7 de agosto de 2016

Indústria Nacional do Salto

Entre 1898 e 1904, as indústrias pioneiras que se instalaram em Salto às margens do Rio Tietê, logo após a cachoeira, pertenciam a José Weissohn & Cia. (por isso as iniciais J. W. & Cia.). Eram o resultado da fusão das duas tecelagens mais antigas: a Júpiter, fundada em 1875 por José Galvão; e Fortuna, inaugurada em 1880 por Barros Júnior. 

Nessa época, Júpiter e Fortuna eram também conhecidas por Indústria Nacional do Salto. É dessa época a belíssima imagem aqui postada: um conjunto de pinturas que tentava retratar a grandiosidade dos prédios do complexo industrial saltense, um dos pioneiros do Estado de São Paulo e do Brasil. Em 1904, o complexo, juntamente com a Fábrica de Papel Paulista, de Antonio Melchert, seria adquirido por capitais italianos, tornando-se a Fábrica de Tecidos e de Papel Ítalo-Americana, transformada em Brasital S/A em 1919.


A imagem acima, postada no grupo Fotos Antigas de Salto pelo saltense Marcos Buratti, ao que tudo indica é a embalagem do "Brim Fluminense", um dos produtos fabricados pela tecelagem naqueles tempos. Nota-se ao centro um desenho da então Rua do Porto, posteriormente transformada em caminho particular, dando origem a uma disputa que culminaria com a instalação da Ponte Pênsil em 1913. Precioso documento que merece análise pormenorizada, a qual farei brevemente.

Conheça os industriais pioneiros em Salto:

José Galvão de França Pacheco Júnior - Ituano, nasceu em 19 de Janeiro de 1834 e faleceu em Salto em 29 de março de 1889. Foi o primeiro a construir e inaugurar uma fábrica de tecidos em Salto. Todo o maquinário foi adquirido da Platt Brothers Co., da Inglaterra.

Octaviano Pereira Mendes - Ituano, engenheiro civil formado nos Estados Unidos. Em 1887, através de uma associação com seus familiares, inaugurou a terceira fábrica de tecidos de Salto. Mendes ocupou também vários cargos públicos, especialmente na cidade de Itu, onde desenvolveu toda a sua trajetória política pelo Partido Republicano Paulista. Foi um dos membros organizadores da Companhia Ituana de Força e Luz, com capitais exclusivamente ituanos, e adquiriu uma cachoeira existente do rio Tietê no lugar denominado Lavras. Em 1906, concluídos todos os trabalhos da represa e usina, as cidades de Itu e Salto passaram a ser iluminadas por energia elétrica.

Francisco Fernando de Barros Júnior - Nasceu em Capivari em 17 de março de 1856 e faleceu em Salto em 2 de novembro de 1918. Em 1879, retornou ao Brasil depois de concluir o curso de engenharia civil nos Estados Unidos. Barros Júnior, além de industrial, foi também vereador em Itu e Deputado Estadual pelo Partido Republicano Paulista. Em Salto, ocupou diversos cargos públicos, como o de vereador e presidência de intendência – equivalente a prefeito, na época.

Antonio Melchert - Engenheiro paulista que, com seus filhos, construiu e inaugurou a Fábrica de Papel Paulista, em 1889. Foi a primeira do gênero a ser instalada na Província de São Paulo.

Diagrama elaborado com base nas pesquisas de Anicleide Zequini e Ettore Liberalesso. 

"Acham-se adiantadas as obras da fábrica que vai estabelecer no Salto de Ytu o Sr. José Galvão de França Pacheco Júnior... tem ela 50 teares, vai fabricar algodão grosso e é movida por água. A casa é de pedra lavrada e digna de ser observada pela perfeição do trabalho. Parte do maquinismo já está apresentada e espera-se muito breve inauguração."

Desta forma foi que jornal Correio Paulista, da capital, anunciou, em 1875, a construção da primeira fábrica de tecidos de Salto. Localizada junto à cachoeira do rio Tietê, utilizava-se da turbina hidráulica para um maior aproveitamento da força das águas para movimentar os teares.

As soluções tanto construtivas como tecnológicas adotadas por José Galvão serviram, depois, como modelo para outras fábricas. Em 1882 Francisco Fernando de Barros Júnior também instalava, junto ao rio Tietê, pouco abaixo da de José Galvão, uma segunda fábrica de tecidos em Salto.

Na margem esquerda do rio Tietê, em 1889, a Melchert & Cia. inaugurava uma fábrica de papel, a primeira da Província de São Paulo. Dois anos antes, em 1887, Octaviano Pereira Mendes construía, próximo à Estação Ferroviária, a terceira fábrica de tecidos de Salto. Foi a única neste período a ser movimentada totalmente a vapor.

Um comentário:

Marcos A. Buratti disse...

Obrigado Prof. não conhecia a história toda. Encontrei este documento, quando reví alguns documentos de meu pai, que também trabalhou na Brasital, e que faleceu em Julho/1963, estava recordando, por ocasião do aniversário de seu falecimento, e achei que deveria compartilhar , pela visão do passado de Salto.

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966