Museu da Cidade de Salto na qual posam Viscardi, Weissohn e demais diretores das tecelagens existentes no início do século XX.

Viscardi envolveu-se, ainda, no tratamento da ciática e do reumatismo, dando continuidade aos trabalhos pioneiros no combate a esses males a partir dos métodos introduzidos pelo casal Segabinacci, italianos, também em Salto. Logo que chegou, o médico viveu no Hotel Saturno. Tempos depois se mudou para um casarão de pedra, existente até hoje, no qual funciona a biblioteca pública municipal, na Rua Monsenhor Couto. Bem quisto por toda a população saltense daqueles tempos, era chamado de “médico dos pobres” ou “médico das flores”.

Amante da música, não foram poucas as ocasiões em que o médico trouxe de Itu músicos e cantores para as festividades da padroeira, Natal e Semana Santa, arcando ele próprio com os custos. Foi dele a iniciativa pioneira em constituir um coro e orquestra para a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Monte Serrat. Em foto de 1903, é possível vê-lo junto a nomes que, anos mais tarde, teriam destaque no cenário musical saltense, tornando-se maestros: casos de Henrique Castellari [1880-1951] e José Maria Marques de Oliveira [1890-1981] – o Zequinha Marques – que na foto aparece com 13 anos de idade.


Zequinha Marques (1), Henrique Castellari (2) e Henrique Viscardi (3). Coro e orquestra da Matriz, 1903.

No referido casarão, Viscardi vivia com uma antiga empregada sua, com a qual teve dois filhos, falecidos com menos de dois anos de idade e antes dele próprio: Antônio Virgílio e Antônia, seus nomes. Estão enterrados em túmulos de mármore branco, cercados por grades de ferro, ao lado do túmulo do pai. Em 1913, quando da morte de Viscardi, uma multidão acompanhou seu enterro, que se deu no então Cemitério Novo, na Vila Nova, hoje denominado Cemitério da Saudade. Em seu túmulo, que ainda hoje recebe flores, lê-se um epitáfio em língua italiana: “Nesta sepultura que é a expressão da dor e da admiração de todos, está mudo e frio o coração do dr. Henrique Viscardi, médico insigne, que era todo caridade e que cessou de palpitar no dia 13 de dezembro de 1913”.




Saltenses em cortejo levam o corpo do dr. Henrique Viscardi ao então “Cemitério Novo”, 13.12.1913.

27 de fevereiro de 2009

Dr. Henrique Viscardi (1858-1913) - parte 1

Figura que desde 1930 dá nome a uma importante rua de nossa cidade, o médico italiano Henrique Viscardi nasceu em 1858 na cidade de Milão. Sua biografia pode ser dividida em três momentos principais: vivência na terra natal, passagem pela África e permanência no Brasil, especificamente em Salto. Este último momento, que se iniciou em 1902, será abordado apenas na próxima semana.

Uma importante fonte de informação a respeito de sua trajetória foi extraída de uma publicação especial do jornal Fanfulla, editada em 1906 e intitulada “Il Brasile e gli Italiani”. Trata-se de uma compilação especial que aborda a participação de italianos no desenvolvimento do Brasil, com mais de 1200 páginas, em grande formato. Na página 1036 encontramos alguns dizeres sobre o doutor Viscardi e uma fotografia.



Essa fonte menciona que Viscardi formou-se médico pela Universidade de Pavia, na região da Lombardia, em 1883. No ano seguinte, em virtude de um surto de cólera que se alastrou por toda a península itálica, atingindo com maior intensidade Nápoles, ao sul, o jovem estudante se inscreveu na equipe de Felice Cavallotti, político e poeta italiano, e foi em socorro aos doentes daquela região. Em 1886 consta que já dirigia um lazareto destinado aos acometidos pelo mal da cólera. Esses seus primeiros trabalhos lhe renderam duas medalhas destinadas a beneméritos da saúde pública italiana. Por essa mesma época, na biografia de Costantino Lazzari [1857-1927], socialista lombardo, disponível na internet, encontramos menções ao envolvimento de Viscardi como um dos membros mais ativos e dispostos [“più attivi e più volonterosi”] da Lega Socialista Milanese.

No contexto da política expansionista européia do final do século XIX, a África representava um grande território além-mar a ser conquistado. O rei italiano Umberto I, já tendo feito um ensaio de colonização na Eritréia, lançou-se numa guerra contra a Abissínia (atual Etiópia), pleiteando o controle de novas áreas. Essa pretensão italiana culminou na Batalha de Adwa, em 1896, na qual os etíopes surpreenderam o mundo ao derrotar a potência européia e permanecerem independentes sob o reinado de Menelik II. Nesse conflito, Viscardi havia se engajado como capitão-médico. Ao final da mencionada batalha foi ele quem chefiou a equipe de médicos que cuidou dos 300 prisioneiros que tiveram ou um pé ou uma mão amputados pelos etíopes antes de serem libertados.

Ao retornar à Itália, Viscardi foi condecorado com medalha alusiva aos serviços prestados no campo de batalha. Passou os últimos anos do século XIX como médico no Ospedale Maggiore di Milano. Casado na Itália, sabe-se que Viscardi deixou lá dois filhos. Em 1906, Bruno, o mais velho, era Oficial da Marinha; e Mario estudava agronomia em Brescia. Na biografia de Lazzari, os filhos e esposa de Viscardi também são mencionados num trecho de documento do final do XIX que atesta, ainda, a estreita relação entre o socialista e o médico: “(...) l'amico dott. Viscardi andato in rotta con sua moglie, mi propose, dal momento che io amavo tanto i bambini, di allevare i suoi due figliuoli, Bruno di 6 e Mario di 3 anni. Accettai con entusiasmo e da allora in poi la nostra casa con la presenza e colle cure per quei due cari ragazzini fu un vero teatro di festa e di gioia!”

20 de fevereiro de 2009

Velha guarda

O periódico saltense O Liberal – fundado em 7 de setembro de 1949 – interrompeu sua circulação durante alguns meses em 1952. Na última edição, a de 7 de março, eram seus diretores-redatores Archimedes Lammoglia, Mario Dotta e Paulo Miranda Campos. No retorno em 17 de agosto daquele ano, era o diretor responsável Joaquim A. Sontag e, como diretor secretário, figurava o já citado Lammoglia. Poucas mudanças estruturais ocorreram. O editorial “Ser Saltense”, que sempre aparecia em letras garrafais na primeira página, foi mantido – bem como o bordão “Órgão semanário independente para defesa dos interesses de nossa Terra e de nossa gente”.

Nessa edição de retorno, um dos articulistas, na coluna intitulada “Pessoal da velha guarda”, cita os trabalhos envolvendo o ressurgimento do jornal: “durante o tempo todo em que ‘O Liberal’ ficou sem circular, os seus interessados trabalharam dia e noite estudando possibilidades e traçando diretrizes a fim de que a nossa volta fosse assegurada”. E foi numa dessas reuniões que surgiu a idéia de se manter uma coluna que procurasse “reviver todo um passado que está quase morto na memória dos nossos varões mais velhos”. Assim sendo, na coluna “Pessoal da velha guarda” tentariam “descrever um pouco da vida de cada um [desses antigos habitantes], pontuando em evidência [sic] os mais interessantes fatos, personagens, costumes, tipos (...) da Salto de antanho”.

Na edição seguinte, o primeiro entrevistado foi Tibúrcio de Arruda Campos. O articulista leva a entrevista num tom alegre e com certa dose de comicidade. E assim apresenta o “primeiro elemento a figurar” na coluna: “soldado aposentado da Força Pública do Estado de São Paulo, que mesmo a despeito de receber Cr$ 1.270,00 mensais, anda de porta em porta a vender carvão”. Sobre a cidade do tempo em que aqui chegou, Tibúrcio diz que “Salto não passava de uma cidadezinha suja e esburacada, sem luz, sem comércio, sem água nem [coleta de] esgotos. As únicas coisas boas que possuía eram a Brasital e a Têxtil”. E faz um comentário sobre esta última: “Não sei quem era o dono, mas me recordo que pagava uma miséria a seus operários”. O entrevistado aproveita a oportunidade para desmentir comentários que eram feitos sobre ele há muito tempo: “Olha aqui. Dizem também que eu surrava presos e que ajudei a matar Alfredo Rosa [em 1911], acusado de roubar cavalos. Tudo isso é mentira. Nunca surrei ninguém e só matei uma pessoa na vida. Foi em São Paulo. Estava de serviço quando rebentou uma greve. Fui alvejado, mas felizmente não fui atingido. Armei a carabina e matei o grevista”, disse cabisbaixo e aparentando tristeza. Em determinada passagem, indagado sobre o espírito do povo saltense, queixa-se: “É o povo mais falador e venenoso que já vi na vida...”.

Na semana seguinte, a colunas trouxe como entrevistada Dona Rosalina Leal Nunes – possuidora de “gostos (...) dos mais modernos que se possa imaginar numa senhora de 80 anos”, pois adorava escutar novelas e assistir filmes. Sobre sua vivência em nossa cidade, relata em minúcias um acontecimento que presenciou em sua infância: “Nasci em Itu, mas vim muito criança para Salto. Aqui levei uma vida igual a de todas as crianças da minha idade. (...) Deveria ter uns 8 anos de idade quando D. Pedro II veio a Salto. Lembro-me do seu carro puxado por enormes cavalos, tendo à frente sua guarda pessoal formada por oficiais e soldados vestindo vistosos uniformes preto e vermelho de botões dourados e usando um boné cheio de plumas. Quando ele chegou a Salto, desceu da carruagem acompanhado por uma senhora manca [D. Thereza Christina, esposa de D. Pedro II]. Dirigiu-se à fábrica de José Galvão, que estava localizada onde hoje fica um dos depósitos da Brasital”.

Notas interessantes e valiosas como as transcritas são também encontradas nas semanas que se seguiram, nas vozes de Palmira Milanez, Domingos Lammoglia e Antonio Donatini, respectivamente. Após essas três semanas, sem qualquer justificativa, a coluna não mais figurou nas edições seguintes, dando fim a uma iniciativa muito interessante e lúcida de se registrar as memórias de antigos habitantes sobre a cidade que viram se desenvolver.

19 de fevereiro de 2009

No carnaval de 1970, um festival de música

A primeira edição do Festival de Música Popular de Salto – o FEMPS – foi considerada a novidade do carnaval de 1970 em nossa cidade. Organizado pelo casal Dr. Clineu de Mello Almada e D. Giselda, foram quarenta e oito as músicas inscritas, atraindo inclusive participantes de cidades vizinhas. A partir desse montante, realizou-se uma seleção preliminar a cargo de professores de música e de língua portuguesa. Mediante audição de todas as gravações que compunham o conjunto inicial saíram vinte finalistas. Essas, por sua vez, foram submetidas a um júri, cuja presidência coube a Odmar do Amaral Gurgel, o maestro Gaó [1909-1992].

Um caderno especial sobre o festival circulou junto à edição de 21 de fevereiro da Revista Taperá. Nele, as letras das vinte composições pré-selecionadas eram veiculadas. Dava-se, também, a notícia sobre a premiação. O primeiro colocado receberia, oferecido pela Sociedade Instrutiva Recreativa Ideal (SIRI), o “Troféu Zequinha Marques” – em referência ao músico saltense José Maria Marques de Oliveira [1890-1981]. Ainda, a verba de NCr$ 1.000,00 – repassada pela Prefeitura Municipal – seria utilizada pela comissão organizadora para premiação dos outros participantes. Os equipamentos utilizados no festival foram cedidos pela “firma Tranquilo Giannini, por intermédio de seu diretor comercial, Edmar Mesquita”, que forneceu “caixas de som, microfones e outros aparelhos”.

Na apresentação do dia 21, comandada por Terezinha Effori e Edmur Sala, “tudo funcionou perfeitamente, tanto no que tange à organização, quanto no que se refere à efetivação do espetáculo, propriamente dita”. Um pequeno atraso – nota pitoresca – ocorreu por conta de “um desarranjo mecânico no carro que transportava um dos membros do júri, vindo de Itapetininga”. O articulista da mencionada revista ressaltou ainda o respeito e o bom comportamento do público presente, “o que serviu para revelar que o povo saltense tem noção de que o papel da platéia é de saber receber com palmas, com silêncio ou com apupos uma ou outra canção, sem, porém, agredir ou desrespeitar os autores ou apresentadores”.

As músicas concorrentes levavam os seguintes títulos: Pedido; Muié veiaca; Prece ao sol; Canto; Giro ou circunvolução; Luaréu; Modinha; Abra a porta, Maria; A espera; Amor triste; Antifuga n.º 1; Balada para o soldado desconhecido; Samba tropical; Seca; Se você voltar; Serenata vazia; Terra querida, Salto; Sozinho; Rosa, poesia, poema; Consolo.

Nem o júri, nem o público sabiam quem eram os autores das músicas e letras interpretadas, pois os inscritos deveriam utilizar pseudônimos, sendo os nomes dos mesmos depositados à parte, em envelopes lacrados que seriam abertos naquela noite. O critério adotado no julgamento foi a atribuição de notas de 1 a 5 (associadas aos adjetivos ótima, boa, regular, má e péssima) nos seguintes quesitos: qualidade da música, originalidade da música, qualidade da letra, originalidade da letra, comunicação e interpretação. Assim, a classificação final se deu pela média das notas.

Dentre os saltenses participantes do festival, seja como autor de letra ou de música, figuram os nomes de Manoel Paiva, Maria Cristina Lobo, Archimedes Lammoglia, Salem Varella, Hilário Alfredo Gonzáles, Aparecido Rangel, Matilde Camargo, Egydio Miguel, Marcelo Culatre, Sérgio Carvalho e Waldomiro Tavernari – estes dois últimos autores de "Terra querida, Salto", cuja letra era:

Viver numa terra feliz
Dizer com orgulho e bem alto
Com o prazer de quem diz
Nasci nesta linda terra, Salto

A natureza é linda
Pra nós também foi gentil:
Sua alegria é infinda
Porque Salto é um rincão do Brasil

Terra de trabalho e beleza
Seu filho presta homenagem
Guardando em sua riqueza
Mantendo a sua paisagem

Ouvindo a sua cascata
Um hino de fé e de amor
Mantendo em sua riqueza
A bênção do Senhor


Na capa da edição de 28 de fevereiro da Revista Taperá figurava uma fotografia do autor da letra e composição vencedora ao lado dos interpretes da mesma. Tratava-se do saltense Manoel Paiva, premiado por "Giro ou circunvolução", e de Cristina Lobo, Matilde, Speroni, Terezinha, Victor, Zé e Sandra – intérpretes. Abaixo, segue a letra vencedora:

Gira que esta gente gira
Que esta gente gira a mão
Gira que o mundo gira
E vocês não mudam não

Gira a máquina do tempo
Que vocês precisam mudar
Gira que sonhando sempre
Tudo irá ficar

Pois a roda gira, gira
Pela avenida na central da vida...
(BIS)

Giramos todos, pois somos um giro
Quem gira na roda
Não pára não

Girem pela evolução
Pois é uma questão
De opinião

Girem pelo espaço afora
Pra mudar agora é uma questão de hora

Pois a roda gira, gira
Pela avenida na central da vida...
(BIS)

Girou no espaço sideral
O pião da vida na rosa da mão
Girou o filho gerado do giro espacial
O tiro girando não parou não

Girou o moinho
Girado pelo vento
Minha vida é um giro sem amor e paz

Girou o mundo sem um lamento
Que gire agora quem for capaz

Ouça nosso podcast

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966