17 de janeiro de 2010

A presença indígena em Salto

A área onde hoje se localiza a cidade de Salto abrigava, ao início da colonização brasileira, aldeamentos dos índios guaianás (ou guaianazes), do grupo Tupi-Guarani. Consta que a aldeia aqui localizada chamava-se Paraná-Ytu. Foram esses índios que deram à cachoeira o nome de Ytu Guaçu, que significa Salto Grande em língua nativa. Assim, fica claro que esta cachoeira acabou dando nome a duas cidades: a Salto (em português) e à vizinha Itu (em tupi-guarani).

Há registros que mencionam o ataque que, em 1532, os indígenas empreenderam contra Martim Afonso de Souza – primeiro donatário da Capitania de São Vicente. Dentre os líderes guerreiros, menciona-se o Cacique de Ytu. Sendo essa ocorrência de época em que Vila de Itu ainda não existia, acredita-se que seja uma referência ao chefe dos índios que viviam pelas terras da atual Salto. O Museu da Cidade, inclusive, exibe urnas funerárias, pontas de flecha e outros fragmentos de cerâmica recolhidos nos arredores, que testemunham essa presença. Esses indígenas, assim como outros das margens do Tietê, foram repelidos ou aprisionados nas investidas das primeiras bandeiras paulistas, que os levaram para abastecer de mão-de-obra as roças nas vilas do planalto.


Igaçaba (urna funerária indígena) encontrada no Jardim São Judas Tadeu em 1992.


Igaçaba encontrada em 1980 no Jardim Elizabeth.

Entre os séculos XVI e XVIII, em São Paulo, o número de índios e mamelucos (mestiços de branco e índio) era muito maior que o de europeus. Inclusive, até meados do século XVIII, predominava entre a população paulista uma língua de base tupi-guarani, sendo essa língua mais falada que o próprio português. Era o nheengatu ou língua-geral, cujo ensino acabou sendo proibido pelo governo de Portugal. Ficou, porém, uma enorme herança indígena, nos hábitos de alimentação e higiene, artesanato e técnicas manuais diversas, conhecimento de plantas, crenças e nomenclatura, entre outros itens, cuja influência pode ser percebida na cultura brasileira até os dias atuais.

2 comentários:

chico silva disse...

Caro Elton,
Parabéns pelo seu blog e pela divulgação da história e arqueologia da região. Gostaria de sugerir uma correção para seu blog oferecer uma noção de processo histórico com mudanças demográficas na região: os guaianá não são falantes da família linguística Tupi-Guarani (FLTG), mas da família Jê, e são ancestrais dos Kaingang. As evidências arqueológicas de Salto, Itu e Porto Feliz, por exemplo, foram produzidas pelos Tupiniquim, falantes de um dialeto da língua Tupinambá, pertencente à FLTG, que dominaram uma grande área entre São Sebastião e Cananéia, adentrando no interior pela bacia do rio Tietê até a sua foz. Com o colapso demográfico ocorrido principalmente por epidemais após a chegada dos europeus, que se estendeu até o século 17, houve um esvaziamento dos Tupiniquim, cujos sobreviventes foram se mesclando com os europeus por meio de alianças políticas e casamentos. Com o vazio demográfico, os guaianás ocuparam parte dos territórios manejados com policultura agroflorestal pelos Tupiniquim,

Elton disse...

Obrigado, Sr. Chico Silva, pelo complemento e correção.

Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966