7 de dezembro de 2008

O saltense volta a ter orgulho



Os trabalhos inaugurados na noite de 6 de dezembro de 2008, no entorno da cachoeira que dá nome a nossa cidade, serão responsáveis por um novo uso daquele espaço. Novas funções estarão a ele associadas. Será novamente um local emblemático para o saltense, que por longos anos perdeu o orgulho que sentia em explicar sua própria origem, ilustrando-a com uma visita à cachoeira. Afinal, Salto só é Salto pela cachoeira – o Ytu Guaçu, na língua indígena. E apenas deixou de ser um distrito rural da cidade vizinha, tornando-se independente, por conta da instalação de indústrias nas imediações, motivadas principalmente pelo potencial de aproveitamento da força hidráulica oferecida pela queda d’água.

Como já tem sido divulgado pela imprensa, Salto ganhará neste final de semana, além de uma praça remodelada, duas novas atrações: o Memorial do Rio Tietê e o Caminho das Esculturas. As intervenções ocorridas na Praça Archimedes Lammoglia (no trecho conhecido como Jardim Tropical), na Ilha dos Amores, no antigo Restaurante do Salto, na Ponte Pênsil e no espaço para além dela (agora nomeado Caminho das Esculturas), foram todas concebidas parcialmente carregadas de historicismo (doutrina que estuda seus objetos do ponto de vista da origem e desenvolvimento deles, vinculando-os às condições concretas que os acompanham). Trocando em miúdos, pensou-se na memória do espaço no qual se intervinha. A colocação de um gazebo que remete ao antigo coreto da Ilha dos Amores é um exemplo disso.

E para marcar essa opção, novos painéis do Museu de Rua foram instalados. A intenção desses painéis é veicular informações históricas e documentos iconográficos em espaços representativos da história local, atribuindo sentidos a quem por eles transita. Um deles, que figurará ao lado do busto da personalidade que dá nome à Praça, detalha esse aspecto. Outro, ao centro do Jardim Tropical, mostra as várias formas e nomes que o espaço já teve, desde o século XIX, quando se chamava Largo do Rocio. Ao atravessar a ponte metálica que liga o Jardim à Ilha dos Amores, o visitante encontrará um painel específico sobre a Ilha e outro sobre a Barragem e Usina de Porto Góes, já que a partir da Ilha se tem um ponto de visualização privilegiado da barragem em quase toda sua extensão.

Os painéis de azulejos de Flávio Pretti, que desde 1968 estiveram ao lado do antigo Restaurante do Salto, permaneceram. E uma placa sobre o artista dá conta de situar sua obra no contexto da época de criação. Sob a pérgula do Mirante, ao lado de um banco em granito de Salto, está um outro painel, com forma distinta – e que marca o início de um circuito de painéis similares que tem por fio condutor o rio Tietê. Nele, trata-se dos ilustres visitantes que por aqui passaram e viram a cachoeira, de D. Pedro II até o atual Presidente da República. Já ao lado da Ponte Pênsil, a história dela, propriamente. Próximo, um outro painel aborda as tecelagens pioneiras que se instalaram à margem direita.

Antes, quem optar por descer diretamente ao Memorial do Rio Tietê terá contato com uma história que transcende os limites locais. No início, explica-se a nomenclatura do rio. Em seguida, sua importância histórica é abordada nos painéis sobre bandeiras e monções – além de um sobre as vilas pioneiras que se instalaram às margens, ainda no período colonial da história brasileira. Noutro bloco, trata-se da cultura produzida no Vale do Tietê, com destaque para um equipamento concebido para contar as principais lendas do rio na forma de um grande gibi, criado com desenhos do artista saltense Rodrigo Schiavon. Nessas duas seções, monitores de TV exibirão vídeos alusivos à temática. Na seção seguinte, trata-se das formas utilizadas pelo homem para se servir do rio; barragens e usinas ganham relevo no vídeo que será projetado numa das paredes. A esperança da despoluição e as ações com esse intuito empreendidas até o momento presente são abordadas nas seções finais. Por último, o visitante encontra uma pinacoteca, a Galeria da Cachoeira – com reproduções em grande formato de pinturas históricas do Ytu Guaçu produzidas por artistas de renome nacional e internacional, além de uma fotografia de um dos pioneiros dessa arte no Brasil, Marc Ferrez – que fotografou a cachoeira por volta de 1880.

Ao atravessar a quase centenária Ponte Pênsil, tem-se o início do já mencionado Caminho das Esculturas. O índio, o bandeirante, o padre jesuíta José de Anchieta, o viajante europeu, o pescador e a operária são figuras representadas em esculturas do artista plástico Murilo Sá Toledo – todas acompanhadas de painéis explicativos. Na base do antigo teleférico da Brasital, dois painéis em vidro dão conta de explicar a sua existência no passado. Em vidro também foi criado o painel que figura nas proximidades da escultura da operária, no qual foram dispostas algumas fotografias do início do século XX com aspectos do interior das antigas tecelagens de Salto. Ao final do percurso, o painel “Para além do caminho, você encontra...” irradia alguns pontos de interesse nas proximidades, como é o caso do Parque Rocha Moutonnée, da Ilha Grande, da Fábrica de Papel, da Ilha da EMAE, entre outros.

Acredita-se que, com as informações apresentadas, possa o saltense e o visitante de fora perceber o valor histórico que a área contemplada com as obras tem. A recuperação de antigos valores e os novos significados despertados, por tudo o que foi agregado, tem esse intuito.

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Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966