16 de maio de 2008

A banda dos romeiros

O texto e as imagens que apresento hoje são frutos dos esforços de Marco “Manaia” Vicente, que nos enviou, há algumas semanas, material alusivo à Romaria de Salto a Pirapora do Bom Jesus, como fotos da década de 1950 e 1960, e um texto por ele redigido, intitulado “Ao som de clarins, surge uma história” – relato emocionado da história dos romeiros a partir da Banda de Clarins. O que segue é nosso exame desse material.

Foto: Waldemar Ladeira (esq.), Wagner Formigoni, José Garcia e Zé Potinho, s/d.

Em abril de 1953, um grupo de amigos se reuniu para organizar uma romaria com destino a Pirapora do Bom Jesus – a I Romaria de Salto a Pirapora do Bom Jesus – tendo à frente do grupo Etore Birello, como presidente; e João Leopoldino, como vice. Nessa ocasião, a diretoria já formada convidou José Dalla Vecchia, então com 13 anos de idade, para agraciar, com o toque do clarim, tanto a saída como a chegada dos romeiros – tradição musical que persiste até os nossos dias, tendo ocorrido a 55ª edição da Romaria neste ano.

Na segunda Romaria, em 1954, José Dalla Vecchia contou com a companhia de Orlando Cazzelato. Formou-se então a Banda de Clarins Nossa Senhora Aparecida. Novos clarins foram comprados em 1956. A cada ano a Banda crescia. Ao final da década de 1950, ela era composta, além dos dois nomes já citados, pelo sargento Moraes, do Quartel de Itu, e os senhores Antonio Maradine e Agostinho Augusto – além de Ade Manaia e Dorival – agregados em 1957. Ao final da década de 1970, apenas os dois pioneiros não integravam mais a Banda.

Anos mais tarde, com a compra de mais seis clarins, ingressaram os romeiros Arnaldo, Wagner Formigoni, Fugolin, Jair, Chinês e Adalberto. Ao sair o sargento Moraes, ingressaram José Mariano e Osvaldo Arruda – o Jacó. Sobre este último, há que se mencionar que, por muitos anos, ele e sua mulher, Madalena, recolheram prendas nos comércios da cidade – revertidas em refeições, alojamentos, cavalos e uniformes para a Banda. Muitos ensaios ocorriam no antigo Bar da Pedra, na Rua José Galvão, ou na garagem da residência do já falecido romeiro Valter Ladeira. Quando José Dalla Vecchia saiu da Banda, assumiu o seu lugar um dos filhos de José Mariano.

Quando o presidente da Banda era Valdomiro “Cabresto” Cortês, cinco jovens – instruídos pelos autodidatas Dorival e Ade Manaia – ingressaram, com o intuito de gradativamente substituir os velhos romeiros dos clarins. Passaram ainda pela presidência, Orlando Bergamo e Clemente Andrietta. Na gestão deste último, a formação era: Ade e Marco Manaia; Dorival e Chico Currigive; Clemente, Rosano e Cláudio Andrietta. Com outras idas e vindas em sua formação, houve um longo período em que Ade Manaia, sozinho, empunhou o estandarte da Banda.

Além da Romaria, propriamente, os entusiastas dos clarins também têm presença freqüente nos funerais de autoridades, pessoas de destaque e de antigos romeiros. Essa participação, nas palavras de Marco Manaia, se dá “minutos antes de partirem para a derradeira morada, [quando homenageia-se o falecido] com um choroso toque de clarim, ao som da melodia Silêncio (Il Silenzio, de Nino Rosso, Itália/1965), executada por Ade Manaia.

A Banda de Clarins em ação: José Dalla Vecchia, Fugolin,
Ade Manaia, Torero, Antonio Maradine e Antonio Augusto.

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Ouça o hino da cidade, "Salto Canção", na gravação de 1966